Empresa que financiou filme sobre Bolsonaro enviou R$ 28 milhões a alvo de investigação por lavagem do PCC
Repasses à ACX ITC Tecnologia ocorreram entre agosto de 2024 e abril de 2025; empresa diz atuar em conformidade com a legislação
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A Entre Investimentos e Participações, empresa responsável por financiar o filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), realizou 14 transferências que somam R$ 28 milhões para a ACX ITC Tecnologia, empresa investigada pela Polícia Civil de São Paulo por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Os repasses ocorreram entre agosto de 2024 e abril de 2025 e, segundo as investigações, representam o maior volume de recursos recebido pela ACX ITC no período.
De acordo com a Polícia Civil paulista, a ACX ITC integra uma rede utilizada para ocultar recursos provenientes do tráfico de drogas da facção criminosa. A empresa está registrada em nome de um homem apontado como "laranja", que relatou aos investigadores ter sido abordado em um campo de futebol com a oferta de R$ 5 mil para ceder seu CPF e assumir formalmente a empresa.
Em depoimento, ele afirmou trabalhar com a venda de pipas e rabiolas por meio de rifas, atividade da qual obtinha renda de aproximadamente R$ 1 mil por rifa comercializada.
A relação financeira entre a Entre Investimentos e a ACX ITC também passou a ser investigada. Formalmente, a Entre pertence a Antônio Carlos Freixo Junior. Conforme a Polícia Federal, Freixo teria sido utilizado pelo banqueiro Daniel Vorcaro como "laranja" para realizar pagamentos e ocultar patrimônio. As investigações, no entanto, destacam que nem todas as operações da empresa estariam relacionadas a Vorcaro.
Foi por meio da Entre Investimentos que, segundo a apuração, Daniel Vorcaro efetuou um pagamento de R$ 61 milhões, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para financiar o filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
Em relatório encaminhado à 1ª Vara de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens de São Paulo, o delegado Júlio Jesus Encarnação afirmou que "A empresa ACX ITC possui fortes indícios de envolvimento com recursos oriundos do tráfico e movimentou R$ 918.378.510,00".
Segundo a Polícia Civil, entre 1º de agosto de 2024 e 25 de abril de 2025, os maiores repasses destinados à ACX ITC partiram das seguintes empresas:
Entre Investimentos – R$ 26 milhões (a reportagem que revelou o caso calculou R$ 28 milhões);
Supaluh Transportes e Serviços Empresariais – R$ 11,7 milhões;
Rinanileo Gestão Consultoria – R$ 9,3 milhões;
Alpha Capital Ltda – R$ 3,4 milhões;
JJV Intermediações e Cobranças – R$ 2,8 milhões.
A segunda empresa que mais transferiu recursos para a ACX ITC foi a Supaluh Transportes, investigada pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. A comissão apurou que a ACX também teria sido utilizada pelo chamado "Careca do INSS", apontado como principal operador de um esquema de desvio de recursos de aposentados e pensionistas.
Registrada em São Paulo, a Supaluh teve sua inscrição baixada na Receita Federal em 2025 e não está mais em atividade. Conforme relatório da CPMI do INSS, a empresa estava em nome de um contador que possuía 290 empresas como clientes e de um preparador de tintas com salário de R$ 1.700 mensais, embora tenha movimentado cerca de R$ 1,1 bilhão entre 2023 e 2025.
Caso foi encaminhado à Polícia Federal
A Polícia Civil informou que a ACX ITC Tecnologia também apareceu em investigações relacionadas ao PCC, ao universo do Banco Master, de Daniel Vorcaro, e ao financiamento do filme Dark Horse. Diante da conexão entre os casos, todo o material reunido na Operação Saturno foi encaminhado à Polícia Federal.
As investigações apontam ainda que os pagamentos destinados ao filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro foram acertados entre Daniel Vorcaro e o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. O acordo previa desembolsos de R$ 134 milhões entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. Entretanto, conforme a apuração, os repasses ocorreram entre 13 de fevereiro e maio do ano passado, totalizando R$ 61 milhões.
Procurada pela reportagem que revelou o caso, a Entre Investimentos, de Antônio Carlos Freixo Junior, não respondeu aos questionamentos sobre a natureza das transferências feitas à ACX ITC.
Em nota, a empresa informou apenas que "o Grupo Entre realiza suas operações em conformidade com as normas e regulamentações aplicáveis ao setor financeiro". Acrescentou ainda que "a empresa reforça seu compromisso com a integridade, a transparência e o cumprimento da legislação vigente, permanecendo à disposição das autoridades competentes sempre que necessário."
Os repasses ocorreram entre agosto de 2024 e abril de 2025 e, segundo as investigações, representam o maior volume de recursos recebido pela ACX ITC no período.
De acordo com a Polícia Civil paulista, a ACX ITC integra uma rede utilizada para ocultar recursos provenientes do tráfico de drogas da facção criminosa. A empresa está registrada em nome de um homem apontado como "laranja", que relatou aos investigadores ter sido abordado em um campo de futebol com a oferta de R$ 5 mil para ceder seu CPF e assumir formalmente a empresa.
Em depoimento, ele afirmou trabalhar com a venda de pipas e rabiolas por meio de rifas, atividade da qual obtinha renda de aproximadamente R$ 1 mil por rifa comercializada.
A relação financeira entre a Entre Investimentos e a ACX ITC também passou a ser investigada. Formalmente, a Entre pertence a Antônio Carlos Freixo Junior. Conforme a Polícia Federal, Freixo teria sido utilizado pelo banqueiro Daniel Vorcaro como "laranja" para realizar pagamentos e ocultar patrimônio. As investigações, no entanto, destacam que nem todas as operações da empresa estariam relacionadas a Vorcaro.
Foi por meio da Entre Investimentos que, segundo a apuração, Daniel Vorcaro efetuou um pagamento de R$ 61 milhões, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para financiar o filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
Em relatório encaminhado à 1ª Vara de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens de São Paulo, o delegado Júlio Jesus Encarnação afirmou que "A empresa ACX ITC possui fortes indícios de envolvimento com recursos oriundos do tráfico e movimentou R$ 918.378.510,00".
Segundo a Polícia Civil, entre 1º de agosto de 2024 e 25 de abril de 2025, os maiores repasses destinados à ACX ITC partiram das seguintes empresas:
Entre Investimentos – R$ 26 milhões (a reportagem que revelou o caso calculou R$ 28 milhões);
Supaluh Transportes e Serviços Empresariais – R$ 11,7 milhões;
Rinanileo Gestão Consultoria – R$ 9,3 milhões;
Alpha Capital Ltda – R$ 3,4 milhões;
JJV Intermediações e Cobranças – R$ 2,8 milhões.
A segunda empresa que mais transferiu recursos para a ACX ITC foi a Supaluh Transportes, investigada pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. A comissão apurou que a ACX também teria sido utilizada pelo chamado "Careca do INSS", apontado como principal operador de um esquema de desvio de recursos de aposentados e pensionistas.
Registrada em São Paulo, a Supaluh teve sua inscrição baixada na Receita Federal em 2025 e não está mais em atividade. Conforme relatório da CPMI do INSS, a empresa estava em nome de um contador que possuía 290 empresas como clientes e de um preparador de tintas com salário de R$ 1.700 mensais, embora tenha movimentado cerca de R$ 1,1 bilhão entre 2023 e 2025.
Caso foi encaminhado à Polícia Federal
A Polícia Civil informou que a ACX ITC Tecnologia também apareceu em investigações relacionadas ao PCC, ao universo do Banco Master, de Daniel Vorcaro, e ao financiamento do filme Dark Horse. Diante da conexão entre os casos, todo o material reunido na Operação Saturno foi encaminhado à Polícia Federal.
As investigações apontam ainda que os pagamentos destinados ao filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro foram acertados entre Daniel Vorcaro e o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. O acordo previa desembolsos de R$ 134 milhões entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. Entretanto, conforme a apuração, os repasses ocorreram entre 13 de fevereiro e maio do ano passado, totalizando R$ 61 milhões.
Procurada pela reportagem que revelou o caso, a Entre Investimentos, de Antônio Carlos Freixo Junior, não respondeu aos questionamentos sobre a natureza das transferências feitas à ACX ITC.
Em nota, a empresa informou apenas que "o Grupo Entre realiza suas operações em conformidade com as normas e regulamentações aplicáveis ao setor financeiro". Acrescentou ainda que "a empresa reforça seu compromisso com a integridade, a transparência e o cumprimento da legislação vigente, permanecendo à disposição das autoridades competentes sempre que necessário."
Publicado originalmente em infoverus.com.br



