Flávio Bolsonaro pode ser incluído na lista da Interpol por investigação sobre R$ 61 milhões do filme Dark Horse
Medida é analisada após STF autorizar inquérito sobre repasse de R$ 61 milhões de Daniel Vorcaro para financiar produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro
3 min de leitura

A Polícia Federal estuda solicitar a inclusão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na chamada difusão prateada da Interpol, mecanismo internacional criado para localizar bens e ativos relacionados a investigações criminais. A medida passou a ser considerada após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar a abertura de um inquérito para apurar o repasse de R$ 61 milhões feito pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A difusão prateada funciona de forma semelhante à difusão vermelha da Interpol, utilizada para localizar pessoas procuradas pela Justiça, mas tem como finalidade facilitar o rastreamento de patrimônio e recursos financeiros mantidos em outros países. O mecanismo, criado em 2025 e ainda em fase piloto, foi usado pela primeira vez no início deste ano contra um mafioso italiano para ampliar a cooperação internacional na identificação de bens.
A possibilidade de acionar a ferramenta surgiu após a abertura do inquérito motivado por um áudio revelado pelo site The Intercept Brasil, no qual Flávio Bolsonaro solicita a Vorcaro recursos destinados ao filme. Os investigadores trabalham com a hipótese, mencionada por pessoas próximas ao senador, de que todo o valor teria sido enviado ao exterior e poderia ter sido desviado da finalidade prevista.
Até o momento, segundo integrantes da investigação, não existe um pedido formal para incluir o senador na difusão prateada da Interpol. A alternativa deverá ser adotada apenas se os mecanismos tradicionais de cooperação jurídica internacional não forem suficientes para rastrear o destino dos recursos.
A avaliação da Polícia Federal é de que Flávio Bolsonaro poderá enfrentar dificuldades para comprovar como o dinheiro foi efetivamente empregado na produção do filme. Em maio, após a divulgação do áudio, o senador afirmou que apresentaria uma prestação de contas, o que ainda não ocorreu. Como cabe à investigação demonstrar eventual desvio de finalidade, os investigadores estudam ampliar a cooperação internacional para reconstruir o caminho percorrido pelos valores.
Procurada, a defesa de Flávio Bolsonaro não se manifestou. Quando o caso veio a público, o senador negou que os recursos tivessem sido destinados ao irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive nos Estados Unidos.
Em nota, Flávio afirmou ser "falsa a insinuação" e declarou que "os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos".
A Polícia Federal também pretende solicitar a inclusão de Daniel Vorcaro na difusão prateada da Interpol. Conforme antecipado pelo jornal Valor Econômico, a corporação já comunicou ao ministro André Mendonça, relator da Operação Compliance Zero no STF, o interesse em ampliar o rastreamento internacional de bens do empresário.
Paralelamente, a PF compartilha informações com o Banco Central. Após decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master, a autoridade monetária nomeou a EFB Regimes Especiais de Empresas como liquidante da instituição. Desde então, o órgão atua judicialmente para localizar e bloquear bens e ativos que, segundo sua avaliação, possam ter sido desviados para beneficiar Vorcaro e pessoas ligadas a ele.
Caso a inclusão na difusão prateada seja autorizada, a Polícia Federal poderá comunicar aos países integrantes da Interpol onde houver suspeita de que os investigados mantenham patrimônio ou recursos financeiros. A partir disso, autoridades estrangeiras poderão identificar ativos vinculados aos investigados e, conforme a legislação de cada país, informar sua existência às autoridades brasileiras ou adotar medidas para bloqueá-los.
A difusão prateada funciona de forma semelhante à difusão vermelha da Interpol, utilizada para localizar pessoas procuradas pela Justiça, mas tem como finalidade facilitar o rastreamento de patrimônio e recursos financeiros mantidos em outros países. O mecanismo, criado em 2025 e ainda em fase piloto, foi usado pela primeira vez no início deste ano contra um mafioso italiano para ampliar a cooperação internacional na identificação de bens.
A possibilidade de acionar a ferramenta surgiu após a abertura do inquérito motivado por um áudio revelado pelo site The Intercept Brasil, no qual Flávio Bolsonaro solicita a Vorcaro recursos destinados ao filme. Os investigadores trabalham com a hipótese, mencionada por pessoas próximas ao senador, de que todo o valor teria sido enviado ao exterior e poderia ter sido desviado da finalidade prevista.
Até o momento, segundo integrantes da investigação, não existe um pedido formal para incluir o senador na difusão prateada da Interpol. A alternativa deverá ser adotada apenas se os mecanismos tradicionais de cooperação jurídica internacional não forem suficientes para rastrear o destino dos recursos.
A avaliação da Polícia Federal é de que Flávio Bolsonaro poderá enfrentar dificuldades para comprovar como o dinheiro foi efetivamente empregado na produção do filme. Em maio, após a divulgação do áudio, o senador afirmou que apresentaria uma prestação de contas, o que ainda não ocorreu. Como cabe à investigação demonstrar eventual desvio de finalidade, os investigadores estudam ampliar a cooperação internacional para reconstruir o caminho percorrido pelos valores.
Procurada, a defesa de Flávio Bolsonaro não se manifestou. Quando o caso veio a público, o senador negou que os recursos tivessem sido destinados ao irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive nos Estados Unidos.
Em nota, Flávio afirmou ser "falsa a insinuação" e declarou que "os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos".
A Polícia Federal também pretende solicitar a inclusão de Daniel Vorcaro na difusão prateada da Interpol. Conforme antecipado pelo jornal Valor Econômico, a corporação já comunicou ao ministro André Mendonça, relator da Operação Compliance Zero no STF, o interesse em ampliar o rastreamento internacional de bens do empresário.
Paralelamente, a PF compartilha informações com o Banco Central. Após decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master, a autoridade monetária nomeou a EFB Regimes Especiais de Empresas como liquidante da instituição. Desde então, o órgão atua judicialmente para localizar e bloquear bens e ativos que, segundo sua avaliação, possam ter sido desviados para beneficiar Vorcaro e pessoas ligadas a ele.
Caso a inclusão na difusão prateada seja autorizada, a Polícia Federal poderá comunicar aos países integrantes da Interpol onde houver suspeita de que os investigados mantenham patrimônio ou recursos financeiros. A partir disso, autoridades estrangeiras poderão identificar ativos vinculados aos investigados e, conforme a legislação de cada país, informar sua existência às autoridades brasileiras ou adotar medidas para bloqueá-los.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



