Sérgio Ricardo lidera mobilização para combater a fome em Mato Grosso e defende universalização da comida
Presidente do TCE-MT defendeu restaurantes populares em todos os municípios e informou que a equipe técnica já mapeia a insegurança alimentar no estado
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O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, iniciou nesta quarta-feira (29) uma mobilização com prefeituras e instituições para discutir ações de combate à fome no estado. Durante reunião com dirigentes da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), ele informou que a equipe técnica do Tribunal está realizando um levantamento sobre a situação da insegurança alimentar nos 142 municípios mato-grossenses.
Segundo Sérgio Ricardo, dados do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) apontam que entre 700 mil e 1 milhão de pessoas no estado não têm acesso diário à alimentação, enquanto 3,9% da população vive em situação de subalimentação. O conselheiro defendeu a ampliação das políticas públicas voltadas ao tema.
"Não justifica um estado pobre tendo gente passando fome, muito menos um estado rico como Mato Grosso", afirmou.
Na avaliação do presidente do TCE, diante da falta de empregos e da ausência de indústrias em parte do estado, cabe ao poder público garantir condições mínimas à população. "Se não gera emprego, se não instala a indústria para acabar com o desemprego, tem que fazer o mínimo, é obrigação." Ele também convidou outras instituições a integrarem o grupo de trabalho. "Queremos que todas as instituições venham fazer parte. Porque, se formos numerosos e estivermos unidos, nós vamos conseguir isso."
Entre as propostas discutidas durante o encontro está a implantação de restaurantes populares em todos os municípios, com refeições vendidas por um valor simbólico. Para Sérgio Ricardo, a medida teria impacto direto na saúde pública.
"Da mesma forma que tem um posto de saúde, que os municípios tenham um restaurante popular, porque comida é saúde. Às vezes, se você der um prato de comida para uma pessoa, você não vai precisar atender ela na UPA. Comida é saúde, e tem muita gente em Mato Grosso que não tem um prato de comida na mesa", disse.
Durante a reunião, o prefeito de Rondolândia e vice-presidente da AMM, Zé Guedes, afirmou que pretende implantar um restaurante popular no município, que tem 3.850 habitantes e está localizado a cerca de 1.100 quilômetros de Cuiabá.
"Eu quero abraçar essa causa junto com o Tribunal. Eu vim da região lá do Nordeste, muito pobre também, e eu, com 10 anos, também não tinha pão para comer na minha casa todos os dias. Essa causa é de suma importância", declarou.
O presidente da AMM, Hemerson Máximo, afirmou que a entidade vai colaborar com o monitoramento da insegurança alimentar e destacou que a associação criou um setor para orientar servidores municipais na elaboração de projetos e convênios voltados à captação de recursos estaduais e federais.
"Nós temos mato-grossenses que têm dificuldade com a alimentação, e nós, da AMM, nos colocamos à disposição, junto com os prefeitos, nesse monitoramento, nesse mapeamento dos municípios. Hoje, na prática, quem está bancando a assistência social no Brasil são os municípios. Então, essa conta que está pesando é para os prefeitos, para as prefeitas, para os gestores fazerem a parte da assistência social", afirmou.
A AMM também apresentou um guia para auxiliar na regularização de pequenas agroindústrias familiares. O objetivo é permitir que produtores de queijo, ovos, embutidos e hortaliças obtenham certificação sanitária para comercializar produtos, inclusive para a merenda escolar e programas municipais de assistência social.
"É o passo a passo de como o pequeno produtor pode ter o certificado para vender o seu produto no mercado, na cidade", completou Máximo.
Outro ponto discutido foi a baixa adesão de municípios mato-grossenses a programas federais de combate à fome. Conforme informações apresentadas pela engenheira de alimentos e consultora Marisa Bezerra, cerca de 120 prefeituras não realizaram o cadastramento ou perderam o prazo para acessar recursos de iniciativas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Cozinha Solidária.
"O Governo Federal repassa esse recurso para os municípios comprarem alimentos da agricultura familiar e fazerem a doação para pessoas em situação de vulnerabilidade. É um recurso significativo, chega até 3 milhões por município", explicou.
Diante desse cenário, Sérgio Ricardo afirmou que o Tribunal passará a orientar os gestores municipais para que aproveitem os editais disponíveis.
"Veja que não está difícil de resolver, porque grande parte não é a falta do dinheiro, é a falta do conhecimento. Nós temos o contato fácil com todos os prefeitos, então nós vamos informar aos municípios: olha, abriu o edital para se cadastrarem e pegarem dinheiro para ter no seu município refeição a R$ 1."
O combate à fome também integra o Plano de Metas Mato Grosso 2050, planejamento de longo prazo elaborado pelo TCE-MT. Segundo o conselheiro, o diagnóstico inclui todas as regiões do estado, com destaque para o Vale do Rio Cuiabá, formado pelos 13 municípios da Região Metropolitana, apontado como uma das áreas de maior concentração de pobreza.
"Nós sabemos como foram os nossos 25 anos anteriores, e eles foram ruins, porque aumentou o número de pessoas com fome em Mato Grosso. Então, nós não podemos deixar que os próximos 25 anos sejam iguais. Nós temos duas missões: recuperar o que não foi feito e garantir o daqui para frente", concluiu Sérgio Ricardo.
Segundo Sérgio Ricardo, dados do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) apontam que entre 700 mil e 1 milhão de pessoas no estado não têm acesso diário à alimentação, enquanto 3,9% da população vive em situação de subalimentação. O conselheiro defendeu a ampliação das políticas públicas voltadas ao tema.
"Não justifica um estado pobre tendo gente passando fome, muito menos um estado rico como Mato Grosso", afirmou.
Na avaliação do presidente do TCE, diante da falta de empregos e da ausência de indústrias em parte do estado, cabe ao poder público garantir condições mínimas à população. "Se não gera emprego, se não instala a indústria para acabar com o desemprego, tem que fazer o mínimo, é obrigação." Ele também convidou outras instituições a integrarem o grupo de trabalho. "Queremos que todas as instituições venham fazer parte. Porque, se formos numerosos e estivermos unidos, nós vamos conseguir isso."
Entre as propostas discutidas durante o encontro está a implantação de restaurantes populares em todos os municípios, com refeições vendidas por um valor simbólico. Para Sérgio Ricardo, a medida teria impacto direto na saúde pública.
"Da mesma forma que tem um posto de saúde, que os municípios tenham um restaurante popular, porque comida é saúde. Às vezes, se você der um prato de comida para uma pessoa, você não vai precisar atender ela na UPA. Comida é saúde, e tem muita gente em Mato Grosso que não tem um prato de comida na mesa", disse.
Durante a reunião, o prefeito de Rondolândia e vice-presidente da AMM, Zé Guedes, afirmou que pretende implantar um restaurante popular no município, que tem 3.850 habitantes e está localizado a cerca de 1.100 quilômetros de Cuiabá.
"Eu quero abraçar essa causa junto com o Tribunal. Eu vim da região lá do Nordeste, muito pobre também, e eu, com 10 anos, também não tinha pão para comer na minha casa todos os dias. Essa causa é de suma importância", declarou.
O presidente da AMM, Hemerson Máximo, afirmou que a entidade vai colaborar com o monitoramento da insegurança alimentar e destacou que a associação criou um setor para orientar servidores municipais na elaboração de projetos e convênios voltados à captação de recursos estaduais e federais.
"Nós temos mato-grossenses que têm dificuldade com a alimentação, e nós, da AMM, nos colocamos à disposição, junto com os prefeitos, nesse monitoramento, nesse mapeamento dos municípios. Hoje, na prática, quem está bancando a assistência social no Brasil são os municípios. Então, essa conta que está pesando é para os prefeitos, para as prefeitas, para os gestores fazerem a parte da assistência social", afirmou.
A AMM também apresentou um guia para auxiliar na regularização de pequenas agroindústrias familiares. O objetivo é permitir que produtores de queijo, ovos, embutidos e hortaliças obtenham certificação sanitária para comercializar produtos, inclusive para a merenda escolar e programas municipais de assistência social.
"É o passo a passo de como o pequeno produtor pode ter o certificado para vender o seu produto no mercado, na cidade", completou Máximo.
Outro ponto discutido foi a baixa adesão de municípios mato-grossenses a programas federais de combate à fome. Conforme informações apresentadas pela engenheira de alimentos e consultora Marisa Bezerra, cerca de 120 prefeituras não realizaram o cadastramento ou perderam o prazo para acessar recursos de iniciativas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Cozinha Solidária.
"O Governo Federal repassa esse recurso para os municípios comprarem alimentos da agricultura familiar e fazerem a doação para pessoas em situação de vulnerabilidade. É um recurso significativo, chega até 3 milhões por município", explicou.
Diante desse cenário, Sérgio Ricardo afirmou que o Tribunal passará a orientar os gestores municipais para que aproveitem os editais disponíveis.
"Veja que não está difícil de resolver, porque grande parte não é a falta do dinheiro, é a falta do conhecimento. Nós temos o contato fácil com todos os prefeitos, então nós vamos informar aos municípios: olha, abriu o edital para se cadastrarem e pegarem dinheiro para ter no seu município refeição a R$ 1."
O combate à fome também integra o Plano de Metas Mato Grosso 2050, planejamento de longo prazo elaborado pelo TCE-MT. Segundo o conselheiro, o diagnóstico inclui todas as regiões do estado, com destaque para o Vale do Rio Cuiabá, formado pelos 13 municípios da Região Metropolitana, apontado como uma das áreas de maior concentração de pobreza.
"Nós sabemos como foram os nossos 25 anos anteriores, e eles foram ruins, porque aumentou o número de pessoas com fome em Mato Grosso. Então, nós não podemos deixar que os próximos 25 anos sejam iguais. Nós temos duas missões: recuperar o que não foi feito e garantir o daqui para frente", concluiu Sérgio Ricardo.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



