Lobista de MT pede ao STF para suspender denúncia até conclusão de investigação sobre ministro do STJ
Defesa de Andreson de Oliveira e da esposa quer acesso aos documentos do inquérito sigiloso que apura possível ligação do ministro Moura Ribeiro com esquema de venda de decisões judiciais

A defesa do lobista Andreson de Oliveira Gonçalves e de sua esposa, Mirian Ribeiro Rodrigues de Mello Gonçalves, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que suspenda a análise da denúncia contra o casal até a conclusão de uma investigação sobre a possível participação do ministro Paulo Dias de Moura Ribeiro, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em um suposto esquema de venda de decisões judiciais.
O pedido foi apresentado na quinta-feira (22) ao ministro Cristiano Zanin, relator do caso no STF. Os advogados querem que a Corte aguarde o encerramento do inquérito que apura a possível ligação do magistrado com os fatos antes de decidir se recebe formalmente a denúncia contra Andreson e Mirian.
Além da suspensão da análise, a defesa solicita acesso aos documentos já reunidos pelos investigadores e a oportunidade de se manifestar sobre as informações obtidas durante a apuração. Caso o pedido seja aceito, a tramitação da denúncia ficará suspensa até a conclusão da investigação relacionada ao ministro do STJ.
Defesa questiona andamento de inquérito sigiloso
Na petição, os advogados argumentam que o STF manteve o caso sob sua responsabilidade em razão da existência de outras investigações em andamento envolvendo autoridades com prerrogativa de foro em tribunais superiores.
Entre essas apurações está o inquérito que investiga uma possível participação do ministro Paulo Dias de Moura Ribeiro nos fatos. A investigação foi autorizada em maio de 2026 e tramita sob sigilo no Supremo.
Segundo a defesa de Andreson e Mirian, a Polícia Federal informou que, naquele momento, ainda não havia encontrado elementos suficientes para apontar a participação criminosa do ministro ou de servidores do STJ no suposto esquema. A corporação, porém, ressaltou que a investigação estava em fase inicial e que não era possível descartar essa hipótese.
Os advogados afirmam que solicitaram acesso ao inquérito em julho, setembro e outubro, mas não haviam recebido uma decisão sobre os requerimentos até a apresentação da nova petição, na quinta-feira.
A defesa também aponta que o prazo inicial de 60 dias para a realização de diligências terminou em julho. Segundo os advogados, não há informações sobre uma eventual prorrogação do período, as medidas adotadas pelos investigadores ou os resultados obtidos até agora.
Diante da falta de acesso a esses dados, a defesa sustenta que é necessário esclarecer o andamento da apuração e verificar se existem indícios que justifiquem a permanência do caso no STF.
Investigação começou após análise de celular de advogado assassinado
Andreson e Mirian são acusados de participação em um suposto esquema de venda de decisões judiciais. O caso ganhou força após a análise do celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado em dezembro de 2023, em Cuiabá.
As informações encontradas no aparelho deram origem a investigações sobre possíveis negociações ilegais envolvendo decisões judiciais e pessoas ligadas ao Judiciário. As apurações se estenderam a diferentes tribunais e alcançaram magistrados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e do Superior Tribunal de Justiça.
Em Mato Grosso, o caso levou ao afastamento de três desembargadores do Tribunal de Justiça (TJMT): João Ferreira Filho, afastado desde agosto de 2025; Dirceu dos Santos, que se aposentou voluntariamente quando seu envolvimento veio à tona; e Sebastião de Moraes Filho, que se aposentou compulsoriamente ao completar 75 anos, em novembro do ano passado.
O juiz Ivan Lúcio Amarante, de Vila Rica, também está afastado desde maio de 2025 por suspeita de envolvimento no esquema.
A investigação sobre o conteúdo do celular de Zampieri também alcançou o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) e o STJ. Nesse contexto, a defesa de Andreson e Mirian busca interromper temporariamente a análise da denúncia até que sejam esclarecidos os resultados do inquérito que envolve o ministro Moura Ribeiro.
Publicado originalmente em infoverus.com.br


