Mendes, Brunini, Ferreira e Russi avançam, enquanto tradicionais famílias perdem espaço em MT
Eleição de 2026 leva novos grupos familiares ao Senado, Câmara, Assembleia e prefeituras, enquanto Campos, Riva, Fávaro e Pinheiro ficam sem representantes eleitos para 2027

A eleição de 2026 redesenhou o mapa das famílias com maior presença na política de Mato Grosso. Enquanto sobrenomes tradicionais, como Campos, Riva, Fávaro e Pinheiro, chegam a 2027 sem representantes em cargos eletivos, Mendes, Brunini, Ferreira e Russi ampliaram espaço e terão integrantes ocupando simultaneamente posições no Senado, na Câmara Federal, na Assembleia Legislativa e em prefeituras.
A mudança não significa necessariamente o desaparecimento dos grupos tradicionais da política estadual. O resultado das urnas representa, sobretudo, uma troca de protagonistas e de gerações, com novas estruturas familiares ocupando espaços que durante anos foram associados a outros sobrenomes.
Mendes trocam Paiaguás por Brasília
Entre os grupos que mais ampliaram sua presença em 2026 está a família Mendes. Mauro Mendes encerrou oito anos à frente do Governo de Mato Grosso e foi eleito senador com 1.187.352 votos, o equivalente a 33,21% dos votos válidos.
Virginia Mendes, que até então não havia disputado uma eleição, também conquistou uma vaga. Ela foi eleita deputada federal com 102.120 votos, passando a integrar a bancada de Mato Grosso na Câmara dos Deputados.
Com a eleição, o casal estará simultaneamente no Congresso Nacional a partir de fevereiro. A chegada de Virginia ao Legislativo também amplia sua atuação política depois de oito anos como primeira-dama durante os dois mandatos de Mauro no Governo.
O grupo político ligado ao ex-governador também manteve espaço no Executivo estadual. Otaviano Pivetta (Republicanos), que foi vice-governador durante quase oito anos, foi eleito governador e permanecerá no Palácio Paiaguás como sucessor da administração anterior.
Assim, Mauro no Senado, Virginia na Câmara e Pivetta no Governo mantêm posições ocupadas pelo grupo político construído durante os dois mandatos de Mendes em diferentes níveis de representação.
Abilio e Samantha ampliam presença em Cuiabá
Em Cuiabá, a família Brunini consolidou sua presença política em apenas dois anos. Abilio Brunini (PL) continuará à frente da Prefeitura da Capital, cargo conquistado em 2024 após passagens pela Câmara Municipal e pela Câmara dos Deputados.
Na mesma eleição municipal, Samantha Iris (PL) estreou nas urnas e foi a vereadora mais votada de Cuiabá, com 7.460 votos. Em 2026, deixou a Câmara Municipal para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa e foi eleita deputada estadual com 57.900 votos.
A partir de 2027, portanto, o casal estará em dois níveis diferentes do poder público: Abilio seguirá no comando da Prefeitura de Cuiabá, enquanto Samantha terá mandato no Legislativo estadual.
A trajetória também evidencia a velocidade de crescimento político da família. Samantha passou da primeira eleição diretamente para a Assembleia em dois anos, enquanto Abilio construiu carreira nos legislativos municipal e federal antes de chegar ao Executivo da Capital.
Família Ferreira ganha cadeira na Assembleia
Em Rondonópolis, outro núcleo familiar também saiu fortalecido das urnas. Cláudio Ferreira (PL) permanece como prefeito e terá a esposa, Alessandra Ferreira (Podemos), como representante na Assembleia Legislativa.
Cláudio deixou o Legislativo estadual depois de ser eleito prefeito em 2024. Dois anos depois, Alessandra disputou sua primeira eleição para deputada estadual e conquistou 50.802 votos.
Com o resultado, a família passa a ter uma representação diretamente ligada ao Executivo de Rondonópolis dentro da Assembleia, por meio da esposa do prefeito.
Durante a campanha, Cláudio também participou da articulação política em torno das candidaturas de Alessandra e Samantha Iris e defendeu publicamente a eleição das duas. Ambas conquistaram mandatos para a próxima legislatura.
Russi reforça presença no interior e no Legislativo
A situação da família Russi é diferente das demais porque sua presença em cargos públicos já vinha sendo construída há anos. A eleição de 2026, porém, ampliou a dimensão dessa estrutura política.
Max Russi (Podemos) foi reeleito deputado estadual com 86.934 votos e terminou como o parlamentar mais votado para a Assembleia Legislativa. Além do desempenho individual, o grupo saiu fortalecido dentro do próprio partido.
O Podemos conquistou seis das 24 cadeiras da Assembleia e formará a maior bancada da próxima legislatura.
A presença da família também se estende ao Executivo municipal. A esposa de Max, Andréia Wagner, é prefeita de Jaciara, enquanto o irmão dele, Alexandre Russi, administra Juscimeira.
O resultado eleitoral reforça a posição de Max Russi tanto dentro da Assembleia quanto na estrutura partidária, ampliando seu peso nas articulações do próximo ciclo político.
Campos, Riva, Fávaro e Pinheiro ficam sem eleitos
Enquanto esses grupos ampliaram sua presença, famílias que durante décadas tiveram representantes em cargos importantes de Mato Grosso perderam espaço nas urnas de 2026.
Os Campos são um dos exemplos mais antigos. Jayme e Júlio Campos construíram trajetórias que passaram pela Prefeitura de Várzea Grande, Governo do Estado, Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa.
Jayme encerra o atual mandato no Senado sem outro cargo eletivo assegurado para 2027. Júlio, por sua vez, não conseguiu renovar a cadeira de deputado estadual.
A família Riva também ficará sem representação eleita. Janaina Riva deixou a Assembleia após três mandatos consecutivos para disputar o Senado, mas não conquistou uma das duas vagas em disputa.
A irmã, Jéssica Riva, tentou ocupar o espaço deixado por Janaina e concorreu à Assembleia, mas também não foi eleita.
Entre os Fávaro, Carlos Fávaro disputou a permanência no Senado, mas não conseguiu se eleger. A filha, Rafaela Fávaro, também concorreu a uma cadeira na Assembleia Legislativa e ficou fora da próxima legislatura.
Já entre os Pinheiro, Emanuelzinho não conseguiu renovar o mandato na Câmara Federal. O resultado interrompe a presença eleitoral da família no Legislativo, depois de diferentes gerações ocuparem cargos públicos e de Emanuel Pinheiro ter comandado a Prefeitura de Cuiabá por oito anos.
Mudança de protagonistas
A ausência desses sobrenomes na composição eleita para 2027, porém, não significa necessariamente o encerramento de suas trajetórias políticas. Jayme Campos, Janaina Riva, Carlos Fávaro e Emanuel Pinheiro permanecem com estruturas partidárias e bases eleitorais que podem ser utilizadas em futuras disputas.
O que a eleição de 2026 alterou foi a composição imediata dos espaços de poder em Mato Grosso. De um lado, famílias tradicionais perderam representantes eleitos; de outro, Mendes, Brunini, Ferreira e Russi passaram a concentrar integrantes em diferentes níveis da estrutura política estadual.
O resultado cria uma nova fotografia do poder político mato-grossense para 2027, marcada menos pelo desaparecimento dos antigos grupos e mais pela ascensão de novos protagonistas familiares.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



