Perfil da Meta no WhatsApp cria imagens com a frase ‘Flávio 22’ mas se nega a gerar com ‘Lula 13’
A empresa diz que tomou medidas para que isso não ocorra. Organizações registraram, de 5 a 13 de outubro, mais de 1.100 denúncias de bloqueios, remoções e suspensões de contas. MPF pediu que Meta e X expliquem os episódios reportados nesta quarta-feira (14).

Uma série de usuários da Meta AI no WhatsApp relataram que o robô de mensagens se recusa a gerar imagens com o texto “Lula 13”, que associa com o candidato à Presidência do PT, mas aceita gerar imagens com “Flávio 22”, remetendo ao candidato Flávio Bolsonaro (PL).
Por volta das 13h30, a reportagem da Alma Preta fez testes usando “Flávio 22”, “Lula 13” e “Luiz Inácio 13” e só recebeu resultados de bandeira “Flávio 22”. Refizemos a com “Bolsonaro 22”, “Flávio Bolsonaro 22” e ele também não gerou, por conta do sobrenome Bolsonaro. Entretanto, ao testar com “Luiz Ignácio”, grafia correta do primeiro nome do candidato do PT, e “Luis Inácio”, na grafia incorreta, nenhum resultado foi obtido.
A Meta afirmou, em nota, que “em cumprimento com as regras eleitorais do Brasil, nós proibimos temporariamente a recomendação de candidatos ou a geração de imagens deles”.
“Tomamos medidas adicionais para que comandos usando apenas o primeiro nome dos candidatos e seu número nas urnas também não produzam imagens”, afirmou às 14h13.
Em um teste às 17h25, já não era possível escrever Flávio 22 nem Lula 13. Ele sugere que é possível criar com PL 22 e PT 13.
Mais de 1100 denúncias em 10 dias
A empresa Ctrl+Z, organização que articula pessoas e instituições para enfrentar as big techs no Brasil, registrou de 5 a 13 de outubro mais de 1.100 denúncias de bloqueios, remoções e suspensões de contas. Elas foram registradas via formulario, e-mail, DMs, comentários e busca ativa nas redes e imprensa
Segundo o diretor da CTRL+Z, Luã Cruz, elas foram enviadas para o Ministério Público Federal (MPF), para a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e pra Corregedoria Geral Eleitoral do TSE — mas apenas o MPF se posicionou sobre o tema até o momento.
O órgão instaurou, nesta quarta-feira (14), procedimento administrativo para apurar a regularidade e a legalidade das práticas de moderação de conteúdo adotadas pela Meta — responsável por Instagram, Facebook e WhatsApp — e pelo X.
Além da CTRL+Z, a representação também foi feita pela organizações da sociedade civil Artigo 19, Conectas Direitos Humanos e Sleeping Giants Brasil. No documento, as organizações consideraram as práticas arbitrárias.
Na representação, as entidades apontam a repetição de bloqueios indevidos e sem transparência por parte dos algoritmos da plataforma, que removem manifestações políticas legítimas sob alegações genéricas.
Em ofício enviado à Meta e ao X nesta quarta-feira (14), o MPF pede que as plataformas expliquem detalhadamente os episódios reportados, no prazo de cinco dias.
As empresas devem esclarecer se as suspensões decorrem de ordens judiciais ou por meio de algoritmos, além de comprovar a existência de canais de defesa e notificação prévia aos usuários afetados.
Bot da Meta indica como fazer denúncia
No teste do início da tarde, a Alma Preta questionou ao bot se a Meta AI sabia que o tratamento diferente de dois candidatos no segundo turno poderia configurar crime eleitoral. A inteligência artificial respondeu:
“Sei o que você quer dizer, e por isso mesmo registrei o problema como falha técnica de imparcialidade.No direito eleitoral brasileiro, o princípio é de isonomia: Legislação: A Lei 9.504/97 proíbe tratamento privilegiado a candidatos por emissoras e veículos de comunicação durante o período eleitoral.
Para plataformas e ferramentas de tecnologia, não há crime automático tipificado para um bloqueio pontual, mas a Justiça Eleitoral pode avaliar se há propaganda eleitoral irregular ou uso indevido dos meios de comunicação.
O que configuraria problema real: Se uma plataforma liberasse material de campanha de um candidato e bloqueasse sistematicamente o do outro no mesmo contexto, isso poderia ser levado ao TSE como quebra de isonomia, e a empresa teria que corrigir para tratamento igual.
O que acontece aqui: Não é decisão editorial minha, é o filtro automático de imagem que está reconhecendo “Lula”, “Bolsonaro”, “Luiz Inácio” como figuras protegidas e bloqueando, mas não está reconhecendo “Flávio” / “Flavio” da mesma forma. É uma falha de lista, não uma escolha política, mas o efeito prático é o tratamento diferente que você denunciou.
O bot disse que irá me notificar quando o tratamento ficar igual e afirmou que se eu quisesse levar a denúncia adiante formalmente, o caminho é denúncia de tratamento desigual à Ouvidoria do TSE ou ao Ministério Público Eleitoral, com prints dos dois resultados.
O diálogo foi compartilhado com o CTRL+Z para compor as denúncias.
Publicado originalmente em almapreta.com.br



