Prisões de cerca de 150 brasileiros nos EUA levaram PF a investigar esquema de migração ilegal em MT
Operação bloqueou até R$ 1 milhão e cumpriu mandados em Figueirópolis d’Oeste; celulares de dois vereadores foram apreendidos durante as buscas

A prisão de aproximadamente 150 pessoas que tentaram entrar ilegalmente nos Estados Unidos ajudou a Polícia Federal a identificar um suposto esquema de migração irregular com origem em Mato Grosso. As informações sobre os casos foram cruzadas pelos investigadores e deram início à apuração que resultou na Operação Duas Faces, deflagrada na quarta-feira (14).
A ação policial teve como alvo uma estrutura investigada por auxiliar mato-grossenses em diferentes etapas do deslocamento até os Estados Unidos. Entre as medidas autorizadas pela Justiça estão o bloqueio de bens e valores de até R$ 1 milhão e a apreensão de aparelhos celulares de dois vereadores de Figueirópolis d’Oeste, município localizado a 284 quilômetros de Cuiabá.
Segundo informações obtidas pela reportagem do Olhar Direto, os cerca de 150 casos de pessoas presas ao tentar ingressar ilegalmente em território norte-americano foram fundamentais para que a Polícia Federal reunisse informações e avançasse na investigação.
Investigação apura atuação desde a emissão de documentos até a entrada nos EUA
De acordo com a Polícia Federal, os suspeitos investigados prestariam auxílio aos interessados em migrar irregularmente desde a obtenção de passaportes até o ingresso nos Estados Unidos pela fronteira com o México.
Como contrapartida pelos serviços, os imigrantes realizariam pagamentos por meio de transferências bancárias ou da concessão de procurações envolvendo bens móveis e imóveis no Brasil. Essas movimentações financeiras e patrimoniais fazem parte dos elementos apurados pela investigação.
Durante a Operação Duas Faces, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão em Figueirópolis d’Oeste. As ordens foram expedidas pela Justiça Federal de Cáceres, responsável pelas medidas judiciais relacionadas ao caso.
Além das buscas, a Justiça determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados até o limite de R$ 1 milhão. A medida busca alcançar recursos e patrimônios relacionados à apuração.
Dois vereadores estão entre os alvos da operação
Entre os alvos das diligências estão os vereadores Rugle Amurim (PSDB) e Vera Lúcia de Souza Mariano, conhecida como “Vera do Soldado”, do Republicanos. Agentes da Polícia Federal realizaram buscas nos gabinetes dos parlamentares e apreenderam aparelhos celulares.
Rugle Amurim ocupa a vice-presidência da Câmara Municipal de Figueirópolis d’Oeste. Em seu perfil no Instagram, há uma republicação de conteúdo da CHS Vistos Assessoria Consular, empresa que oferece serviços relacionados à emissão de vistos para diferentes países, incluindo os Estados Unidos, além de passaportes brasileiros e de outros países, como Portugal e Espanha.
A publicação, por si só, não estabelece relação da empresa com as irregularidades investigadas. Conforme as informações disponíveis, não há indicação de que a CHS Vistos Assessoria Consular esteja entre os alvos da operação.
PF busca esclarecer a estrutura e a movimentação de recursos
Com a apreensão dos celulares, o cumprimento dos mandados e o bloqueio patrimonial, a investigação busca reunir elementos sobre o funcionamento do esquema suspeito e as possíveis formas de pagamento pelos serviços oferecidos aos migrantes.
O cruzamento de informações sobre pessoas detidas nos Estados Unidos foi o ponto de partida para a apuração que levou às medidas cumpridas em Mato Grosso. A investigação envolve suspeitas de facilitação de migração ilegal, mas a participação e a eventual responsabilidade criminal de cada investigado ainda dependem da análise das provas e do andamento do procedimento.
Até o momento, as medidas judiciais descritas correspondem a diligências investigativas e não representam, por si só, condenação dos alvos.
Fonte Olhar Direto
Publicado originalmente em infoverus.com.br


