Promotor espera condenação dos três réus por morte de advogado em Cuiabá
Vinícius Gahyva Martins afirma que provas reunidas pela Polícia Civil e pela PF sustentam a acusação e questiona alegações das defesas durante o júri

O promotor de Justiça Vinícius Gahyva Martins, do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), afirmou, nesta quinta-feira (1º), que espera a condenação dos três acusados de envolvimento no assassinato do advogado Roberto Zampieri. A declaração foi dada antes da retomada do terceiro dia de julgamento, no Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá.
Questionado sobre a possibilidade de condenação dos réus, o promotor afirmou que essa é a expectativa do Ministério Público, embora a decisão final seja responsabilidade do Conselho de Sentença. "Eu quero crer que sim. Esse é o entendimento do Ministério Público", declarou.
Gahyva explicou que o trabalho da acusação é uma "atividade de meio", na qual os promotores devem apresentar, dentro dos limites éticos e processuais, os elementos que consideram suficientes para uma condenação justa. Sobre as declarações das defesas, que alegaram ter provas da inocência dos clientes e apontaram supostas falhas na investigação, ele afirmou que o MP apresentará argumentos e evidências para contestar essas versões.
O promotor destacou que as provas foram reunidas pela Polícia Judiciária Civil, principalmente pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que classificou como uma unidade especializada e competente. Segundo ele, o material também foi analisado pela Polícia Federal, que chegou à mesma conclusão sobre os acusados. O caso chegou à esfera federal em determinado momento devido à suspeita de participação de uma pessoa com foro por prerrogativa de função no Supremo Tribunal Federal (STF).
Gahyva também mencionou que mais de 100 pedidos, incluindo habeas corpus, prisão domiciliar e soltura, foram apresentados pelas defesas em diferentes instâncias da Justiça brasileira, sem que as solicitações fossem atendidas. Para o promotor, a manutenção das prisões cautelares ao longo do processo, após análises de diversas autoridades, demonstra que existem provas "bem contundentes" sobre a responsabilidade dos acusados.
Em relação às alegações de tortura mencionadas pelo coronel Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, que afirmou que Antônio Gomes da Silva e Hedilerson teriam confessado participação no crime após serem torturados, o promotor disse que a acusação foi apresentada apenas pelo coronel. "Nem os dois outros réus disseram que foram torturados", pontuou, destacando a divergência entre as versões das defesas.
De acordo com Gahyva, Antônio confessou o assassinato durante o interrogatório e apontou Hedilerson e o coronel Caçadini como participantes da trama criminosa.
O representante do Ministério Público também justificou a duração do julgamento, que ocorre ao longo de três dias, pelo grande volume de documentos e peças processuais, mesmo com o processo digitalizado. Ele avaliou que a apresentação das provas em plenário contribui para esclarecer os fatos aos jurados, embora reconheça que parte do tempo poderia ter sido economizada, especialmente com a eliminação de perguntas repetidas.
O promotor ressaltou que o procedimento assegura os direitos de todos os acusados, mas afirmou que a vítima também deve ser considerada durante os debates. Segundo ele, Roberto Zampieri vem sendo "muito atacada" em argumentos que, na avaliação da acusação, não têm relação com a discussão sobre um homicídio triplamente qualificado. "A defesa faz o seu trabalho, cada um assume as consequências", declarou.
Gahyva ainda comentou o pedido apresentado pelos advogados de Antônio para suspender o julgamento e submetê-lo a um incidente de insanidade mental. A solicitação foi negada pelo juiz José Mauro Nagib Jorge.
Segundo o promotor, o reconhecimento da inimputabilidade exige a comprovação de critérios biológicos e psicológicos, com a existência de uma doença mental que retire do acusado a capacidade de compreender o caráter ilícito de seus atos. Ele observou que os advogados acompanham o processo desde o início e nunca haviam questionado a sanidade mental do réu anteriormente.
Na avaliação de Gahyva, o pedido poderia provocar o adiamento do julgamento, mas acabou sendo "bem rechaçado" pelo Judiciário.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



