Ranalli chama relato de Léo Rondon de “mimimi” e petista rebate com crítica a Bolsonaro
Vereador de Cuiabá e ativista Léo Rondon trocaram acusações sobre políticas sociais, segurança pública e a relação de Flávio Bolsonaro com milícias durante debate no Olhar Direto

O vereador de Cuiabá Rafael Ranalli (PL) classificou como “mimimi” o relato do ativista político Léo Rondon (PT) sobre as dificuldades enfrentadas pela mãe para criar os dois filhos sozinha. A resposta veio durante o quarto episódio do programa Olhar em Debate, do portal Olhar Direto, quando o petista rebateu que “mimimi, de fato, é quem não reconhece que o Bolsonaro foi o pior presidente da história desse país”.
O confronto ocorreu no segundo bloco do programa, mediado pelo jornalista Airton Marques, que reuniu representantes dos grupos políticos que apoiam Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial. Os participantes discutiram temas como segurança pública, tributação, políticas sociais, direitos das mulheres e da população LGBTQIA+ e preservação ambiental.
A discussão começou quando Ranalli questionou Léo sobre os índices de violência contra mulheres e pessoas LGBTQIA+, a segurança pública, a carga tributária e as queimadas na Amazônia. O vereador atribuiu ao governo Lula a responsabilidade pelos problemas nessas áreas e afirmou que o país registra os maiores índices de violência e queimadas durante a atual gestão.
“O Brasil hoje, no período de Lula, é o país que mais mata mulher, mais assassina homossexuais e mais queima a Amazônia”, declarou Ranalli.
Em resposta, Léo defendeu as políticas sociais implementadas pelos governos petistas e usou a própria história familiar para argumentar sobre os efeitos dessas medidas. Ele contou que a mãe criou os dois filhos sozinha e enfrentou dificuldades financeiras durante a infância dele e da irmã. Segundo o ativista, programas dos governos Lula permitiram que ela trabalhasse com mais tranquilidade, sabendo que os filhos estariam na escola.
“Eu sou filho de uma mulher que criou dois filhos sozinha e que teve muita dificuldade para sobreviver durante o período que eu e a minha irmã éramos crianças. Foi graças às políticas de transformação de realidade do presidente Lula que a minha mãe teve a condição de trabalhar com a consciência tranquila de que nós estaríamos na escola”, afirmou.
O petista também citou medidas relacionadas aos direitos das mulheres e da população LGBTQIA+, incluindo o reconhecimento de direitos civis e a criminalização da homotransfobia por decisões judiciais. Na economia, defendeu a reforma tributária e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda durante o governo Lula.
Ranalli reagiu ao depoimento e disse que as dificuldades enfrentadas por famílias não são exclusivas de quem apoia o presidente. O vereador afirmou que também é filho de mãe solteira e já estudou em uma universidade federal.
“É, o mimimi estava demorando, pois filho de mãe solteira eu também sou. Universidade Federal eu também já fiz. Então assim, são brigas que todo brasileiro carrega há décadas, todo mundo vive a vida real”, rebateu.
Na sequência, o parlamentar voltou a criticar os impostos cobrados no país e questionou a relação entre o aumento da arrecadação e a qualidade dos serviços públicos. Ele defendeu a redução da carga tributária e mudanças na política de segurança, como o fim das saídas temporárias de presos e a redução da maioridade penal para 16 anos.
Ranalli também argumentou que o governo Lula teria chegado ao fim de seu ciclo político e defendeu uma mudança de orientação no comando do país.
“São vários fatores que esse governo nos leva a crer que ele acabou, ele findou. Tudo bem, ajudou no que pôde, uma conquista aqui, outra ali, mas acabou. É hora de renovar, é hora de guinar à direita”, declarou.
Léo questiona relação de Flávio Bolsonaro com milícias
Na réplica, Léo voltou a criticar a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e afirmou que o governo Lula adotou medidas concretas para combater a criminalidade. Entre as iniciativas citadas por ele estão a proposta de emenda à Constituição voltada à segurança pública e operações direcionadas ao financiamento de organizações criminosas.
Ao retomar a provocação feita pelo vereador, o ativista afirmou: “E mimimi, de fato, é quem não reconhece que o Bolsonaro foi o pior presidente da história desse país”.
Léo também direcionou as críticas ao senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL, questionando sua trajetória política no Rio de Janeiro. O petista mencionou a contratação de familiares de Adriano da Nóbrega, apontado em investigações como integrante de uma organização criminosa.
O ativista citou ainda um editorial do jornal O Estado de S. Paulo que, segundo ele, alertava para os riscos de influência de milícias em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.
“As milícias mais sanguinárias do estado do Rio de Janeiro, o Flávio Bolsonaro é assim, próximo”, acusou.
As declarações sobre o senador foram feitas por Léo Rondon durante o debate e não constituem, por si só, comprovação de envolvimento de Flávio Bolsonaro com organizações criminosas.
O embate entre Ranalli e Léo integrou o quarto episódio do Olhar em Debate, iniciativa do portal Olhar Direto que colocou frente a frente representantes de posições políticas opostas para discutir propostas, críticas e expectativas em relação aos candidatos que disputam o segundo turno presidencial.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



