Réu confessa morte de Zampieri, nega mandante e diz que mataria desembargador
Antônio Gomes da Silva afirmou que agiu por uma “missão” contra a corrupção, rejeitou ter recebido dinheiro e detalhou aos jurados como planejou e executou o crime
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Primeiro réu a ser interrogado no segundo dia do júri do caso Roberto Zampieri, Antônio Gomes da Silva confessou nesta quarta-feira (30) ter matado o advogado. Durante o depoimento no Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá, ele afirmou que agiu por uma “missão” pessoal contra a corrupção, negou ter recebido dinheiro pelo crime e disse que não houve mandante.
Antônio, apontado pelo Ministério Público (MPE) como autor dos disparos, afirmou ainda que poderia ter matado um desembargador em um “pacote” com Zampieri, caso recebesse uma tarefa para isso e conseguisse, antes, comprovar o envolvimento do magistrado em corrupção.
O réu avisou inicialmente que responderia apenas às perguntas da defesa. O promotor Vinícius Gahyva Martins pediu a palavra em questão de ordem e classificou a postura como um “interrogatório seletivo”. O juiz José Mauro Nagib Jorge, porém, concedeu a palavra aos advogados.
Durante a discussão, um dos defensores gritou “cale-se” ao promotor, que respondeu: “cale-se você”. O Ministério Público continuou fazendo interrupções, até que o magistrado pediu que os envolvidos não perdessem a paciência.
Quando começou a responder, Antônio foi direto ao assumir a autoria. “Foi eu”, afirmou. Ele também disse aos jurados que gostaria que votassem contra ele porque, segundo suas próprias palavras, “tem que ser punido” e ir para a cadeia pelo homem que considerava corrupto e que havia “mandado para o inferno”.
“Missão” contra a corrupção
Questionado sobre o motivo de ter ido a Cuiabá e de ter escolhido Zampieri como alvo, Antônio apresentou respostas longas e, em alguns momentos, desconexas. Ele contou que acompanha política desde criança e afirmou que o que chamou de desmantelamento de estruturas de combate à corrupção em Curitiba, após a saída de Sergio Moro, “acendeu uma luz” e o convenceu de que a corrupção no país era sistematizada.
Segundo o réu, ele chegou a ligar para os filhos e avisar que poderia ser preso ou morto. Contou que um deles perguntou “até quando isso, pai?” e que respondeu que só pararia quando morresse.
Antônio afirmou que viu uma reportagem sobre famílias retiradas de suas terras e que, ainda em Belo Horizonte, recebeu uma fotografia de Zampieri. Ele não revelou quem enviou a imagem, mas disse que a pessoa apresentou o advogado como alguém que lesava muitas pessoas e possuía ligação com o Judiciário.
A partir disso, segundo o depoimento, Antônio entendeu que aquele seria “o momento”. Ele afirmou ter pesquisado a vida de Zampieri e monitorado os escritórios do advogado em Cuiabá.
O réu disse que sabia que Zampieri era corrupto, mas queria descobrir “o quanto”. Ao ser questionado se teria cometido o homicídio caso acreditasse que a vítima não fosse corrupta, respondeu que não. Também afirmou que não sabia que Zampieri tinha dois filhos.
Vozes e inspiração em filmes
Durante o interrogatório, Antônio afirmou que “ouve vozes” e que teria ouvido “a voz de Deus”. Citou uma passagem bíblica e reconheceu que cometeu “pecado” e “crime” ao tirar a vida de outra pessoa.
Ao mesmo tempo, sustentou que, caso Zampieri não estivesse envolvido com corrupção, estaria vivo. O réu também declarou que “de louco, todo mundo tem um pouco”, mas negou ser um “serial killer” e rejeitou a descrição de “assassino frio e calculista”, atribuída ao promotor na fase inicial do processo.
Ao falar sobre a preparação para o crime, Antônio contou que utilizou óculos, boina e roupa de capelão e afirmou ter se inspirado em filmes, entre eles “O Poderoso Chefão”.
Segundo ele, apresentava-se como capelão e dizia ter um sobrinho fazendeiro no Texas interessado em comprar terras no Brasil. A história seria usada como pretexto para entrar no escritório de Zampieri, tentar conversar com o advogado e obter informações com a secretária.
Ele também dizia que estava saindo de sessões de fisioterapia no Hospital São Mateus, o que justificaria estar mancando.
Caixa de papelão e execução
Antônio relatou ainda que montou uma caixa com duas caixas de papelão, fez um buraco para colocar a mão e envolveu o objeto em plástico. A estrutura teria sido usada para transportar a arma do hotel até o local do crime. Caso fosse questionado, afirmou que diria que a caixa era destinada a um pedinte.
No dia do homicídio, segundo o relato, ele chegou a hesitar uma vez porque outras pessoas apareceram no local. Depois, aproximou-se de Zampieri e efetuou os disparos quando o advogado deu partida no carro e começou a fazer a manobra de ré.
Questionado sobre o que sentiu depois, respondeu: “Missão cumprida”.
O réu também foi questionado sobre os pedidos frequentes de gelo no hotel. Disse que utilizava o gelo para fazer compressas na cabeça e nas costas porque sentia uma “sensação estranha”. Afirmou que chegou a desistir do crime e chorou ao tentar explicar o momento.
Antônio contou ainda que havia sofrido um acidente de bicicleta em Belo Horizonte, quando colidiu com um ônibus, causando uma lesão na cabeça e um coágulo no cérebro, que, segundo ele, teria deixado sequelas.
Durante a campana, afirmou ter percebido uma imagem e ouvido uma voz que o mandava não prosseguir: “Não faça”.
Réu nega pagamento pelo crime
Antônio disse que foi preso em sua casa, em Belo Horizonte, sem oferecer resistência, porque já esperava que isso acontecesse. Segundo ele, no primeiro depoimento tentou “enrolar” o delegado.
Ele negou ter cometido o homicídio por dinheiro. Ao mencionar uma suposta cobrança de R$ 400 mil citada pelo delegado, afirmou que havia cobrado “pouco”, “nem 30 mil”, e voltou a dizer que agiu por uma “missão”.
“Esse dinheiro é maldito”, declarou.
O réu afirmou ainda que “tinha que limpar Brasília” e disse que “não tem dó” de matar corrupto. Questionado sobre o desembargador, respondeu que também o mataria caso recebesse a tarefa, mas que precisaria primeiro provar a existência de corrupção para então fazer um “pacote” com Zampieri.
Hedilerson e pedido de perdão
Ao falar sobre Hedilerson, Antônio afirmou que ele era instrutor de tiro e que tentou obter registro de CAC, mas não foi aprovado no exame psicológico.
No encerramento do interrogatório, o réu pediu perdão à família de Roberto Zampieri. Apesar disso, afirmou que, caso algum familiar dele seja morto, “vai vingar”.
Antônio também declarou que a família de Zampieri poderia querer se vingar dele e avaliou: “É justo!”.
Fonte Olhar Direto
Antônio, apontado pelo Ministério Público (MPE) como autor dos disparos, afirmou ainda que poderia ter matado um desembargador em um “pacote” com Zampieri, caso recebesse uma tarefa para isso e conseguisse, antes, comprovar o envolvimento do magistrado em corrupção.
O réu avisou inicialmente que responderia apenas às perguntas da defesa. O promotor Vinícius Gahyva Martins pediu a palavra em questão de ordem e classificou a postura como um “interrogatório seletivo”. O juiz José Mauro Nagib Jorge, porém, concedeu a palavra aos advogados.
Durante a discussão, um dos defensores gritou “cale-se” ao promotor, que respondeu: “cale-se você”. O Ministério Público continuou fazendo interrupções, até que o magistrado pediu que os envolvidos não perdessem a paciência.
Quando começou a responder, Antônio foi direto ao assumir a autoria. “Foi eu”, afirmou. Ele também disse aos jurados que gostaria que votassem contra ele porque, segundo suas próprias palavras, “tem que ser punido” e ir para a cadeia pelo homem que considerava corrupto e que havia “mandado para o inferno”.
“Missão” contra a corrupção
Questionado sobre o motivo de ter ido a Cuiabá e de ter escolhido Zampieri como alvo, Antônio apresentou respostas longas e, em alguns momentos, desconexas. Ele contou que acompanha política desde criança e afirmou que o que chamou de desmantelamento de estruturas de combate à corrupção em Curitiba, após a saída de Sergio Moro, “acendeu uma luz” e o convenceu de que a corrupção no país era sistematizada.
Segundo o réu, ele chegou a ligar para os filhos e avisar que poderia ser preso ou morto. Contou que um deles perguntou “até quando isso, pai?” e que respondeu que só pararia quando morresse.
Antônio afirmou que viu uma reportagem sobre famílias retiradas de suas terras e que, ainda em Belo Horizonte, recebeu uma fotografia de Zampieri. Ele não revelou quem enviou a imagem, mas disse que a pessoa apresentou o advogado como alguém que lesava muitas pessoas e possuía ligação com o Judiciário.
A partir disso, segundo o depoimento, Antônio entendeu que aquele seria “o momento”. Ele afirmou ter pesquisado a vida de Zampieri e monitorado os escritórios do advogado em Cuiabá.
O réu disse que sabia que Zampieri era corrupto, mas queria descobrir “o quanto”. Ao ser questionado se teria cometido o homicídio caso acreditasse que a vítima não fosse corrupta, respondeu que não. Também afirmou que não sabia que Zampieri tinha dois filhos.
Vozes e inspiração em filmes
Durante o interrogatório, Antônio afirmou que “ouve vozes” e que teria ouvido “a voz de Deus”. Citou uma passagem bíblica e reconheceu que cometeu “pecado” e “crime” ao tirar a vida de outra pessoa.
Ao mesmo tempo, sustentou que, caso Zampieri não estivesse envolvido com corrupção, estaria vivo. O réu também declarou que “de louco, todo mundo tem um pouco”, mas negou ser um “serial killer” e rejeitou a descrição de “assassino frio e calculista”, atribuída ao promotor na fase inicial do processo.
Ao falar sobre a preparação para o crime, Antônio contou que utilizou óculos, boina e roupa de capelão e afirmou ter se inspirado em filmes, entre eles “O Poderoso Chefão”.
Segundo ele, apresentava-se como capelão e dizia ter um sobrinho fazendeiro no Texas interessado em comprar terras no Brasil. A história seria usada como pretexto para entrar no escritório de Zampieri, tentar conversar com o advogado e obter informações com a secretária.
Ele também dizia que estava saindo de sessões de fisioterapia no Hospital São Mateus, o que justificaria estar mancando.
Caixa de papelão e execução
Antônio relatou ainda que montou uma caixa com duas caixas de papelão, fez um buraco para colocar a mão e envolveu o objeto em plástico. A estrutura teria sido usada para transportar a arma do hotel até o local do crime. Caso fosse questionado, afirmou que diria que a caixa era destinada a um pedinte.
No dia do homicídio, segundo o relato, ele chegou a hesitar uma vez porque outras pessoas apareceram no local. Depois, aproximou-se de Zampieri e efetuou os disparos quando o advogado deu partida no carro e começou a fazer a manobra de ré.
Questionado sobre o que sentiu depois, respondeu: “Missão cumprida”.
O réu também foi questionado sobre os pedidos frequentes de gelo no hotel. Disse que utilizava o gelo para fazer compressas na cabeça e nas costas porque sentia uma “sensação estranha”. Afirmou que chegou a desistir do crime e chorou ao tentar explicar o momento.
Antônio contou ainda que havia sofrido um acidente de bicicleta em Belo Horizonte, quando colidiu com um ônibus, causando uma lesão na cabeça e um coágulo no cérebro, que, segundo ele, teria deixado sequelas.
Durante a campana, afirmou ter percebido uma imagem e ouvido uma voz que o mandava não prosseguir: “Não faça”.
Réu nega pagamento pelo crime
Antônio disse que foi preso em sua casa, em Belo Horizonte, sem oferecer resistência, porque já esperava que isso acontecesse. Segundo ele, no primeiro depoimento tentou “enrolar” o delegado.
Ele negou ter cometido o homicídio por dinheiro. Ao mencionar uma suposta cobrança de R$ 400 mil citada pelo delegado, afirmou que havia cobrado “pouco”, “nem 30 mil”, e voltou a dizer que agiu por uma “missão”.
“Esse dinheiro é maldito”, declarou.
O réu afirmou ainda que “tinha que limpar Brasília” e disse que “não tem dó” de matar corrupto. Questionado sobre o desembargador, respondeu que também o mataria caso recebesse a tarefa, mas que precisaria primeiro provar a existência de corrupção para então fazer um “pacote” com Zampieri.
Hedilerson e pedido de perdão
Ao falar sobre Hedilerson, Antônio afirmou que ele era instrutor de tiro e que tentou obter registro de CAC, mas não foi aprovado no exame psicológico.
No encerramento do interrogatório, o réu pediu perdão à família de Roberto Zampieri. Apesar disso, afirmou que, caso algum familiar dele seja morto, “vai vingar”.
Antônio também declarou que a família de Zampieri poderia querer se vingar dele e avaliou: “É justo!”.
Fonte Olhar Direto
Publicado originalmente em infoverus.com.br



