Wellington Fagundes termina eleição com 23% e não converte força do PL em votos em MT
Candidato usou o número 22, mesma identificação nacional do partido, mas ficou atrás de Pivetta e não chegou ao segundo turno; no DF, número foi digitado mais de 26 mil vezes sem haver candidato do PL

O senador Wellington Fagundes (PL) encerrou a disputa pelo Governo de Mato Grosso sem conseguir transformar em votos a identificação com o bolsonarismo e o número 22, utilizado pelo partido nacionalmente. Candidato à sucessão estadual pelo PL, ele recebeu 430.442 votos, o equivalente a 23,19% dos votos válidos, e terminou atrás do governador reeleito Otaviano Pivetta (Republicanos).
O resultado chama atenção quando comparado ao que ocorreu no Distrito Federal, onde o PL não lançou candidato ao Governo. Mesmo sem uma candidatura registrada com o número 22, ele foi digitado por 26.603 eleitores nas urnas. Como não havia concorrente identificado pelo número, todos esses votos foram anulados.
Os dados foram extraídos pela CNN dos Registros Digitais do Voto (RDVs) disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No Distrito Federal, o 22 foi o segundo número inexistente mais digitado na eleição para governador. O primeiro foi o 00, registrado 35.811 vezes.
A votação registrada no DF indica que o número utilizado pelo PL tinha um nível relevante de reconhecimento entre os eleitores, mas os registros das urnas não permitem identificar a intenção de quem digitou 22. Não é possível saber se o eleitor pretendia votar em um candidato do partido, confundiu a numeração ou escolheu anular o voto de forma deliberada.
Em Mato Grosso, diferentemente do Distrito Federal, o número 22 estava oficialmente disponível e correspondia à candidatura de Wellington. Ainda assim, o senador terminou a eleição com menos de um quarto dos votos válidos.
Durante a campanha, Wellington também disputou espaço pela identificação com o eleitorado bolsonarista. Apesar de ser candidato pelo PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro e responsável pelo número 22, o senador viu Pivetta receber manifestações de apoio de integrantes da direita e de lideranças do próprio PL em Mato Grosso.
O resultado deixou evidente que a identificação partidária e o número utilizado nacionalmente pelo PL não foram suficientes, por si só, para levar Wellington a uma votação capaz de garantir sua presença no segundo turno. O contraste com os votos registrados para o número 22 no Distrito Federal também mostra que o reconhecimento da identificação numérica do partido não necessariamente se converteu em apoio à candidatura ao Governo em Mato Grosso.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



