Imóveis movimentam R$ 1,83 bilhão em Cuiabá, mas vendas caem 8,6% no trimestre
Valor negociado cresceu 25,5% em um ano, enquanto o preço médio dos imóveis avançou 37,35%; regiões Leste e Oeste concentraram quase 65% do volume financeiro

O mercado imobiliário de Cuiabá movimentou R$ 1,83 bilhão entre julho e setembro de 2026, estabelecendo um recorde para o terceiro trimestre. No período, foram comercializados 3.472 imóveis, e o valor total das transações cresceu 25,5% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
Apesar do avanço financeiro, o número de unidades vendidas diminuiu. No terceiro trimestre do ano passado, haviam sido negociados 3.800 imóveis, ou seja, 328 a mais do que neste ano. A redução corresponde a uma queda de 8,63%, indicando que o recorde foi alcançado mesmo com menos transações.
Os dados fazem parte de levantamento do Sindicato da Habitação de Mato Grosso (Secovi-MT), realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Fazenda de Cuiabá e com apoio da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso (Fecomércio-MT).
Preço médio sobe mais de 37%
A diferença entre o volume financeiro e a quantidade de imóveis negociados aparece no valor médio das transações. Em um ano, o preço médio dos imóveis comercializados passou de R$ 384.684 para R$ 528.378, uma alta de 37,35%.
Para Guido Grando Junior, vice-presidente do Secovi-MT e responsável técnico pela pesquisa, os números apontam uma mudança no perfil das negociações, com maior participação de imóveis de médio e alto padrão e de produtos de maior valor agregado.
“O ano de 2025 fechou com faturamento recorde e forte concentração em habitações populares. Já os dados desse terceiro trimestre de 2026 confirmam a migração da demanda para imóveis de médio e alto padrão e produtos de maior valor agregado, elevando a receita global do setor mesmo com menor número de escrituras”, explicou.
Agronegócio impulsiona investimentos
O presidente do Secovi-MT e vice-presidente da Fecomércio-MT, Marco Pessoz, relaciona o desempenho imobiliário à força econômica de Mato Grosso, especialmente ao agronegócio e às atividades comerciais e de serviços ligadas à cadeia produtiva do setor.
Segundo ele, a geração de renda e a circulação de capital nessas atividades estimulam investimentos em imóveis, tanto para moradia quanto para formação e ampliação de patrimônio.
“A forte atuação do setor agropecuário no estado e atividades econômicas ancoradas em setores do comércio e de serviços que atendem à cadeia do agronegócio tem levado investidores a ampliarem seus patrimônios em imóveis, principalmente, na capital do estado”, afirmou.
Leste e Oeste concentram quase 65% do valor negociado
A distribuição regional das transações mostra a concentração dos negócios em duas áreas da capital. As regiões Leste e Oeste movimentaram juntas aproximadamente R$ 1,19 bilhão no terceiro trimestre, quase 65% do valor total registrado em Cuiabá.
As duas regiões somaram 2.115 imóveis comercializados, cerca de 61% das 3.472 unidades negociadas no município. A Região Leste liderou em volume financeiro, com R$ 596,05 milhões em transações, enquanto a Oeste registrou a maior quantidade de vendas, com 1.200 imóveis.
Os números mostram que as duas regiões mantiveram posições de destaque tanto no valor dos negócios quanto no número de unidades comercializadas.
Região Sul registra maior alta no valor médio
Embora não tenha liderado o volume financeiro, a Região Sul apresentou o maior crescimento percentual no valor médio dos imóveis negociados. O ticket médio subiu 65,64% em um ano, passando de R$ 253,85 mil no terceiro trimestre de 2025 para R$ 420,48 mil no mesmo período de 2026.
Na Região Norte, o destaque ficou por conta das transações de alto padrão. No condomínio Florais dos Lagos, o valor médio dos imóveis comercializados chegou a R$ 3,65 milhões, evidenciando a presença desse segmento no mercado imobiliário cuiabano.
Cuiabá tem movimento diferente do cenário nacional
Os dados locais também apresentam diferenças em relação ao panorama nacional. Segundo números da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) citados pelo presidente do Secovi-MT, as vendas de imóveis no Brasil cresceram 5,4% no primeiro semestre de 2026. No Centro-Oeste, a oferta de imóveis disponíveis aumentou 13,1% na comparação anual.
Enquanto os dados nacionais apontam expansão no número de vendas, Cuiabá registrou redução das unidades comercializadas e aumento do valor médio das transações. O resultado reforça a mudança de perfil observada pelo Secovi-MT, com maior participação de imóveis de médio e alto padrão no volume financeiro.
Pesquisa acompanha transações desde 2015
Realizado desde 2015, o levantamento do Secovi-MT utiliza informações do Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), disponibilizadas pela Secretaria Municipal de Fazenda de Cuiabá. A pesquisa acompanha a quantidade de transações, os valores negociados e a distribuição dos negócios pelas diferentes regiões da cidade.
Os dados do terceiro trimestre mostram que o mercado imobiliário da capital movimentou um volume recorde de recursos mesmo com menos imóveis vendidos. O desempenho também evidencia o peso crescente das negociações de maior valor no resultado financeiro do setor.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



