Investigação aponta 106 imóveis irregulares e suposto pagamento de R$ 2,5 milhões em propina em Sinop
Segunda fase da Operação Mãos à Obra cumpriu cinco prisões preventivas e levou à apreensão de R$ 302 mil e seis veículos de luxo; Ministério Público investiga possíveis fraudes em processos de construção e regularização de imóveis.
Por Redação Argumento Público5 min de leitura

A segunda fase da Operação Mãos à Obra trouxe à tona novos elementos sobre um suposto esquema de corrupção relacionado à aprovação e à regularização de obras em Sinop. Segundo a promotora de Justiça Roberta Cheregatti Sanches, as investigações preliminares identificaram 106 imóveis com irregularidades associados a uma construtora e apontaram o pagamento de R$ 2,5 milhões em propina por parte dos proprietários da empresa.
A operação foi deflagrada nesta quarta-feira (28) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO). Nesta etapa, foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva, três contra servidores públicos e dois contra empresários do setor da construção civil. Também foram realizadas buscas e apreensões, além de medidas de restrição patrimonial e afastamento cautelar de servidores.
Os números apresentados pelas autoridades ampliam o alcance da apuração, que investiga suspeitas de corrupção em procedimentos administrativos relacionados a obras e empreendimentos imobiliários. As informações divulgadas até o momento, contudo, integram uma investigação em andamento e não representam uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos envolvidos.
Imóveis irregulares e suspeita de pagamento de propina
Em declaração sobre a operação, a promotora Roberta Cheregatti Sanches afirmou que uma construtora de Sinop, cujos proprietários são um casal, teria mantido um esquema com um dos servidores públicos investigados.
Segundo a promotora, a suspeita é de que a empresa construía imóveis, principalmente kitnets, em desacordo com as exigências urbanísticas e conseguia concluir as obras e obter o chamado habite-se por meio da atuação de servidores envolvidos no suposto esquema.
O documento atesta que uma edificação atende às condições exigidas para sua ocupação, conforme os procedimentos e as normas aplicáveis. De acordo com o relato do Ministério Público, os imóveis eram construídos tanto para comercialização quanto sob encomenda, com a promessa de entrega da obra concluída e regularizada.
“Só em relação a essa construtora, as nossas investigações preliminares constataram que há 106 imóveis aqui em Sinop, em diversos bairros, que são irregulares e estão em pleno funcionamento”, declarou a promotora.
Ainda conforme Roberta Cheregatti Sanches, o valor de propina atribuído aos proprietários da empresa chega a R$ 2,5 milhões, considerando o que foi apurado até o momento.
O número de imóveis citado pela promotora é um dos principais pontos a serem esclarecidos com o avanço da investigação. Ainda será necessário conhecer a situação individual das edificações, a natureza das irregularidades identificadas e as eventuais consequências administrativas, urbanísticas e jurídicas para proprietários, compradores e ocupantes.
R$ 302 mil em dinheiro e veículos avaliados em mais de R$ 6 milhões
Durante a operação, foram apreendidos R$ 302 mil em dinheiro na residência do empresário Agnaldo Rael da Silva, segundo informação confirmada pelo delegado Getúlio Daniel.
Também foram recolhidos seis veículos de luxo, avaliados em pouco mais de R$ 6 milhões, conforme informado pelo delegado. Entre eles estão dois BYD Seal pretos, um BYD Song Plus preto, um Chevrolet Corvette vermelho, um Audi TT-RS verde e um Toyota GR Supra vermelho.
A Justiça autorizou ainda o bloqueio de R$ 80 milhões em bens e valores vinculados a investigados, além de medidas de restrição patrimonial que incluem imóveis e ativos financeiros.
As apreensões e os bloqueios têm caráter cautelar. A existência de dinheiro, veículos ou patrimônio sob investigação não comprova, isoladamente, origem ilícita ou participação em crimes. A relação dos bens com os fatos apurados deverá ser esclarecida no curso do procedimento.
Delegado relata possível naturalização de práticas ilícitas
Ao comentar a investigação, o delegado Getúlio Daniel afirmou que os elementos reunidos indicariam uma presença prolongada de práticas ilícitas na estrutura investigada.
Segundo ele, servidores e pessoas que dependiam dos serviços públicos teriam se acostumado a um tratamento irregular nos procedimentos administrativos.
O delegado também declarou que a apreensão de valores e bens poderá contribuir para uma futura recuperação de recursos em benefício da população, caso sejam estabelecidos os vínculos necessários e haja decisão das autoridades competentes.
A declaração levanta uma questão que ultrapassa o cumprimento dos mandados: se as suspeitas forem comprovadas, será necessário esclarecer como os controles internos funcionavam, quais mecanismos de fiscalização falharam e se houve prejuízo efetivo à administração pública ou a terceiros.
Essas questões permanecem sob apuração e dependem da análise das provas e da identificação das condutas atribuídas a cada investigado.
Cinco prisões e afastamento de servidores
Os cinco investigados com mandados de prisão preventiva cumpridos nesta fase são os servidores públicos Valdinei Monteiro da Silva, Fernando Dante Morari e Júlio Henrique Verdu Garcia, além dos empresários Agnaldo Rael da Silva e Débora Alvarenga Nakanishi da Silva.
A operação também resultou no afastamento cautelar de seis servidores públicos. Segundo as informações divulgadas pelas autoridades, esta fase alcançou 18 alvos, entre pessoas físicas e uma empresa.
A primeira etapa da Operação Mãos à Obra foi deflagrada em 28 de julho de 2026, com foco em suspeitas envolvendo fiscais de obras do município. A nova fase ampliou o escopo das diligências e busca aprofundar a apuração sobre a possível participação de agentes públicos e empresários.
Prefeitura diz que município e secretaria não são alvos
Em nota à imprensa divulgada nesta quarta-feira, a Prefeitura de Sinop afirmou que o município e a Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação não são alvos da investigação do GAECO.
Segundo a administração municipal, as diligências realizadas nas dependências da secretaria decorrem da primeira fase da operação e se restringem ao acesso a documentos e computadores relacionados às atividades dos servidores investigados.
A prefeitura informou que os funcionários atingidos pelas medidas serão afastados de suas funções durante o período das investigações, em cumprimento à decisão judicial. Também declarou que continuará colaborando com os órgãos responsáveis, prestando esclarecimentos e disponibilizando as informações solicitadas.
A manifestação delimita a posição oficial do Executivo municipal, mas não encerra as questões sobre o funcionamento dos procedimentos administrativos sob investigação. O esclarecimento das responsabilidades individuais e de eventuais falhas nos mecanismos de controle dependerá do avanço das apurações.
Até a publicação desta reportagem, não havia manifestação pública das defesas dos investigados nas informações consultadas.
A investigação segue em andamento. As prisões preventivas, os afastamentos e as apreensões são medidas cautelares e não equivalem a condenação. Todos os investigados têm direito à ampla defesa, ao contraditório e à presunção de inocência.
A operação foi deflagrada nesta quarta-feira (28) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO). Nesta etapa, foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva, três contra servidores públicos e dois contra empresários do setor da construção civil. Também foram realizadas buscas e apreensões, além de medidas de restrição patrimonial e afastamento cautelar de servidores.
Os números apresentados pelas autoridades ampliam o alcance da apuração, que investiga suspeitas de corrupção em procedimentos administrativos relacionados a obras e empreendimentos imobiliários. As informações divulgadas até o momento, contudo, integram uma investigação em andamento e não representam uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos envolvidos.
Imóveis irregulares e suspeita de pagamento de propina
Em declaração sobre a operação, a promotora Roberta Cheregatti Sanches afirmou que uma construtora de Sinop, cujos proprietários são um casal, teria mantido um esquema com um dos servidores públicos investigados.
Segundo a promotora, a suspeita é de que a empresa construía imóveis, principalmente kitnets, em desacordo com as exigências urbanísticas e conseguia concluir as obras e obter o chamado habite-se por meio da atuação de servidores envolvidos no suposto esquema.
O documento atesta que uma edificação atende às condições exigidas para sua ocupação, conforme os procedimentos e as normas aplicáveis. De acordo com o relato do Ministério Público, os imóveis eram construídos tanto para comercialização quanto sob encomenda, com a promessa de entrega da obra concluída e regularizada.
“Só em relação a essa construtora, as nossas investigações preliminares constataram que há 106 imóveis aqui em Sinop, em diversos bairros, que são irregulares e estão em pleno funcionamento”, declarou a promotora.
Ainda conforme Roberta Cheregatti Sanches, o valor de propina atribuído aos proprietários da empresa chega a R$ 2,5 milhões, considerando o que foi apurado até o momento.
O número de imóveis citado pela promotora é um dos principais pontos a serem esclarecidos com o avanço da investigação. Ainda será necessário conhecer a situação individual das edificações, a natureza das irregularidades identificadas e as eventuais consequências administrativas, urbanísticas e jurídicas para proprietários, compradores e ocupantes.
R$ 302 mil em dinheiro e veículos avaliados em mais de R$ 6 milhões
Durante a operação, foram apreendidos R$ 302 mil em dinheiro na residência do empresário Agnaldo Rael da Silva, segundo informação confirmada pelo delegado Getúlio Daniel.
Também foram recolhidos seis veículos de luxo, avaliados em pouco mais de R$ 6 milhões, conforme informado pelo delegado. Entre eles estão dois BYD Seal pretos, um BYD Song Plus preto, um Chevrolet Corvette vermelho, um Audi TT-RS verde e um Toyota GR Supra vermelho.
A Justiça autorizou ainda o bloqueio de R$ 80 milhões em bens e valores vinculados a investigados, além de medidas de restrição patrimonial que incluem imóveis e ativos financeiros.
As apreensões e os bloqueios têm caráter cautelar. A existência de dinheiro, veículos ou patrimônio sob investigação não comprova, isoladamente, origem ilícita ou participação em crimes. A relação dos bens com os fatos apurados deverá ser esclarecida no curso do procedimento.
Delegado relata possível naturalização de práticas ilícitas
Ao comentar a investigação, o delegado Getúlio Daniel afirmou que os elementos reunidos indicariam uma presença prolongada de práticas ilícitas na estrutura investigada.
Segundo ele, servidores e pessoas que dependiam dos serviços públicos teriam se acostumado a um tratamento irregular nos procedimentos administrativos.
O delegado também declarou que a apreensão de valores e bens poderá contribuir para uma futura recuperação de recursos em benefício da população, caso sejam estabelecidos os vínculos necessários e haja decisão das autoridades competentes.
A declaração levanta uma questão que ultrapassa o cumprimento dos mandados: se as suspeitas forem comprovadas, será necessário esclarecer como os controles internos funcionavam, quais mecanismos de fiscalização falharam e se houve prejuízo efetivo à administração pública ou a terceiros.
Essas questões permanecem sob apuração e dependem da análise das provas e da identificação das condutas atribuídas a cada investigado.
Cinco prisões e afastamento de servidores
Os cinco investigados com mandados de prisão preventiva cumpridos nesta fase são os servidores públicos Valdinei Monteiro da Silva, Fernando Dante Morari e Júlio Henrique Verdu Garcia, além dos empresários Agnaldo Rael da Silva e Débora Alvarenga Nakanishi da Silva.
A operação também resultou no afastamento cautelar de seis servidores públicos. Segundo as informações divulgadas pelas autoridades, esta fase alcançou 18 alvos, entre pessoas físicas e uma empresa.
A primeira etapa da Operação Mãos à Obra foi deflagrada em 28 de julho de 2026, com foco em suspeitas envolvendo fiscais de obras do município. A nova fase ampliou o escopo das diligências e busca aprofundar a apuração sobre a possível participação de agentes públicos e empresários.
Prefeitura diz que município e secretaria não são alvos
Em nota à imprensa divulgada nesta quarta-feira, a Prefeitura de Sinop afirmou que o município e a Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação não são alvos da investigação do GAECO.
Segundo a administração municipal, as diligências realizadas nas dependências da secretaria decorrem da primeira fase da operação e se restringem ao acesso a documentos e computadores relacionados às atividades dos servidores investigados.
A prefeitura informou que os funcionários atingidos pelas medidas serão afastados de suas funções durante o período das investigações, em cumprimento à decisão judicial. Também declarou que continuará colaborando com os órgãos responsáveis, prestando esclarecimentos e disponibilizando as informações solicitadas.
A manifestação delimita a posição oficial do Executivo municipal, mas não encerra as questões sobre o funcionamento dos procedimentos administrativos sob investigação. O esclarecimento das responsabilidades individuais e de eventuais falhas nos mecanismos de controle dependerá do avanço das apurações.
Até a publicação desta reportagem, não havia manifestação pública das defesas dos investigados nas informações consultadas.
A investigação segue em andamento. As prisões preventivas, os afastamentos e as apreensões são medidas cautelares e não equivalem a condenação. Todos os investigados têm direito à ampla defesa, ao contraditório e à presunção de inocência.



