Operação Reescrita investiga fraude em decisão para transferir vice-líder do Comando Vermelho a MT
Documento atribuído à Justiça teria sido editado para simular autorização de transferência de Miro Louco da penitenciária federal de Catanduvas para a PCE

A Polícia Civil investiga uma suposta fraude envolvendo um documento judicial que teria sido utilizado para tentar antecipar a transferência de Miro Louco, apontado como vice-líder do Comando Vermelho, da Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, para a Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá. A apuração deu origem à Operação Reescrita, que busca esclarecer como o arquivo foi produzido, quem participou de sua elaboração e de que forma ele foi apresentado ao Poder Judiciário.
Segundo a investigação conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), os policiais receberam informações sobre uma suposta decisão que autorizaria a realização de estudos específicos de comportamento e flexibilizaria a transferência do preso para Mato Grosso antes do fim do período de permanência estabelecido em decisão judicial anterior.
Documento não constava no processo
De acordo com os elementos apurados, um pedido judicial para transferir Miro Louco foi apresentado em junho de 2025. Em dezembro daquele ano, dois dos advogados investigados compareceram ao gabinete de uma unidade judicial em Cuiabá para solicitar providências relacionadas ao cumprimento de uma suposta decisão que teria sido proferida em novembro.
Na ocasião, os profissionais apresentaram uma cópia do documento. Posteriormente, um dos advogados encaminhou o arquivo ao contato institucional do gabinete para tratar da medida.
Durante a verificação, servidores constataram que a decisão não havia sido proferida pelo magistrado e tampouco estava registrada no processo judicial. A análise também identificou inconsistências no arquivo, entre elas um código de validação vinculado a outro processo e diferenças em relação aos padrões dos documentos oficiais do sistema eletrônico de execução penal.
Uma avaliação técnica apontou ainda indícios de edição externa do documento, levantando suspeitas sobre sua autenticidade e sobre a forma como teria sido produzido.
Três advogados são investigados
Conforme os elementos reunidos pela Polícia Civil, uma das investigadas teria participado da elaboração ou edição do documento. Os outros dois advogados teriam atuado na apresentação e utilização do arquivo perante o Poder Judiciário.
A investigação procura esclarecer a participação individual de cada suspeito, além de identificar a origem do documento e as circunstâncias em que ele foi produzido e colocado em circulação.
Diante dos indícios, foram solicitados mandados de busca e apreensão contra os investigados. As diligências têm como objetivo localizar celulares, computadores, notebooks, outros dispositivos eletrônicos, documentos e mídias que possam contribuir para a apuração.
Nome da operação faz referência à suspeita de adulteração
O nome Operação Reescrita remete à suspeita de que uma decisão judicial anterior, relacionada à permanência de Miro Louco em uma penitenciária federal, teria servido de referência para a produção de um novo documento.
Segundo a hipótese investigada, o arquivo teria sido reescrito para atribuir outro sentido à decisão e simular uma autorização posterior para transferir o custodiado de volta a Mato Grosso.
Miro Louco permanece detido na Penitenciária Federal de Catanduvas, conforme as informações da Polícia Civil. A investigação busca reunir provas sobre a possível falsificação documental e esclarecer se houve tentativa de obter a transferência do preso por meio de uma decisão judicial supostamente adulterada.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



