Júlio Campos acusa TSE de fraude e fala em complô contra Flávio Bolsonaro
Deputado estadual, que admite deixar a vida pública após cinco décadas de carreira, fez acusações sem apresentar provas durante evento de campanha do senador em Mato Grosso

Após cinco décadas de vida pública e uma trajetória marcada pela passagem por alguns dos principais cargos políticos de Mato Grosso, o deputado estadual Júlio Campos passou a questionar a lisura do sistema eleitoral brasileiro. Derrotado na disputa pela reeleição à Assembleia Legislativa (ALMT), o parlamentar acusou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de fraudar as eleições presidenciais de 2022 para impedir a reeleição de Jair Bolsonaro (PL).
As declarações foram feitas na terça-feira (13), durante um evento no comitê de campanha de Flávio Bolsonaro (PL) em Mato Grosso. Sem apresentar provas, Júlio também afirmou que integrantes do Judiciário, das Forças Armadas e da imprensa estariam articulados para impedir uma vitória do senador no segundo turno deste ano.
Ao comentar o resultado da eleição presidencial de 2022, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o deputado atribuiu a derrota de Jair Bolsonaro a uma suposta manipulação na apuração dos votos. “Em 2022, infelizmente fomos roubados naquela urna eletrônica, naquela meia hora que parou, quando voltou, nós já tínhamos sido passados para trás. Coisas do TSE”, declarou.
Júlio, porém, não apresentou evidências que sustentem a acusação. Não foi demonstrada fraude nas urnas eletrônicas capaz de alterar o resultado daquela eleição presidencial.
Deputado fala em complô contra Flávio
Na sequência do discurso, Júlio Campos pediu mobilização dos apoiadores do bolsonarismo e alertou que a disputa presidencial deste ano não estaria definida. Segundo ele, haveria uma articulação de diferentes setores para prejudicar novamente o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Não podemos descuidar, não pensem vocês que a eleição está ganha. Pelo contrário, é muito difícil, nós temos um complô de gente do Judiciário, das Forças Armadas, da imprensa, principalmente, tentando nos roubar mais uma vez a eleição”, afirmou.
Durante o evento, o parlamentar também disse que já organizou o transporte de funcionários de sua fazenda, localizada na região do Pantanal, até os locais de votação. A declaração foi apresentada como parte do esforço de mobilização dos eleitores ligados ao grupo político.
As acusações contra o sistema eleitoral foram feitas em um momento de mudança na trajetória política do deputado, que não conseguiu votos suficientes para permanecer na Assembleia Legislativa e já admitiu a possibilidade de encerrar a carreira pública.
Cinco décadas de política e derrota nas urnas
Júlio Campos iniciou sua trajetória política na Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido que deu sustentação à ditadura militar instaurada em 1964. Ao longo de aproximadamente cinco décadas, ocupou cargos de governador de Mato Grosso, senador, deputado federal e deputado estadual.
A tentativa de conquistar mais um mandato na Assembleia Legislativa, entretanto, terminou em derrota nas eleições deste ano. O resultado também não foi favorável ao parlamentar em Várzea Grande, município onde construiu parte importante de sua trajetória eleitoral e que costuma ser associado à sua base política.
Após o resultado, Júlio admitiu publicamente a possibilidade de se aposentar da vida pública. Agora, ao atribuir a derrota de Jair Bolsonaro em 2022 a uma suposta fraude e levantar suspeitas sobre a próxima eleição presidencial, o deputado direciona críticas ao sistema eleitoral que marcou as disputas políticas ao longo de sua carreira.
A mudança de tom ocorre justamente quando o parlamentar enfrenta a perspectiva de deixar os cargos eletivos depois de décadas de atuação política em Mato Grosso.
Fonte Folhamax
Publicado originalmente em infoverus.com.br



