Júlio Neto acusa Ananias de ingratidão e diz que família Campos foi fiel a Wellington Fagundes; VEJA VÍDEO
Filho de Júlio Campos rebate críticas do presidente estadual do PL, que atribuiu parte da derrota de Wellington Fagundes à atuação dos irmãos Campos durante a campanha ao governo de Mato Grosso

O empresário Júlio Neto, filho do deputado estadual Júlio Campos, rebateu as declarações do presidente estadual do PL, Ananias Filho, sobre a derrota de Wellington Fagundes na disputa pelo Governo de Mato Grosso. Em entrevista ao PodOlhar, Ananias responsabilizou os irmãos Jayme e Júlio Campos por prejudicar a candidatura do senador. Em resposta, Júlio Neto afirmou que sua família manteve o apoio a Wellington durante toda a campanha e acusou o dirigente partidário de ingratidão.
Júlio Neto contou que inicialmente não pretendia comentar o resultado eleitoral, por considerar que quem perde uma eleição deve evitar manifestações públicas. Segundo ele, mudou de ideia depois de assistir, na manhã em que fez as declarações, à entrevista de Ananias ao Olhar Direto, na qual o presidente estadual do PL atribuiu aos irmãos Campos parte da responsabilidade pelo desempenho de Wellington.
O empresário contestou a versão apresentada pelo dirigente e afirmou que não viu Ananias pedir votos para o candidato durante a campanha. “Nem de manhã, nem de tarde, nem de noite, pedindo voto para o Wellington Fagundes 22”, declarou, ao comparar a atuação do presidente do PL com o apoio que, segundo ele, foi dado por sua família.
Ananias atribui parte da derrota à aliança e aos irmãos Campos
Na entrevista ao PodOlhar, videocast do Olhar Direto, Ananias Filho afirmou que a aliança com o MDB foi um erro que contribuiu para a derrota de Wellington. Ele disse que era contrário à composição, mas precisou seguir a orientação da direção nacional do partido.
Questionado se os irmãos Jayme e Júlio Campos teriam prejudicado mais do que ajudado a campanha, o dirigente respondeu de forma contundente: “Tenho nem dúvida. Dúvida zero. Só atrapalharam. O povo não engole a forma de eles fazerem política”.
Na avaliação de Ananias, a presença de lideranças políticas tradicionais, que enfrentariam rejeição entre parte do eleitorado conservador, teria afastado a candidatura de suas bases eleitorais. Ao comentar o apoio recebido dos irmãos Campos, porém, ele afirmou que não seria possível simplesmente dispensar a participação de lideranças, embora tenha questionado a forma como esse apoio ocorreu.
“Mas ninguém dispensa apoio. Ninguém dispensa apoio. Só que tem apoio de todo tipo. O apoio fica no sofá lá em casa seria melhor. Mas agora é obra pronta. É mais fácil falar”, disse.
Júlio Neto afirma que família apoiou Wellington por ligação antiga
Ao rebater as declarações, Júlio Neto afirmou que a família Campos poderia ter apoiado Mauro Mendes e Otaviano Pivetta, o que, na avaliação dele, a colocaria no palanque que saiu vencedor. Ainda assim, disse que os familiares decidiram caminhar com Wellington por causa da relação política construída ao longo de décadas.
Segundo o empresário, a família conhece o senador desde 1990, quando Wellington disputou pela primeira vez uma vaga de deputado federal pelo PL, em Rondonópolis. Ele afirmou que essa ligação foi determinante para a escolha, mesmo diante das dificuldades enfrentadas pela campanha.
Júlio Neto também descreveu a candidatura como a campanha ao governo mais pobre que já presenciou. De acordo com ele, Wellington não contava com estrutura suficiente, faltavam materiais de divulgação adequados, como adesivos e santinhos, e não havia recursos para contratações. Nesse cenário, o empresário classificou como “impossível” enfrentar a máquina pública.
Empresário cita reuniões e dispara contra dirigente do PL
Para sustentar a afirmação de que os Campos trabalharam pela candidatura de Wellington, Júlio Neto disse que o pai pediu votos para o senador “de manhã, de tarde e de noite”. Ele citou reuniões em que Júlio Campos esteve ao lado da vereadora de Várzea Grande Rosi Prado, ligada politicamente a Pivetta.
Segundo o empresário, nesses encontros Rosi Prado pedia votos para Pivetta, enquanto Júlio Campos defendia a candidatura de Wellington. O exemplo foi apresentado por Júlio Neto como demonstração de que o deputado manteve o compromisso com o candidato do PL mesmo em ambientes nos quais havia apoio a outro concorrente.
Em uma crítica direta a Ananias Filho, Júlio Neto afirmou: “você larga de ser ingrato”. Ele também rejeitou a tentativa de atribuir à família Campos a responsabilidade pela derrota, dizendo que os familiares não poderiam ser culpados por “uma campanha fracassada, sem dinheiro”.
Ao encerrar a resposta, o empresário mencionou o “histórico de cavalo paraguaio de vocês”, sem detalhar a quem ou a quais episódios se referia com a expressão.
Wellington perdeu no primeiro turno
Wellington Fagundes foi derrotado por Otaviano Pivetta (Republicanos) ainda no primeiro turno da disputa pelo Palácio Paiaguás. Durante a campanha, o candidato do PL enfrentou resistência entre lideranças identificadas com o bolsonarismo e não conseguiu reunir sequer os principais prefeitos de seu próprio partido em torno da candidatura.
O resultado abriu espaço para divergências públicas sobre os fatores que contribuíram para a derrota. De um lado, Ananias Filho criticou a aliança com o MDB e a participação dos irmãos Campos; de outro, Júlio Neto defendeu a atuação da família e atribuiu o desempenho eleitoral às limitações estruturais da campanha.
Fonte Olhar Direto
Publicado originalmente em infoverus.com.br



