Mais de 600 mil pessoas em MT já fizeram apostas online e alerta cresce sobre endividamento
Plataformas digitais movimentam R$ 261 milhões por mês no Estado, enquanto especialistas alertam para aumento de dívidas, sofrimento emocional e falta de estrutura para atendimento
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O crescimento das apostas esportivas digitais em Mato Grosso acendeu um alerta entre especialistas e órgãos públicos. Dados do Instituto DataSenado apontam que aproximadamente 612 mil pessoas com 16 anos ou mais no Estado já fizeram algum tipo de aposta online, o equivalente a cerca de 17% da população nessa faixa etária.
O levantamento, referente a 2024, também indica que o mercado de apostas movimenta cerca de R$ 261 milhões por mês em Mato Grosso, cenário que preocupa diante dos impactos que o uso excessivo dessas plataformas pode provocar, como endividamento, conflitos familiares e problemas de saúde mental.
Com o avanço dos casos relacionados ao chamado jogo problemático, o Ministério da Saúde lançou uma campanha nacional de prevenção aos danos causados pelas apostas online. A iniciativa busca alertar a população sobre sinais de dependência e orientar usuários a buscar apoio na rede pública de saúde.
Entre as ferramentas disponibilizadas estão um autoteste por meio do aplicativo Meu SUS Digital e a Plataforma Centralizada de Autoexclusão do Ministério da Fazenda, que permite ao usuário bloquear o acesso a sites de apostas autorizados.
A recomendação do governo federal é que pessoas que identificem dificuldades em controlar o comportamento de aposta procurem atendimento em Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
Em Mato Grosso, porém, a oferta de atendimento especializado ainda enfrenta desafios. Em Cuiabá, a Secretaria Municipal de Saúde informou que não possui atualmente grupos ou projetos específicos voltados ao tratamento da dependência em jogos dentro das unidades do CAPS. A pasta afirmou que acompanha as orientações do governo federal e avalia a implementação de ações sobre o tema.
Já a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) informou que a rede estadual atende pacientes com comportamentos compulsivos, incluindo casos relacionados ao vício em apostas. Segundo a pasta, o CAPS AD possui um grupo de acolhimento voltado a pessoas com dependência em jogos, com encontros realizados semanalmente às segundas-feiras, a partir das 14h.
Para o defensor público Carlos Eduardo Souza, do Núcleo de Defesa do Consumidor da Defensoria Pública de Mato Grosso (DPEMT), o reconhecimento do problema como uma questão de saúde pública representa um avanço, mas precisa ser acompanhado de estrutura para atendimento.
Segundo ele, a existência de campanhas de orientação não é suficiente se a população não encontrar serviços preparados para receber e acompanhar os casos.
“Essa política somente será efetiva se houver estrutura para acolher e tratar essas pessoas. Quando o cidadão é orientado a procurar ajuda, mas não encontra serviços especializados ou profissionais capacitados, há um evidente descompasso entre a política pública anunciada e sua implementação”, afirmou.
O defensor explica que a atuação da Defensoria tem identificado que as consequências das apostas vão além das perdas financeiras. Muitos casos chegam inicialmente como problemas relacionados a dívidas, mas acabam revelando situações envolvendo sofrimento psicológico e comprometimento das relações pessoais.
“Temos observado um crescimento de casos envolvendo superendividamento, conflitos familiares e sofrimento psíquico relacionados às apostas online. Embora muitas vezes a demanda chegue inicialmente como um problema financeiro, é comum identificar um quadro de adoecimento mental que exige atenção especializada”, destacou.
A situação é considerada ainda mais preocupante nos municípios do interior de Mato Grosso, onde a estrutura da Rede de Atenção Psicossocial é mais limitada. A Defensoria Pública já ingressou com ações cobrando a implantação de unidades do CAPS I em algumas cidades.
De acordo com Carlos Eduardo Souza, a falta de serviços próximos da população pode dificultar o início e a continuidade do tratamento.
“Em muitos municípios do interior, a ausência de equipamentos especializados faz com que o paciente dependa de deslocamentos para outras cidades, o que dificulta a continuidade do tratamento e aumenta o risco de agravamento do quadro clínico”, afirmou.
A Defensoria reforça que ferramentas digitais de identificação e prevenção podem ajudar no diagnóstico inicial, mas não substituem o atendimento presencial e o acompanhamento profissional.
O órgão afirma que continuará acompanhando a estruturação da rede de saúde mental em Mato Grosso e cobrando medidas para garantir atendimento adequado às pessoas afetadas pelo uso abusivo de plataformas de apostas.
O levantamento, referente a 2024, também indica que o mercado de apostas movimenta cerca de R$ 261 milhões por mês em Mato Grosso, cenário que preocupa diante dos impactos que o uso excessivo dessas plataformas pode provocar, como endividamento, conflitos familiares e problemas de saúde mental.
Com o avanço dos casos relacionados ao chamado jogo problemático, o Ministério da Saúde lançou uma campanha nacional de prevenção aos danos causados pelas apostas online. A iniciativa busca alertar a população sobre sinais de dependência e orientar usuários a buscar apoio na rede pública de saúde.
Entre as ferramentas disponibilizadas estão um autoteste por meio do aplicativo Meu SUS Digital e a Plataforma Centralizada de Autoexclusão do Ministério da Fazenda, que permite ao usuário bloquear o acesso a sites de apostas autorizados.
A recomendação do governo federal é que pessoas que identificem dificuldades em controlar o comportamento de aposta procurem atendimento em Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
Em Mato Grosso, porém, a oferta de atendimento especializado ainda enfrenta desafios. Em Cuiabá, a Secretaria Municipal de Saúde informou que não possui atualmente grupos ou projetos específicos voltados ao tratamento da dependência em jogos dentro das unidades do CAPS. A pasta afirmou que acompanha as orientações do governo federal e avalia a implementação de ações sobre o tema.
Já a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) informou que a rede estadual atende pacientes com comportamentos compulsivos, incluindo casos relacionados ao vício em apostas. Segundo a pasta, o CAPS AD possui um grupo de acolhimento voltado a pessoas com dependência em jogos, com encontros realizados semanalmente às segundas-feiras, a partir das 14h.
Para o defensor público Carlos Eduardo Souza, do Núcleo de Defesa do Consumidor da Defensoria Pública de Mato Grosso (DPEMT), o reconhecimento do problema como uma questão de saúde pública representa um avanço, mas precisa ser acompanhado de estrutura para atendimento.
Segundo ele, a existência de campanhas de orientação não é suficiente se a população não encontrar serviços preparados para receber e acompanhar os casos.
“Essa política somente será efetiva se houver estrutura para acolher e tratar essas pessoas. Quando o cidadão é orientado a procurar ajuda, mas não encontra serviços especializados ou profissionais capacitados, há um evidente descompasso entre a política pública anunciada e sua implementação”, afirmou.
O defensor explica que a atuação da Defensoria tem identificado que as consequências das apostas vão além das perdas financeiras. Muitos casos chegam inicialmente como problemas relacionados a dívidas, mas acabam revelando situações envolvendo sofrimento psicológico e comprometimento das relações pessoais.
“Temos observado um crescimento de casos envolvendo superendividamento, conflitos familiares e sofrimento psíquico relacionados às apostas online. Embora muitas vezes a demanda chegue inicialmente como um problema financeiro, é comum identificar um quadro de adoecimento mental que exige atenção especializada”, destacou.
A situação é considerada ainda mais preocupante nos municípios do interior de Mato Grosso, onde a estrutura da Rede de Atenção Psicossocial é mais limitada. A Defensoria Pública já ingressou com ações cobrando a implantação de unidades do CAPS I em algumas cidades.
De acordo com Carlos Eduardo Souza, a falta de serviços próximos da população pode dificultar o início e a continuidade do tratamento.
“Em muitos municípios do interior, a ausência de equipamentos especializados faz com que o paciente dependa de deslocamentos para outras cidades, o que dificulta a continuidade do tratamento e aumenta o risco de agravamento do quadro clínico”, afirmou.
A Defensoria reforça que ferramentas digitais de identificação e prevenção podem ajudar no diagnóstico inicial, mas não substituem o atendimento presencial e o acompanhamento profissional.
O órgão afirma que continuará acompanhando a estruturação da rede de saúde mental em Mato Grosso e cobrando medidas para garantir atendimento adequado às pessoas afetadas pelo uso abusivo de plataformas de apostas.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



