PGR muda entendimento e defende prisão de consultor do TCE-MT suspeito de movimentar R$ 32 milhões
Grhegory Maia é apontado como principal articulador jurídico e financeiro do esquema investigado; Procuradoria cita movimentação de R$ 32,31 milhões, imagens de dinheiro em mochila e crescimento patrimonial

A Procuradoria-Geral da República (PGR) passou a defender a manutenção da prisão preventiva de Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, consultor jurídico-geral do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), apontado pelo órgão como o “principal articulador jurídico e financeiro” do esquema investigado na Operação Tomada de Contas. Ele permanece preso no Complexo Penitenciário Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande.
A nova manifestação representa uma mudança no entendimento da Procuradoria, que anteriormente considerava suficientes medidas cautelares alternativas à prisão. Agora, o órgão afirma que informações identificadas posteriormente demonstram a necessidade de manter o investigado detido.
O posicionamento foi apresentado nesta quinta-feira (5), durante a análise de um habeas corpus protocolado pela defesa de Grhegory no Supremo Tribunal Federal (STF). Os advogados tentam reverter a prisão preventiva determinada pelo ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no âmbito das apurações sobre supostos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo o TCE-MT.
Para justificar a manutenção da custódia, a PGR afirma que os elementos reunidos pelos investigadores colocam Grhegory no centro das movimentações financeiras suspeitas. Segundo a manifestação, ele teria recebido R$ 32,31 milhões entre janeiro e outubro de 2025. Desse total, R$ 31,64 milhões seriam provenientes de 179 ordens bancárias avulsas, distribuídas em 12 contas de nove instituições financeiras.
Outro elemento mencionado pela Procuradoria são imagens do sistema de monitoramento de uma agência bancária instalada dentro do TCE-MT. De acordo com a investigação, os registros mostram Grhegory colocando blocos de dinheiro em uma mochila.
O documento também aponta possíveis estratégias de ocultação de patrimônio por meio de empresas e holdings vinculadas ao consultor. Entre elas está a Maia Reining Horses Ltda., criada em julho de 2025 para atuar na criação de cavalos e na comercialização de embriões e sêmen.
Na avaliação dos investigadores, a negociação desses ativos, que não possuem preços públicos de referência, poderia facilitar a dissimulação de valores. A PGR também destaca a evolução do patrimônio atribuído a Grhegory, que teria passado de R$ 1,84 milhão em janeiro para R$ 7,61 milhões em outubro de 2025.
Antes da determinação das prisões, a própria Procuradoria havia sugerido a adoção de medidas cautelares contra os principais investigados. Entre as alternativas estavam o afastamento das funções públicas, a proibição de frequentar as dependências do TCE, o uso de tornozeleira eletrônica, restrições patrimoniais e pagamento de fiança.
Especificamente para Grhegory, também haviam sido propostas limitações para alterações societárias e para a compra ou venda de bens com valores superiores a R$ 50 mil.
Na nova avaliação, entretanto, a PGR afirma que acontecimentos posteriores à primeira manifestação alteraram o cenário. Um dos episódios considerados foi a apreensão, durante a operação, de 16 armas de fogo, aproximadamente 6 mil munições, R$ 600 mil, US$ 25 mil e € 10 mil em posse de outro investigado.
Para a Procuradoria, os materiais e valores encontrados demonstram a existência de riscos atuais para o andamento das investigações e indicam que as medidas alternativas à prisão, anteriormente sugeridas, não seriam suficientes.
Além de se posicionar contra a soltura de Grhegory, a PGR argumenta que o próprio habeas corpus não deveria ser analisado pelo STF neste momento. O órgão sustenta que os advogados contestaram uma decisão individual de um ministro do STJ sem antes recorrer à Corte Especial do tribunal por meio de agravo regimental.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



