Sindicato alerta que reajuste do ICMS pode encarecer gasolina e diesel em Mato Grosso
Imposto sobre a gasolina subirá 4,5%, enquanto o diesel terá alta de 11,1%; Sindipetróleo-MT alerta para possíveis reflexos no transporte, nos custos de produção e no orçamento dos consumidores

O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Mato Grosso (Sindipetróleo-MT) alerta que o novo reajuste do ICMS sobre combustíveis poderá pressionar os preços da gasolina e do diesel a partir de fevereiro de 2027, quando as novas alíquotas entram em vigor. A atualização foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) nesta quarta-feira (28) e representa o quarto aumento consecutivo do imposto.
Com a mudança, a alíquota da gasolina passará de R$ 1,57 para R$ 1,64 por litro, uma elevação de aproximadamente 4,5%. Para o diesel, o valor subirá de R$ 1,17 para R$ 1,30 por litro, aumento de 11,1%.
Segundo o sindicato, a elevação do tributo amplia os custos da cadeia de abastecimento e pode produzir efeitos sobre o orçamento das famílias. A entidade ressalta que os combustíveis têm impacto direto na mobilidade, no transporte de mercadorias e em diferentes atividades econômicas.
Reajustes pressionam transporte e produção
Para o presidente do Sindipetróleo-MT, Kaká Alves, a sequência de aumentos reforça a pressão tributária sobre produtos essenciais ao funcionamento da economia. Ele avalia que os efeitos podem ultrapassar o setor de combustíveis e atingir os custos de transporte e produção, com possíveis reflexos sobre a inflação e o poder de compra da população.
“Pelo quarto ano consecutivo, os Estados decidem reajustar o ICMS. Não podemos ignorar que cada aumento representa uma pressão adicional sobre os custos de abastecimento, transporte de mercadorias e produção, com possíveis reflexos sobre a inflação e o poder de compra da população”, afirma.
O dirigente também destaca que os postos não determinam a carga tributária aplicada aos combustíveis. Segundo ele, os estabelecimentos representam a etapa final da cadeia de abastecimento e compram os produtos das distribuidoras com os tributos já incorporados aos custos de aquisição.
Dessa forma, as mudanças tributárias podem influenciar a formação dos preços nas bombas, embora o reajuste do imposto não signifique, necessariamente, que os valores ao consumidor subirão na mesma proporção.
Sindicato compara medidas federais e estaduais
O Sindipetróleo-MT também chama a atenção para a diferença entre as iniciativas tributárias adotadas pelo governo federal e pelos Estados. De acordo com a entidade, a União tem recorrido a medidas emergenciais de desoneração e subvenção para tentar reduzir os efeitos da instabilidade internacional no mercado de petróleo.
Na avaliação do sindicato, porém, os aumentos estaduais do ICMS acrescentam pressão aos custos dos combustíveis e podem limitar os efeitos dessas iniciativas sobre o preço final.
Kaká Alves reconhece a importância dos tributos para financiar os serviços públicos, mas defende uma discussão sobre os impactos acumulados dos reajustes para a economia e os consumidores.
“Entendemos a importância da arrecadação dos Estados para a manutenção dos serviços públicos. No entanto, é necessário discutir os efeitos acumulados desses reajustes sobre a economia, os custos de produção e o poder de compra da população. O desafio é buscar equilíbrio entre a necessidade de arrecadação e os impactos que a tributação pode gerar para toda a sociedade”, conclui.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



