Veja quem são os 15 primeiros indiciados pela PF por suspeita de crimes no Banco Master
Investigação aponta suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito ao BRB e divide os envolvidos em núcleos estratégico, financeiro, operacional, empresarial e jurídico

A Polícia Federal (PF) concluiu o primeiro inquérito sobre as suspeitas envolvendo o Banco Master e indiciou 15 pessoas, entre elas o ex-controlador da instituição, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e o ex-sócio de Vorcaro, Augusto Lima. A investigação apura possíveis crimes financeiros relacionados à negociação de carteiras de crédito vendidas ao banco público.
De acordo com os elementos reunidos pela PF, os investigados teriam desempenhado funções distintas em uma estrutura que envolveria decisões estratégicas, operações financeiras, formação de documentos, intermediação empresarial e suporte jurídico. As conclusões constam do inquérito policial e ainda não equivalem a uma condenação criminal.
As defesas apresentaram contestações às suspeitas em alguns casos. Outros advogados não foram localizados ou não responderam aos contatos da reportagem até a publicação.
1. Daniel Bueno Vorcaro
Ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro é apontado pela PF como líder do esquema investigado. Segundo a apuração, ele teria coordenado as diretrizes gerais das operações, a articulação entre o Master e o BRB e a atuação dos demais núcleos envolvidos.
Vorcaro está preso desde março de 2026 no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Em nota, sua defesa classificou o relatório de indiciamento como “açodado e afoito” e afirmou que o documento antecipa conclusões que a própria investigação ainda não teria alcançado.
2. Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa
Ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa é apontado como integrante do núcleo estratégico e decisório, ao lado de Vorcaro. A PF atribui a ele participação nas definições gerais e na articulação das operações investigadas.
Ele comandou o banco público entre janeiro de 2019 e novembro de 2025, após ser indicado pelo então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). Paulo Henrique foi preso em abril de 2026.
O advogado Davi Tangerino afirmou que a investigação teria partido de hipóteses acusatórias, em vez de submeter os fatos a uma análise imparcial. A defesa sustenta que mensagens encontradas nos celulares de integrantes do Banco Master demonstrariam que Paulo Henrique desconhecia as supostas fraudes nas carteiras de crédito. Também afirma que depoimentos de pessoas ligadas ao BRB e ao Master convergem nesse sentido e que documentos apresentados ao processo, inclusive por autoridades públicas, teriam sido ignorados.
3. Augusto Ferreira Lima
Ex-sócio de Vorcaro, Augusto Lima é apontado como integrante do núcleo executivo-financeiro. Ele também foi dono do Banco Pleno, antigo Voiter, que fez parte do conglomerado Master e foi liquidado pelo Banco Central em fevereiro de 2026.
Lima chegou a ser preso em novembro de 2025, durante a Operação Compliance Zero, junto com Vorcaro e outros executivos do grupo.
Procurada para comentar o indiciamento, a defesa não havia se manifestado até a publicação. Em ocasiões anteriores, os advogados afirmaram que as operações investigadas ocorreram depois da saída de Lima do Banco Master, em maio de 2024, e que não teriam relação com sua atuação profissional ou com decisões tomadas durante sua permanência na instituição.
4. Angelo Antônio Ribeiro da Silva
Diretor do Banco Master, Angelo Silva também é apontado como integrante do núcleo executivo-financeiro. Durante a investigação, a PF identificou sua assinatura em instrumentos firmados entre o banco e a Tirreno, empresa que os investigadores apontam como de fachada.
Em nota, a advogada Joyce Roysen, responsável pela defesa, afirmou que Angelo nega participação nos fatos investigados. Segundo ela, o ex-diretor prestou os esclarecimentos solicitados pelas autoridades e permanece à disposição para colaborar com a apuração.
5. Luiz Antonio Bull
Diretor de contabilidade do Banco Master, Luiz Antonio Bull é apontado como integrante do núcleo executivo-financeiro. A PF afirma que ele assinou instrumentos relacionados às operações entre o banco e a Tirreno, além de ofícios encaminhados aos órgãos de controle.
Bull foi preso em novembro de 2025, na primeira fase da Operação Compliance Zero. Após prestar depoimento à PF, em janeiro de 2026, sua defesa afirmou a jornalistas que ele sempre esteve à disposição das autoridades e continuaria colaborando com as investigações.
6. Alberto Félix de Oliveira Neto
Ex-superintendente de tesouraria do Banco Master, Alberto Félix de Oliveira Neto também é apontado como integrante do núcleo executivo-financeiro. Segundo a PF, ele assinou o contrato de parceria entre o banco e a Tirreno.
Em depoimento à Polícia Federal, em janeiro de 2026, Alberto permaneceu em silêncio durante a audiência e fez uma declaração para afirmar que não tinha poder de decisão dentro da instituição e que apenas cumpria ordens.
A defesa foi procurada por e-mail em duas ocasiões, na noite de quarta-feira (28) e na tarde de quinta-feira (29), mas não respondeu até o fechamento da reportagem.
7. Allan da Silva Machado
Gerente de operações bancárias do Banco Master, Allan Machado é apontado como o único integrante do núcleo operacional e de formação documental identificado pela PF. Conforme a investigação, ele seria responsável por importar dados, estruturar carteiras destinadas ao BRB e coordenar a elaboração de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), procurações e termos de assinatura.
A PF também atribui a Machado a coordenação da montagem das carteiras envolvidas nas operações e da produção posterior dos documentos usados como lastro pela Tirreno.
A defesa não foi localizada até a publicação.
8. Henrique Souza e Silva Peretto
Proprietário formal da Tirreno, Henrique Peretto é apontado como integrante do núcleo de interposição empresarial. Segundo a PF, ele teria sido responsável por elevar o capital social da empresa de R$ 100 para R$ 30 milhões.
A defesa foi procurada por e-mail na noite de quarta-feira (28) e novamente na tarde de quinta-feira (29), mas não respondeu até a publicação.
9. André Felipe de Oliveira Seixas Maia
Ex-funcionário do Banco Master e diretor da Tirreno, André Maia também é apontado como integrante do núcleo de interposição empresarial.
Segundo a perícia citada na investigação, a Tirreno teria origem em uma empresa de prateleira e não dispunha de estrutura operacional, empregados ou patrimônio. A PF afirma que o Master adquiriu créditos de dívidas da empresa sem realizar pagamento e, posteriormente, revendeu esses créditos ao BRB.
A defesa de André Maia foi procurada por e-mail, mas não respondeu até o fechamento da reportagem.
10. Daniel Lopes Monteiro
Advogado do Banco Master e sócio do escritório Monteiro Rusu Advogados, Daniel Monteiro é apontado como responsável pelo núcleo jurídico e de sustentação documental. Ele foi preso preventivamente em abril de 2026, durante a Operação Compliance Zero.
Na ocasião, a defesa afirmou que o advogado foi surpreendido pela decisão e sustentou que sua atuação sempre ocorreu no campo técnico, prestando serviços jurídicos ao Banco Master e a outros clientes.
O Ministério Público Federal já havia apontado, na época da prisão, que Monteiro teria obtido ao menos R$ 86 milhões com os esquemas investigados, em benefício próprio. Procurada na tarde de quinta-feira (29), a defesa não respondeu até a publicação.
11. Dario Oswaldo Garcia Junior
Diretor-executivo de finanças e controladoria do BRB, Dario Garcia Junior é apontado como integrante do núcleo executivo-financeiro. Ele foi alvo de busca e apreensão, teve bens bloqueados e passaporte apreendido e foi afastado da diretoria do banco em novembro de 2025, durante a liquidação do Banco Master.
Após deixar a diretoria, foi transferido para uma agência do BRB, onde trabalhou até setembro de 2026, quando foi afastado da instituição.
Em fevereiro, ao ser procurada pela Folha de S.Paulo, a defesa afirmou que Dario colaborou com as investigações e o descreveu como “uma vítima disso tudo”. Os advogados também disseram confiar no esclarecimento dos fatos. A defesa não foi localizada para comentar o indiciamento.
12. Luana de Andrade Ribeiro
Diretora-executiva de controle e riscos do BRB, Luana Ribeiro é apontada pela PF como responsável por aderir às aquisições das carteiras de crédito do Banco Master mesmo reconhecendo riscos relacionados às operações.
Ela foi destituída do cargo de diretora em janeiro de 2026 e, desde então, trabalhava em uma agência do BRB. Em setembro, a corregedoria determinou seu afastamento.
Durante as investigações, a PF encontrou em sua agenda uma anotação segundo a qual o então presidente do BRB teria determinado a compra de carteiras de crédito para salvar o Banco Master.
A defesa de Luana não foi localizada até o fechamento da reportagem.
13. Cristiane Maria Lima Bukowitz
Diretora-executiva de gestão de pessoas do BRB, Cristiane Bukowitz não foi apontada pela PF como participante direta da proposição ou execução financeira das operações investigadas.
Segundo a Polícia Federal, porém, ela participou de deliberações sobre as negociações com o Banco Master e não teria se manifestado contra elas. A defesa não foi localizada até a publicação.
14. Diogo Ilário de Araújo Oliveira
Diretor-executivo de atacado e governo do BRB, Diogo Oliveira foi destituído do cargo em abril de 2026. No documento de indiciamento, a PF não atribui a ele atuação direta na proposição, seleção ou liquidação das carteiras de crédito.
A investigação aponta, entretanto, que ele participou de reuniões em que as operações com o Master foram aprovadas, sem que houvesse registro de oposição. A defesa não foi localizada até o fechamento da reportagem.
15. José Maria Correa Dias Júnior
Diretor-executivo de tecnologia do BRB, José Maria Correa Dias Júnior também foi destituído do cargo em abril de 2026. Segundo a PF, ele participou de deliberações que aprovaram por unanimidade as operações com o Banco Master.
A própria investigação ressalva que sua vinculação ao caso deve permanecer restrita às deliberações das quais participou. A defesa não foi localizada até a publicação.
Investigação envolve diferentes núcleos
O primeiro inquérito concluído pela Polícia Federal reúne suspeitas sobre a negociação de carteiras de crédito entre o Banco Master e o BRB. A apuração descreve funções atribuídas aos 15 indiciados, desde a definição estratégica das operações até a elaboração de documentos e a participação em deliberações internas.
O indiciamento representa a conclusão da PF sobre os elementos reunidos nesta etapa da investigação, mas não equivale a uma condenação. As responsabilidades individuais ainda dependem da análise das autoridades competentes e do andamento dos procedimentos judiciais.
Fonte: ICL Notícias
Publicado originalmente em infoverus.com.br



