Antes de pedir impeachment, Medeiros elogiou Moraes e participou de jantar com ministro no ‘Love Boat’
Candidato ao Senado chegou a elogiar o conhecimento jurídico e a conduta do magistrado, além de participar de jantar com ele no chamado “Love Boat”; anos depois, passou a defender medidas contra o integrante do Supremo
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Hoje crítico do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, o deputado federal e candidato ao Senado José Medeiros (PL) já fez elogios públicos ao magistrado e defendeu suas credenciais jurídicas. Em 2016, quando ainda exercia mandato de senador pelo PSD de Mato Grosso, Medeiros classificou Moraes como “um dos maiores constitucionalistas” do país.
A manifestação ocorreu antes mesmo da indicação de Moraes ao Supremo. No ano seguinte, durante o processo que levaria o então ministro da Justiça à Corte, Medeiros voltou a defendê-lo, afirmou que os requisitos de “notório saber jurídico e conduta ilibada” estavam satisfeitos e participou de um jantar com ele na embarcação do então senador Wilder Morais, encontro que ganhou repercussão e ficou conhecido como “Love Boat”.
As declarações registram uma posição diferente daquela adotada posteriormente por Medeiros, que passou a questionar decisões de Moraes e chegou a participar da apresentação de pedidos de impeachment contra o ministro.
“Um dos maiores constitucionalistas”
Em 2016, Moraes era cotado para integrar o governo de Michel Temer, que assumiria a Presidência após o afastamento de Dilma Rousseff (PT). Naquele momento, ainda não havia indicação do jurista para ocupar uma cadeira no Supremo.
Da tribuna do Senado, Medeiros reagiu às críticas dirigidas a Moraes por sua atuação profissional como advogado de Eduardo Cunha. O parlamentar sustentou que a conduta atribuída a um cliente não deveria ser transferida ao advogado responsável por sua defesa.
“Não dá para confundir a conduta e tentar enxovalhar a postura desse grande advogado por causa dos seus clientes. Ele é um dos maiores constitucionalistas, independentemente se vai ser indicado ou não”, afirmou Medeiros.
O então senador também argumentou que defesa, acusação e magistratura cumprem funções distintas e indispensáveis ao funcionamento do processo judicial. Para ele, naquele contexto, havia uma tentativa de atingir a reputação profissional de Moraes em razão de clientes que havia representado.
“Eu quero fazer um reparo”, declarou Medeiros antes de iniciar sua manifestação. No discurso, ele ainda advertiu que trajetórias construídas durante anos poderiam sofrer danos rapidamente em períodos de forte polarização política.
Moraes acabou assumindo o Ministério da Justiça em maio de 2016. Em 6 de fevereiro de 2017, Michel Temer o indicou para a vaga no Supremo aberta após a morte do ministro Teori Zavascki. A indicação foi aprovada pelo Senado, Moraes foi nomeado em 22 de fevereiro e tomou posse em 22 de março daquele ano.
Medeiros esteve com Moraes no “Love Boat”
Entre a indicação e a aprovação pelo Senado ocorreu outro episódio envolvendo os dois. Em fevereiro de 2017, Medeiros participou de um jantar com Moraes na embarcação do então senador Wilder Morais. O encontro ficou conhecido como “Love Boat” e reuniu o indicado ao Supremo com parlamentares que participariam da análise de seu nome.
Diante da repercussão, Medeiros foi à tribuna explicar sua participação. Segundo ele, o encontro permitia que os senadores conversassem com Moraes antes de decidir sobre sua indicação e não representava compromisso automático de voto.
“Não fiz nada escondido e não vejo demérito algum em que um senador possa ouvir um ministro”, afirmou.
Foi durante essa manifestação que Medeiros voltou a elogiar as credenciais de Moraes. Ao analisar os requisitos para ocupar uma cadeira no Supremo, declarou: “Notório saber jurídico e conduta ilibada me parece que estão sobejamente satisfeitas”.
Medeiros também afirmou não enxergar, naquele momento, fatos que desabonassem a trajetória do indicado. “Pode não gostar dele ou dizer que não pode ser por isso ou por aquilo. Pode haver críticas. Agora, em nada o desabona até agora a sua conduta”, disse.
Anos depois, vieram pedidos de impeachment
O posicionamento político de Medeiros em relação a Moraes mudou nos anos seguintes. Já deputado federal pelo PL, passou a fazer críticas recorrentes a decisões do ministro e a questionar sua atuação no Supremo.
Em 2022, Medeiros e o então senador Lasier Martins apresentaram pedidos de impeachment contra Moraes após uma operação autorizada pelo ministro contra empresários investigados a partir de mensagens relacionadas a uma eventual ruptura institucional caso Jair Bolsonaro não fosse reeleito.
Os parlamentares alegaram crime de responsabilidade e abuso de autoridade e questionaram medidas determinadas no caso, entre elas buscas e apreensões, bloqueio de perfis em redes sociais e quebra de sigilo bancário. As acusações representavam a posição dos autores dos pedidos e não significaram reconhecimento judicial de irregularidade cometida pelo ministro.
Em outubro de 2025, Medeiros voltou a questionar a atuação relacionada a Moraes no plenário da Câmara e afirmou que as coisas estariam “totalmente fora da regularidade” no país. O parlamentar também direcionou críticas ao ministro ao tratar das decisões envolvendo réus dos atos de 8 de Janeiro.
Declarações antigas reaparecem em ano eleitoral
As manifestações feitas em 2016 e 2017 ganham novo contexto uma década depois, agora com Medeiros disputando uma vaga no Senado por Mato Grosso. Quando fez os elogios, o parlamentar estava filiado ao PSD. Atualmente, integra o PL e mantém uma postura crítica em relação a Moraes.
Os registros mostram uma mudança objetiva no teor das manifestações públicas de Medeiros ao longo dos anos, mas não permitem, isoladamente, determinar as razões que levaram o parlamentar a alterar sua avaliação sobre o ministro.
De um lado estão os discursos em que Medeiros classificou Moraes como “um dos maiores constitucionalistas”, considerou satisfeitos os requisitos para sua chegada ao Supremo e afirmou não enxergar conduta que o desabonasse naquele momento. Do outro, estão as manifestações posteriores nas quais passou a questionar decisões do magistrado e a apoiar pedidos para seu impeachment.
Fonte Olhar Direto
A manifestação ocorreu antes mesmo da indicação de Moraes ao Supremo. No ano seguinte, durante o processo que levaria o então ministro da Justiça à Corte, Medeiros voltou a defendê-lo, afirmou que os requisitos de “notório saber jurídico e conduta ilibada” estavam satisfeitos e participou de um jantar com ele na embarcação do então senador Wilder Morais, encontro que ganhou repercussão e ficou conhecido como “Love Boat”.
As declarações registram uma posição diferente daquela adotada posteriormente por Medeiros, que passou a questionar decisões de Moraes e chegou a participar da apresentação de pedidos de impeachment contra o ministro.
“Um dos maiores constitucionalistas”
Em 2016, Moraes era cotado para integrar o governo de Michel Temer, que assumiria a Presidência após o afastamento de Dilma Rousseff (PT). Naquele momento, ainda não havia indicação do jurista para ocupar uma cadeira no Supremo.
Da tribuna do Senado, Medeiros reagiu às críticas dirigidas a Moraes por sua atuação profissional como advogado de Eduardo Cunha. O parlamentar sustentou que a conduta atribuída a um cliente não deveria ser transferida ao advogado responsável por sua defesa.
“Não dá para confundir a conduta e tentar enxovalhar a postura desse grande advogado por causa dos seus clientes. Ele é um dos maiores constitucionalistas, independentemente se vai ser indicado ou não”, afirmou Medeiros.
O então senador também argumentou que defesa, acusação e magistratura cumprem funções distintas e indispensáveis ao funcionamento do processo judicial. Para ele, naquele contexto, havia uma tentativa de atingir a reputação profissional de Moraes em razão de clientes que havia representado.
“Eu quero fazer um reparo”, declarou Medeiros antes de iniciar sua manifestação. No discurso, ele ainda advertiu que trajetórias construídas durante anos poderiam sofrer danos rapidamente em períodos de forte polarização política.
Moraes acabou assumindo o Ministério da Justiça em maio de 2016. Em 6 de fevereiro de 2017, Michel Temer o indicou para a vaga no Supremo aberta após a morte do ministro Teori Zavascki. A indicação foi aprovada pelo Senado, Moraes foi nomeado em 22 de fevereiro e tomou posse em 22 de março daquele ano.
Medeiros esteve com Moraes no “Love Boat”
Entre a indicação e a aprovação pelo Senado ocorreu outro episódio envolvendo os dois. Em fevereiro de 2017, Medeiros participou de um jantar com Moraes na embarcação do então senador Wilder Morais. O encontro ficou conhecido como “Love Boat” e reuniu o indicado ao Supremo com parlamentares que participariam da análise de seu nome.
Diante da repercussão, Medeiros foi à tribuna explicar sua participação. Segundo ele, o encontro permitia que os senadores conversassem com Moraes antes de decidir sobre sua indicação e não representava compromisso automático de voto.
“Não fiz nada escondido e não vejo demérito algum em que um senador possa ouvir um ministro”, afirmou.
Foi durante essa manifestação que Medeiros voltou a elogiar as credenciais de Moraes. Ao analisar os requisitos para ocupar uma cadeira no Supremo, declarou: “Notório saber jurídico e conduta ilibada me parece que estão sobejamente satisfeitas”.
Medeiros também afirmou não enxergar, naquele momento, fatos que desabonassem a trajetória do indicado. “Pode não gostar dele ou dizer que não pode ser por isso ou por aquilo. Pode haver críticas. Agora, em nada o desabona até agora a sua conduta”, disse.
Anos depois, vieram pedidos de impeachment
O posicionamento político de Medeiros em relação a Moraes mudou nos anos seguintes. Já deputado federal pelo PL, passou a fazer críticas recorrentes a decisões do ministro e a questionar sua atuação no Supremo.
Em 2022, Medeiros e o então senador Lasier Martins apresentaram pedidos de impeachment contra Moraes após uma operação autorizada pelo ministro contra empresários investigados a partir de mensagens relacionadas a uma eventual ruptura institucional caso Jair Bolsonaro não fosse reeleito.
Os parlamentares alegaram crime de responsabilidade e abuso de autoridade e questionaram medidas determinadas no caso, entre elas buscas e apreensões, bloqueio de perfis em redes sociais e quebra de sigilo bancário. As acusações representavam a posição dos autores dos pedidos e não significaram reconhecimento judicial de irregularidade cometida pelo ministro.
Em outubro de 2025, Medeiros voltou a questionar a atuação relacionada a Moraes no plenário da Câmara e afirmou que as coisas estariam “totalmente fora da regularidade” no país. O parlamentar também direcionou críticas ao ministro ao tratar das decisões envolvendo réus dos atos de 8 de Janeiro.
Declarações antigas reaparecem em ano eleitoral
As manifestações feitas em 2016 e 2017 ganham novo contexto uma década depois, agora com Medeiros disputando uma vaga no Senado por Mato Grosso. Quando fez os elogios, o parlamentar estava filiado ao PSD. Atualmente, integra o PL e mantém uma postura crítica em relação a Moraes.
Os registros mostram uma mudança objetiva no teor das manifestações públicas de Medeiros ao longo dos anos, mas não permitem, isoladamente, determinar as razões que levaram o parlamentar a alterar sua avaliação sobre o ministro.
De um lado estão os discursos em que Medeiros classificou Moraes como “um dos maiores constitucionalistas”, considerou satisfeitos os requisitos para sua chegada ao Supremo e afirmou não enxergar conduta que o desabonasse naquele momento. Do outro, estão as manifestações posteriores nas quais passou a questionar decisões do magistrado e a apoiar pedidos para seu impeachment.
Fonte Olhar Direto
Publicado originalmente em infoverus.com.br



