BR-163, Oi e Banco Master: documentos mostram onde estruturas financeiras milionárias de MT se cruzam
MT Par aportou R$ 448,5 milhões no fundo usado na reestruturação da Rota do Oeste e Estado pagou R$ 308,1 milhões no acordo da Oi; Reag e Master reaparecem, em papéis e operações distintas, nas estruturas financeiras analisadas
Por Daniel Trindade8 min de leitura

Duas operações distintas envolvendo mais de R$ 750 milhões colocaram fundos e instituições financeiras no centro de questionamentos sobre o caminho de recursos públicos de Mato Grosso.
De um lado estão R$ 448,5 milhões aportados pela MT Participações e Projetos S.A. (MT Par) em um fundo criado para viabilizar a reestruturação financeira da concessionária da BR-163. Do outro, os R$ 308,1 milhões pagos pelo Governo de Mato Grosso em 2024 para encerrar a disputa tributária envolvendo a Oi, operação que agora está sob investigação da Polícia Federal.
Os casos têm origens, objetivos e cronologias diferentes. Mas documentos, investigações e informações apresentadas ao Senado mostram que instituições financeiras que aparecem em uma estrutura reaparecem, em funções distintas, na outra.
Na BR-163, o ponto central é a Reag.
Em 2023, quando Mato Grosso assumiu por meio da MT Par o controle da antiga Rota do Oeste, hoje Nova Rota do Oeste, a estatal estruturou o MT Par Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Não Padronizado (FIDC NP).
O fundo recebeu R$ 448,5 milhões da MT Par e foi utilizado para adquirir os créditos que sete instituições financeiras mantinham contra a concessionária.
A dívida original chegava a R$ 1,008 bilhão.
Documento do BNDES encaminhado ao Senado em 2026 registra a informação prestada pela concessionária de que o FIDC desembolsou R$ 447,8 milhões para comprar esses créditos, gerando deságio de aproximadamente R$ 560 milhões em relação ao valor de face.
A concessionária apresentou ainda o valor exato da operação: R$ 447.834.399,17 teriam sido transferidos aos bancos credores em 2 de maio de 2023.
O montante correspondia a 99,63% dos R$ 448,5 milhões integralizados pela MT Par. Segundo a resposta apresentada ao BNDES, o saldo restante foi utilizado nas primeiras despesas operacionais do fundo.
A Reag foi contratada para prestar serviços relacionados à estrutura financeira.
O Contrato nº 037/2023/MTPar previa serviços de administração, gestão, escrituração, custódia, controladoria e outras atividades relacionadas ao FIDC.
A relação passou a chamar atenção posteriormente, quando empresas e fundos ligados ao grupo Reag apareceram em investigações federais de outra natureza, entre elas apurações relacionadas ao conglomerado Banco Master.
Em janeiro de 2026, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF DTVM, nova denominação da Reag Trust DTVM.
Foi nesse contexto que a Assembleia Legislativa de Mato Grosso passou a cobrar explicações sobre o fundo.
Em março, requerimento apresentado pelo deputado estadual Lúdio Cabral (PT) e aprovado pela Assembleia solicitou informações detalhadas sobre os R$ 448,5 milhões, incluindo a composição da carteira, movimentações financeiras, direitos creditórios adquiridos, custodiantes e providências tomadas após os acontecimentos envolvendo a instituição responsável pela estrutura.
A documentação financeira do MT Par FIDC também revelou outra movimentação.
Demonstrações divulgadas pela imprensa registraram aproximadamente R$ 1,1 milhão aplicado no Money Market.
O mesmo Money Market recebeu aproximadamente R$ 845 mil do Murren 41, fundo relacionado ao Hans 95 em estruturas examinadas em outras apurações.
Esse é um ponto de contato financeiro documentado, mas limitado: a presença dos dois fundos como investidores do Money Market não estabelece transferência de recursos entre MT Par FIDC e Murren 41.
Enquanto os questionamentos sobre a BR-163 avançavam, outra estrutura financeira envolvendo valores ainda maiores entrou definitivamente no radar da Polícia Federal.
É o caso Oi.
Em 2024, o Governo de Mato Grosso pagou R$ 308.123.595,50 para encerrar uma disputa tributária iniciada em 2009.
A Oi havia vendido anteriormente os direitos sobre o crédito ao escritório Ricardo Almeida Advogados Associados por R$ 80 milhões.
Depois do acordo com o Estado, os pagamentos passaram a ser destinados aos fundos Royal Capital FIDC e Lotte Word FIDC, aproximadamente metade para cada um.
A investigação da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal em 6 de agosto de 2026, passou a rastrear uma cadeia de 15 fundos relacionada à circulação posterior desses recursos.
É nessa cadeia que o Banco Master aparece de forma documental.
A Master S.A. CCTVM, instituição integrante do conglomerado Master, administrou fundos que aparecem na estrutura examinada pela Polícia Federal, entre eles Royal Capital, Lotte Word, Zurich, London e Coliseu.
Sefer e Reag também aparecem em outras etapas da cadeia financeira analisada, inclusive em estruturas relacionadas ao Venture Finance.
Isso não significa que os R$ 448,5 milhões da BR-163 e os R$ 308,1 milhões da Oi tenham percorrido o mesmo caminho.
Mas significa que instituições que aparecem no sistema financeiro utilizado em uma operação voltam a aparecer, em posições diferentes, nas estruturas investigadas em outra.
A aproximação entre os casos ganhou dimensão nacional em 25 de março deste ano.
Em depoimento à CPI do Crime Organizado no Senado, o ex-governador Pedro Taques afirmou que Mato Grosso teria repassado pelo menos R$ 755 milhões a estruturas relacionadas ao Banco Master desde 2023.
Taques dividiu sua acusação principalmente em duas grandes operações: os R$ 308 milhões do acordo da Oi e aproximadamente R$ 447 milhões relacionados ao fundo utilizado na reestruturação da BR-163.
A cifra de R$ 755 milhões e a afirmação de que esse conjunto representa repasses a estruturas ligadas ao Master são conclusões apresentadas por Pedro Taques à CPI, e não uma conclusão da Polícia Federal sobre a operação da BR-163.
A documentação produzida posteriormente trouxe um contraponto importante sobre os R$ 448,5 milhões.
Depois dos questionamentos feitos no Senado, o BNDES solicitou explicações à concessionária.
A Nova Rota do Oeste informou que o FIDC tinha finalidade específica de equacionar a dívida de R$ 1,008 bilhão com os sete bancos credores e afirmou que R$ 447.834.399,17 foram efetivamente transferidos às instituições financeiras em 2 de maio de 2023.
A concessionária sustentou ainda que os débitos posteriores registrados no extrato correspondiam a taxas de administração, custódia e gestão, pagamentos à CVM e à Anbima e outros serviços operacionais.
Na resposta reproduzida pelo BNDES, a empresa afirmou que nenhum recurso do FIDC MT Par NP transitou por estruturas investigadas.
O documento estabelece uma diferença importante entre a acusação política apresentada meses antes e aquilo que a concessionária posteriormente apresentou como destino dos recursos.
No caso da Oi, o cenário é diferente.
A circulação posterior dos R$ 308,1 milhões está efetivamente sob investigação criminal.
A decisão que autorizou a Operação Heritage determinou bloqueio de bens até o valor do acordo, quebras de sigilo bancário e fiscal e outras medidas destinadas justamente a esclarecer o caminho percorrido pelo dinheiro depois do pagamento realizado pelo Estado.
A Polícia Federal investiga uma cadeia de 15 fundos e possíveis crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa e uso indevido de informação privilegiada.
As medidas são cautelares e não representam condenação dos investigados.
Há ainda outro ponto de contato entre Master e Reag fora das duas operações de Mato Grosso.
Em investigação distinta, a Operação Compliance Zero apura operações atribuídas ao conglomerado Master envolvendo carteiras de crédito, empréstimos e fundos administrados pela Reag.
Esse contexto explica por que os mesmos nomes passaram a aparecer conjuntamente no debate público, mas não transforma automaticamente todas as operações administradas por essas instituições em partes de um mesmo esquema.
A CPI do Crime Organizado também não chegou a uma conclusão definitiva sobre a tese apresentada por Taques.
O relatório apresentado pelo senador Alessandro Vieira reproduziu a estimativa dos R$ 755 milhões, mas registrou que não houve tempo suficiente para uma conclusão definitiva. O texto acabou rejeitado por seis votos a quatro e a CPI encerrou seus trabalhos sem relatório final aprovado.
O quadro documental que existe hoje é, portanto, mais preciso do que uma simples soma de R$ 755 milhões.
Na BR-163, há R$ 448,5 milhões aportados pela MT Par em um FIDC estruturado com participação da Reag. A concessionária afirma, em documentação encaminhada ao BNDES, que R$ 447,8 milhões foram diretamente aos sete bancos credores para adquirir uma dívida de R$ 1,008 bilhão.
No caso Oi, há R$ 308,1 milhões pagos pelo Estado, dois fundos que receberam diretamente os pagamentos e uma cadeia de 15 fundos posteriormente rastreada pela Polícia Federal. A Master S.A. CCTVM e instituições como Sefer/Reag aparecem em diferentes pontos dessa estrutura.
No caso Master, há investigações próprias sobre o conglomerado e suas relações financeiras com estruturas administradas pela Reag.
São três histórias que se aproximam por instituições, fundos e personagens do sistema financeiro, mas que não podem ser tratadas como se fossem uma única operação.
A conexão documental mais clara entre BR-163 e esse universo financeiro é a contratação da Reag para a estrutura do FIDC da MT Par.
A conexão documental do Master com o caso Oi é mais direta: a Master S.A. CCTVM administrou fundos integrantes da cadeia financeira hoje examinada pela Operação Heritage.
Já a afirmação de que os R$ 448,5 milhões da BR-163 também constituíram um repasse a estruturas ligadas ao Banco Master continua sendo uma acusação apresentada por Pedro Taques à CPI e contestada pela documentação posteriormente apresentada pela concessionária ao BNDES.
É justamente essa diferença entre o que está comprovado documentalmente, o que está sob investigação e o que permanece como acusação que delimita, até agora, onde BR-163, Oi, Reag e Banco Master efetivamente se encontram.
O espaço permanece aberto ao Governo de Mato Grosso, à MT Par, à Nova Rota do Oeste e às demais pessoas e instituições citadas para manifestação e apresentação de novos documentos.
De um lado estão R$ 448,5 milhões aportados pela MT Participações e Projetos S.A. (MT Par) em um fundo criado para viabilizar a reestruturação financeira da concessionária da BR-163. Do outro, os R$ 308,1 milhões pagos pelo Governo de Mato Grosso em 2024 para encerrar a disputa tributária envolvendo a Oi, operação que agora está sob investigação da Polícia Federal.
Os casos têm origens, objetivos e cronologias diferentes. Mas documentos, investigações e informações apresentadas ao Senado mostram que instituições financeiras que aparecem em uma estrutura reaparecem, em funções distintas, na outra.
Na BR-163, o ponto central é a Reag.
Em 2023, quando Mato Grosso assumiu por meio da MT Par o controle da antiga Rota do Oeste, hoje Nova Rota do Oeste, a estatal estruturou o MT Par Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Não Padronizado (FIDC NP).
O fundo recebeu R$ 448,5 milhões da MT Par e foi utilizado para adquirir os créditos que sete instituições financeiras mantinham contra a concessionária.
A dívida original chegava a R$ 1,008 bilhão.
Documento do BNDES encaminhado ao Senado em 2026 registra a informação prestada pela concessionária de que o FIDC desembolsou R$ 447,8 milhões para comprar esses créditos, gerando deságio de aproximadamente R$ 560 milhões em relação ao valor de face.
A concessionária apresentou ainda o valor exato da operação: R$ 447.834.399,17 teriam sido transferidos aos bancos credores em 2 de maio de 2023.
O montante correspondia a 99,63% dos R$ 448,5 milhões integralizados pela MT Par. Segundo a resposta apresentada ao BNDES, o saldo restante foi utilizado nas primeiras despesas operacionais do fundo.
A Reag foi contratada para prestar serviços relacionados à estrutura financeira.
O Contrato nº 037/2023/MTPar previa serviços de administração, gestão, escrituração, custódia, controladoria e outras atividades relacionadas ao FIDC.
A relação passou a chamar atenção posteriormente, quando empresas e fundos ligados ao grupo Reag apareceram em investigações federais de outra natureza, entre elas apurações relacionadas ao conglomerado Banco Master.
Em janeiro de 2026, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF DTVM, nova denominação da Reag Trust DTVM.
Foi nesse contexto que a Assembleia Legislativa de Mato Grosso passou a cobrar explicações sobre o fundo.
Em março, requerimento apresentado pelo deputado estadual Lúdio Cabral (PT) e aprovado pela Assembleia solicitou informações detalhadas sobre os R$ 448,5 milhões, incluindo a composição da carteira, movimentações financeiras, direitos creditórios adquiridos, custodiantes e providências tomadas após os acontecimentos envolvendo a instituição responsável pela estrutura.
A documentação financeira do MT Par FIDC também revelou outra movimentação.
Demonstrações divulgadas pela imprensa registraram aproximadamente R$ 1,1 milhão aplicado no Money Market.
O mesmo Money Market recebeu aproximadamente R$ 845 mil do Murren 41, fundo relacionado ao Hans 95 em estruturas examinadas em outras apurações.
Esse é um ponto de contato financeiro documentado, mas limitado: a presença dos dois fundos como investidores do Money Market não estabelece transferência de recursos entre MT Par FIDC e Murren 41.
Enquanto os questionamentos sobre a BR-163 avançavam, outra estrutura financeira envolvendo valores ainda maiores entrou definitivamente no radar da Polícia Federal.
É o caso Oi.
Em 2024, o Governo de Mato Grosso pagou R$ 308.123.595,50 para encerrar uma disputa tributária iniciada em 2009.
A Oi havia vendido anteriormente os direitos sobre o crédito ao escritório Ricardo Almeida Advogados Associados por R$ 80 milhões.
Depois do acordo com o Estado, os pagamentos passaram a ser destinados aos fundos Royal Capital FIDC e Lotte Word FIDC, aproximadamente metade para cada um.
A investigação da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal em 6 de agosto de 2026, passou a rastrear uma cadeia de 15 fundos relacionada à circulação posterior desses recursos.
É nessa cadeia que o Banco Master aparece de forma documental.
A Master S.A. CCTVM, instituição integrante do conglomerado Master, administrou fundos que aparecem na estrutura examinada pela Polícia Federal, entre eles Royal Capital, Lotte Word, Zurich, London e Coliseu.
Sefer e Reag também aparecem em outras etapas da cadeia financeira analisada, inclusive em estruturas relacionadas ao Venture Finance.
Isso não significa que os R$ 448,5 milhões da BR-163 e os R$ 308,1 milhões da Oi tenham percorrido o mesmo caminho.
Mas significa que instituições que aparecem no sistema financeiro utilizado em uma operação voltam a aparecer, em posições diferentes, nas estruturas investigadas em outra.
A aproximação entre os casos ganhou dimensão nacional em 25 de março deste ano.
Em depoimento à CPI do Crime Organizado no Senado, o ex-governador Pedro Taques afirmou que Mato Grosso teria repassado pelo menos R$ 755 milhões a estruturas relacionadas ao Banco Master desde 2023.
Taques dividiu sua acusação principalmente em duas grandes operações: os R$ 308 milhões do acordo da Oi e aproximadamente R$ 447 milhões relacionados ao fundo utilizado na reestruturação da BR-163.
A cifra de R$ 755 milhões e a afirmação de que esse conjunto representa repasses a estruturas ligadas ao Master são conclusões apresentadas por Pedro Taques à CPI, e não uma conclusão da Polícia Federal sobre a operação da BR-163.
A documentação produzida posteriormente trouxe um contraponto importante sobre os R$ 448,5 milhões.
Depois dos questionamentos feitos no Senado, o BNDES solicitou explicações à concessionária.
A Nova Rota do Oeste informou que o FIDC tinha finalidade específica de equacionar a dívida de R$ 1,008 bilhão com os sete bancos credores e afirmou que R$ 447.834.399,17 foram efetivamente transferidos às instituições financeiras em 2 de maio de 2023.
A concessionária sustentou ainda que os débitos posteriores registrados no extrato correspondiam a taxas de administração, custódia e gestão, pagamentos à CVM e à Anbima e outros serviços operacionais.
Na resposta reproduzida pelo BNDES, a empresa afirmou que nenhum recurso do FIDC MT Par NP transitou por estruturas investigadas.
O documento estabelece uma diferença importante entre a acusação política apresentada meses antes e aquilo que a concessionária posteriormente apresentou como destino dos recursos.
No caso da Oi, o cenário é diferente.
A circulação posterior dos R$ 308,1 milhões está efetivamente sob investigação criminal.
A decisão que autorizou a Operação Heritage determinou bloqueio de bens até o valor do acordo, quebras de sigilo bancário e fiscal e outras medidas destinadas justamente a esclarecer o caminho percorrido pelo dinheiro depois do pagamento realizado pelo Estado.
A Polícia Federal investiga uma cadeia de 15 fundos e possíveis crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa e uso indevido de informação privilegiada.
As medidas são cautelares e não representam condenação dos investigados.
Há ainda outro ponto de contato entre Master e Reag fora das duas operações de Mato Grosso.
Em investigação distinta, a Operação Compliance Zero apura operações atribuídas ao conglomerado Master envolvendo carteiras de crédito, empréstimos e fundos administrados pela Reag.
Esse contexto explica por que os mesmos nomes passaram a aparecer conjuntamente no debate público, mas não transforma automaticamente todas as operações administradas por essas instituições em partes de um mesmo esquema.
A CPI do Crime Organizado também não chegou a uma conclusão definitiva sobre a tese apresentada por Taques.
O relatório apresentado pelo senador Alessandro Vieira reproduziu a estimativa dos R$ 755 milhões, mas registrou que não houve tempo suficiente para uma conclusão definitiva. O texto acabou rejeitado por seis votos a quatro e a CPI encerrou seus trabalhos sem relatório final aprovado.
O quadro documental que existe hoje é, portanto, mais preciso do que uma simples soma de R$ 755 milhões.
Na BR-163, há R$ 448,5 milhões aportados pela MT Par em um FIDC estruturado com participação da Reag. A concessionária afirma, em documentação encaminhada ao BNDES, que R$ 447,8 milhões foram diretamente aos sete bancos credores para adquirir uma dívida de R$ 1,008 bilhão.
No caso Oi, há R$ 308,1 milhões pagos pelo Estado, dois fundos que receberam diretamente os pagamentos e uma cadeia de 15 fundos posteriormente rastreada pela Polícia Federal. A Master S.A. CCTVM e instituições como Sefer/Reag aparecem em diferentes pontos dessa estrutura.
No caso Master, há investigações próprias sobre o conglomerado e suas relações financeiras com estruturas administradas pela Reag.
São três histórias que se aproximam por instituições, fundos e personagens do sistema financeiro, mas que não podem ser tratadas como se fossem uma única operação.
A conexão documental mais clara entre BR-163 e esse universo financeiro é a contratação da Reag para a estrutura do FIDC da MT Par.
A conexão documental do Master com o caso Oi é mais direta: a Master S.A. CCTVM administrou fundos integrantes da cadeia financeira hoje examinada pela Operação Heritage.
Já a afirmação de que os R$ 448,5 milhões da BR-163 também constituíram um repasse a estruturas ligadas ao Banco Master continua sendo uma acusação apresentada por Pedro Taques à CPI e contestada pela documentação posteriormente apresentada pela concessionária ao BNDES.
É justamente essa diferença entre o que está comprovado documentalmente, o que está sob investigação e o que permanece como acusação que delimita, até agora, onde BR-163, Oi, Reag e Banco Master efetivamente se encontram.
O espaço permanece aberto ao Governo de Mato Grosso, à MT Par, à Nova Rota do Oeste e às demais pessoas e instituições citadas para manifestação e apresentação de novos documentos.
Publicado originalmente em deixaqueeuteconto.com.br



