Cunhado de Vorcaro transferiu R$ 19,2 milhões para igreja de André Valadão em menos de um ano
Fabiano Zettel realizou 26 transferências para a Igreja Batista da Lagoinha Belvedere e respondeu por mais de dois terços dos R$ 28,6 milhões recebidos pela instituição no período analisado
4 min de leitura

O empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, transferiu R$ 19,205 milhões para a Igreja Batista da Lagoinha Belvedere em um intervalo inferior a um ano, segundo relatórios encaminhados ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Os documentos foram tornados públicos pelo ministro André Mendonça no âmbito de uma petição que trata de pagamentos efetuados por Vorcaro.
As operações ocorreram entre 24 de dezembro de 2024 e 8 de dezembro de 2025 e foram reveladas pela coluna do jornalista Demétrio Vecchioli, do Metrópoles. Ao todo, Zettel realizou 26 transferências destinadas à instituição ligada ao pastor André Valadão, aparecendo com larga vantagem como o principal remetente de recursos identificado no levantamento.
O peso das transferências chama atenção diante do volume financeiro movimentado pela própria igreja no período analisado. Conforme os dados apresentados, a Lagoinha Belvedere recebeu R$ 28,6 milhões, dos quais R$ 19,205 milhões tiveram Zettel como origem. Isso significa que as operações atribuídas ao empresário correspondem a mais de dois terços do total recebido pela instituição no intervalo abrangido pelo relatório.
Zettel lidera movimentações com ampla diferença
Nenhum outro nome identificado no documento se aproxima dos valores transferidos por Fabiano Zettel. O empresário aparece no topo da relação de remetentes relevantes e movimentou para a igreja uma quantia superior em mais de 22 vezes àquela atribuída ao segundo colocado.
O relatório registra as operações bancárias realizadas no período, mas, conforme as informações divulgadas, não detalha individualmente a finalidade de cada uma das 26 transferências. A existência das movimentações financeiras, portanto, não permite concluir, por si só, que tenha ocorrido qualquer irregularidade.
O segundo maior remetente identificado foi Lucas Fernandez Novais Cabaleiro, descrito como vendedor. Ele realizou 18 transferências que, somadas, chegaram a R$ 843 mil destinados à Lagoinha Belvedere.
A distância entre os dois valores dimensiona a participação de Zettel no fluxo financeiro analisado. Enquanto Cabaleiro permaneceu abaixo de R$ 1 milhão, o cunhado de Vorcaro superou a marca de R$ 19 milhões em menos de 12 meses.
Relatório teve origem em dados do Banco do Brasil
Os documentos relacionados à Igreja Batista da Lagoinha Belvedere foram produzidos a partir de informações do Banco do Brasil e posteriormente encaminhados ao Coaf. O material acabou tornando-se público por decisão do ministro André Mendonça dentro da petição relacionada aos pagamentos atribuídos a Daniel Vorcaro.
A igreja passou a manter uma conta no Banco do Brasil em outubro de 2025, já próximo ao fim do intervalo abrangido pelo levantamento. O relatório, entretanto, também incorporou transferências recebidas em outras contas pertencentes à própria instituição, permitindo alcançar o montante total de R$ 28,6 milhões.
Com isso, o documento oferece uma visão mais ampla dos recursos recebidos pela Lagoinha Belvedere durante o período examinado, e não apenas daqueles que transitaram pela conta aberta mais recentemente no Banco do Brasil.
Cunhado de Vorcaro também foi grande doador eleitoral
Fabiano Zettel já havia ganhado projeção por causa do volume de recursos destinados ao financiamento eleitoral. Nas eleições de 2022, ele figurou como o maior doador individual das campanhas de Jair Bolsonaro (PL) à Presidência da República e de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao Governo de São Paulo.
Agora, seu nome volta a aparecer em documentos financeiros, desta vez relacionado às transferências para a Igreja Batista da Lagoinha Belvedere. A instituição é ligada ao pastor André Valadão, um dos nomes de maior projeção pública da denominação.
A relação familiar com Daniel Vorcaro também aumenta a atenção sobre as movimentações diante da petição em que os relatórios foram divulgados. Zettel é cunhado do banqueiro, mas os dados apresentados sobre as transferências à igreja devem ser analisados separadamente de eventuais acusações dirigidas a Vorcaro, uma vez que o simples parentesco não estabelece responsabilidade compartilhada.
“Sicário” também aparece entre remetentes
Outro nome identificado entre as operações consideradas relevantes é o de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”. No documento, ele aparece descrito profissionalmente como “do lar” e teria realizado 11 transferências, que somaram R$ 22 mil.
O montante atribuído a Sicário é muito inferior aos valores enviados por Zettel e Cabaleiro. Os demais responsáveis por transferências de menor valor não tiveram seus nomes apresentados na relação divulgada.
A presença dos diferentes remetentes compõe o conjunto de informações bancárias reunidas no relatório. O documento registra valores, quantidade de operações e identificação de alguns responsáveis pelas transferências, mas não estabelece, somente com esses dados, eventual natureza ilícita das movimentações.
R$ 19,2 milhões em 26 transferências
No caso de Zettel, a combinação entre frequência e volume é o principal destaque dos registros. Foram 26 transferências em menos de um ano, totalizando precisamente R$ 19,205 milhões destinados à instituição religiosa.
O montante representa aproximadamente 67% dos R$ 28,6 milhões recebidos pela igreja no período considerado pelo levantamento. Em outras palavras, de cada R$ 3 que ingressaram nas contas abrangidas pelo relatório, cerca de R$ 2 tiveram origem nas transferências atribuídas ao empresário.
Os dados agora tornados públicos mostram a dimensão financeira das operações, mas não especificam a motivação de cada pagamento. Até onde indicam as informações apresentadas no relatório, não há, apenas pelo registro dessas transferências, conclusão de que as doações ou movimentações destinadas à Igreja Batista da Lagoinha Belvedere tenham sido irregulares.
As operações ocorreram entre 24 de dezembro de 2024 e 8 de dezembro de 2025 e foram reveladas pela coluna do jornalista Demétrio Vecchioli, do Metrópoles. Ao todo, Zettel realizou 26 transferências destinadas à instituição ligada ao pastor André Valadão, aparecendo com larga vantagem como o principal remetente de recursos identificado no levantamento.
O peso das transferências chama atenção diante do volume financeiro movimentado pela própria igreja no período analisado. Conforme os dados apresentados, a Lagoinha Belvedere recebeu R$ 28,6 milhões, dos quais R$ 19,205 milhões tiveram Zettel como origem. Isso significa que as operações atribuídas ao empresário correspondem a mais de dois terços do total recebido pela instituição no intervalo abrangido pelo relatório.
Zettel lidera movimentações com ampla diferença
Nenhum outro nome identificado no documento se aproxima dos valores transferidos por Fabiano Zettel. O empresário aparece no topo da relação de remetentes relevantes e movimentou para a igreja uma quantia superior em mais de 22 vezes àquela atribuída ao segundo colocado.
O relatório registra as operações bancárias realizadas no período, mas, conforme as informações divulgadas, não detalha individualmente a finalidade de cada uma das 26 transferências. A existência das movimentações financeiras, portanto, não permite concluir, por si só, que tenha ocorrido qualquer irregularidade.
O segundo maior remetente identificado foi Lucas Fernandez Novais Cabaleiro, descrito como vendedor. Ele realizou 18 transferências que, somadas, chegaram a R$ 843 mil destinados à Lagoinha Belvedere.
A distância entre os dois valores dimensiona a participação de Zettel no fluxo financeiro analisado. Enquanto Cabaleiro permaneceu abaixo de R$ 1 milhão, o cunhado de Vorcaro superou a marca de R$ 19 milhões em menos de 12 meses.
Relatório teve origem em dados do Banco do Brasil
Os documentos relacionados à Igreja Batista da Lagoinha Belvedere foram produzidos a partir de informações do Banco do Brasil e posteriormente encaminhados ao Coaf. O material acabou tornando-se público por decisão do ministro André Mendonça dentro da petição relacionada aos pagamentos atribuídos a Daniel Vorcaro.
A igreja passou a manter uma conta no Banco do Brasil em outubro de 2025, já próximo ao fim do intervalo abrangido pelo levantamento. O relatório, entretanto, também incorporou transferências recebidas em outras contas pertencentes à própria instituição, permitindo alcançar o montante total de R$ 28,6 milhões.
Com isso, o documento oferece uma visão mais ampla dos recursos recebidos pela Lagoinha Belvedere durante o período examinado, e não apenas daqueles que transitaram pela conta aberta mais recentemente no Banco do Brasil.
Cunhado de Vorcaro também foi grande doador eleitoral
Fabiano Zettel já havia ganhado projeção por causa do volume de recursos destinados ao financiamento eleitoral. Nas eleições de 2022, ele figurou como o maior doador individual das campanhas de Jair Bolsonaro (PL) à Presidência da República e de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao Governo de São Paulo.
Agora, seu nome volta a aparecer em documentos financeiros, desta vez relacionado às transferências para a Igreja Batista da Lagoinha Belvedere. A instituição é ligada ao pastor André Valadão, um dos nomes de maior projeção pública da denominação.
A relação familiar com Daniel Vorcaro também aumenta a atenção sobre as movimentações diante da petição em que os relatórios foram divulgados. Zettel é cunhado do banqueiro, mas os dados apresentados sobre as transferências à igreja devem ser analisados separadamente de eventuais acusações dirigidas a Vorcaro, uma vez que o simples parentesco não estabelece responsabilidade compartilhada.
“Sicário” também aparece entre remetentes
Outro nome identificado entre as operações consideradas relevantes é o de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”. No documento, ele aparece descrito profissionalmente como “do lar” e teria realizado 11 transferências, que somaram R$ 22 mil.
O montante atribuído a Sicário é muito inferior aos valores enviados por Zettel e Cabaleiro. Os demais responsáveis por transferências de menor valor não tiveram seus nomes apresentados na relação divulgada.
A presença dos diferentes remetentes compõe o conjunto de informações bancárias reunidas no relatório. O documento registra valores, quantidade de operações e identificação de alguns responsáveis pelas transferências, mas não estabelece, somente com esses dados, eventual natureza ilícita das movimentações.
R$ 19,2 milhões em 26 transferências
No caso de Zettel, a combinação entre frequência e volume é o principal destaque dos registros. Foram 26 transferências em menos de um ano, totalizando precisamente R$ 19,205 milhões destinados à instituição religiosa.
O montante representa aproximadamente 67% dos R$ 28,6 milhões recebidos pela igreja no período considerado pelo levantamento. Em outras palavras, de cada R$ 3 que ingressaram nas contas abrangidas pelo relatório, cerca de R$ 2 tiveram origem nas transferências atribuídas ao empresário.
Os dados agora tornados públicos mostram a dimensão financeira das operações, mas não especificam a motivação de cada pagamento. Até onde indicam as informações apresentadas no relatório, não há, apenas pelo registro dessas transferências, conclusão de que as doações ou movimentações destinadas à Igreja Batista da Lagoinha Belvedere tenham sido irregulares.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



