Estruturas de campanha em MT viram comitês pró-Flávio com meta de buscar 100 mil votos
Republicanos, Podemos, União Progressistas e PSDB definem estratégia descentralizada para ampliar votação do candidato do PL no segundo turno

As estruturas montadas por partidos e candidatos aliados durante o primeiro turno em Mato Grosso serão reaproveitadas na campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Republicanos, Podemos, União Progressistas e PSDB participaram, nesta segunda-feira (6), da primeira reunião da frente suprapartidária criada para o segundo turno e definiram que comitês, equipes e redes de mobilização serão colocados à disposição da candidatura.
A meta estabelecida pelo grupo é acrescentar pelo menos 100 mil votos à votação de Flávio Bolsonaro em Mato Grosso. Para isso, a estratégia será descentralizada, com cada grupo utilizando as próprias equipes, contatos políticos, redes sociais e estruturas já construídas durante a disputa por Governo, Senado, Câmara Federal e Assembleia Legislativa.
Casa 10 passa a ser Casa 22
O principal símbolo da mudança será a antiga Casa 10, comitê central utilizado na campanha de Otaviano Pivetta (Republicanos) ao Governo de Mato Grosso. Segundo o coordenador da frente, Odílio Balbinotti, o governador autorizou que o espaço seja transformado em uma base da campanha presidencial de Flávio.
“O Pivetta já autorizou e a Casa 10 se torna, a partir de agora, Casa 22. Ou seja, todos os comitês vão virar comitês pró-Bolsonaro”, afirmou Balbinotti.
Pivetta foi reeleito governador no primeiro turno com 1.128.099 votos, o equivalente a 60,77% dos votos válidos, e venceu nos 142 municípios de Mato Grosso.
A ideia agora é aproveitar justamente as estruturas que permaneceram funcionando após o encerramento das campanhas estaduais e proporcionais. Em vez de desmontar equipes e espaços, os partidos pretendem redirecionar essa capacidade de mobilização para a disputa presidencial.
Estratégia será descentralizada
A frente decidiu não concentrar todas as ações em uma única coordenação. A proposta é manter cada grupo responsável por sua própria estrutura e utilizar a experiência adquirida durante o primeiro turno para ampliar a presença de Flávio nos municípios.
Segundo Balbinotti, a descentralização permite explorar a capacidade de comunicação e mobilização de candidatos que já passaram pelo processo eleitoral e saíram vitoriosos.
“Todo mundo ali é especialista em campanha, tanto que foram eleitos. Nós vamos deixar a estratégia descentralizada, usando a capacidade de comunicação de cada um desses candidatos para fazer a distribuição dos materiais”, explicou.
A articulação reúne lideranças que estiveram em campos diferentes durante parte do primeiro turno estadual, mas que passaram a se aproximar em torno da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Nos últimos dias da campanha, integrantes do PL participaram de atos de Pivetta, mesmo com Wellington Fagundes concorrendo ao Governo pelo próprio partido.
Grupo quer buscar votos que ficaram fora do segundo turno
A principal aposta da frente está nos eleitores que, no primeiro turno, escolheram candidatos presidenciais que não avançaram para a etapa final da eleição.
Segundo Balbinotti, esse grupo representa mais de 100 mil votos em Mato Grosso que não foram destinados a Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A estratégia é tentar atrair esse eleitorado para Flávio no segundo turno.
“São mais de 100 mil votos que foram dados para candidatos de outros partidos e não para o Lula. Nós queremos buscar esses 100 mil votos para o Flávio aqui e dar essa colaboração para a campanha nacional”, afirmou.
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro recebeu 56,1 milhões de votos no país, correspondentes a 47,03% dos votos válidos. Lula teve 53,8 milhões, ou 45,16%. A decisão da eleição ocorrerá no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Reduzir abstenção também entra na estratégia
Além de buscar votos de candidatos que ficaram pelo caminho, a frente pretende atuar sobre os eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno.
A redução da abstenção foi apontada por Balbinotti como uma das prioridades para a segunda etapa da campanha. A estratégia ainda será definida em detalhes, mas a coordenação pretende trabalhar pela conscientização dos eleitores sobre a importância da votação.
“Com certeza, isso é um dos nossos grandes objetivos. O ‘como’ fazer é sempre complicado, mas vamos tentar pela conscientização da importância dessa eleição”, disse.
Com a transformação dos antigos comitês e equipes em estruturas voltadas à eleição presidencial, a articulação pretende ampliar a presença de Flávio Bolsonaro em Mato Grosso e transformar o resultado estadual em uma contribuição maior para a disputa nacional.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



