Investigações do Master e fraude no INSS ficam travadas no STF e PF segura novas diligências
Envio dos processos ao gabinete de Edson Fachin criou impasse sobre a condução dos casos; enquanto Supremo não define relatoria, investigadores evitam novos pedidos de buscas, apreensões e quebras de sigilo
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As investigações relacionadas ao Banco Master e ao esquema de fraudes no INSS entraram em um período de indefinição no Supremo Tribunal Federal (STF), levando a Polícia Federal a adotar cautela antes de solicitar novas diligências. O impasse se aprofundou depois que o presidente da Corte, Edson Fachin, determinou que os processos fossem remetidos à Presidência do tribunal em meio aos questionamentos sobre a atuação do relator, André Mendonça.
Embora Mendonça permaneça formalmente como relator dos procedimentos, Fachin passou a analisar os processos depois da escalada da crise interna no Supremo. Segundo O Globo, o presidente da Corte chegou a ser aconselhado a assumir a relatoria diante do conflito instalado entre ministros e dos questionamentos que passaram a atingir a condução das investigações.
O cenário poderá ser discutido novamente no próximo dia 23, quando está prevista a análise de um procedimento aberto após Alexandre de Moraes acusar Mendonça de supostos atos de improbidade administrativa, crimes de responsabilidade e abuso de autoridade na condução das apurações do caso Master. Há, entretanto, possibilidade de adiamento dessa discussão, conforme relatado pelo jornal.
PF evita novas buscas e quebras de sigilo
Enquanto o STF não define quem efetivamente conduzirá os procedimentos, a Polícia Federal continua examinando documentos e informações obtidos nas etapas anteriores. A avaliação interna, porém, é de que novos pedidos que dependam de autorização judicial — como buscas e apreensões e quebras de sigilo — deverão aguardar uma definição do Supremo.
O entendimento é que novas solicitações poderiam ficar represadas porque os processos estão atualmente sob análise do presidente da Corte, enquanto Mendonça continua formalmente responsável pela relatoria.
Apesar do impasse, duas frentes consideradas mais avançadas continuam sendo trabalhadas pelos investigadores. Uma apura uma suposta propina a servidores do Banco Central. A outra envolve a chamada “Turma”, grupo que, segundo a investigação, teria sido acionado por Daniel Vorcaro para monitorar desafetos e acessar informações sigilosas de procedimentos da PF e do Ministério Público Federal.
Esses dois inquéritos já contam com material recolhido anteriormente e, segundo a reportagem, não dependem de novas diligências para serem concluídos.
Advogados também questionam a quem recorrer
A indefinição chegou às defesas dos investigados. Advogados relatam dúvidas sobre para quem devem encaminhar petições e documentos: Fachin, que recebeu os processos, ou Mendonça, que formalmente permanece como relator.
Algumas defesas também avaliam apresentar pedidos de soltura e de cancelamento de mandados a partir das discussões ocorridas no julgamento desta semana. Um dos argumentos avaliados é que o debate no plenário teria exposto divergências e questionamentos sobre a própria condução das investigações.
A defesa de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, já pediu a Fachin que reveja a suspensão de um dos procedimentos e permita a retomada da tramitação sob responsabilidade do relator original. O objetivo é possibilitar a análise de um recurso contra a prisão.
Os advogados afirmam que Henrique está preso há mais de 90 dias e sustentam que não houve nova fundamentação para manter a medida nesse período. A defesa também alega que ele sofre de diverticulite recorrente e utiliza a condição de saúde como um dos argumentos para pedir a análise da situação.
Mensagens de Vorcaro ampliaram crise
A disputa no Supremo se intensificou após Mendonça apresentar um relatório da Polícia Federal que apontava Moraes como interlocutor atribuído a 52 mensagens enviadas por Daniel Vorcaro. Entre os diálogos apresentados estava uma mensagem em que o banqueiro perguntava: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”.
A mensagem teria sido enviada na véspera da prisão de Vorcaro, ocorrida em novembro de 2025, quando ele tentava embarcar em um voo com destino a Dubai, nos Emirados Árabes.
A discussão sobre o material chegou ao plenário, mas foi interrompida depois que o ministro Flávio Dino pediu vista. Os ministros analisavam uma questão de ordem que poderia repercutir na organização dos diferentes procedimentos, inclusive com a possibilidade de reunião dos casos e eventual redistribuição para outro relator.
Com o pedido de vista, não há uma definição imediata. Dino dispõe de até 90 dias para devolver o processo, embora possa fazê-lo antes. Paralelamente, Fachin terá de decidir qual será o destino das investigações encaminhadas à Presidência.
Disputa entre Mendonça e direção da PF
O impasse também envolve o relacionamento entre Mendonça e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Segundo a reportagem, equipes técnicas da corporação já demonstravam preocupação com o aumento das divergências.
A tensão cresceu depois que Mendonça determinou o afastamento de Andrei do comando da PF. A medida, contudo, teve curta duração: Flávio Dino determinou a reintegração do diretor-geral, contrariando a decisão do colega.
Na sequência, Fachin suspendeu as decisões tomadas por Dino e Mendonça e levou os procedimentos envolvendo o Master e o INSS para seu gabinete.
Outro ponto de preocupação dentro da PF é a possibilidade de as disputas processuais produzirem questionamentos futuros sobre a validade das provas. Investigadores avaliam que argumentos levantados durante o julgamento poderão ser utilizados pelas defesas para pedir a anulação de atos das investigações.
Entre os pontos discutidos está uma alegação apresentada por Moraes sobre possível falha na cadeia de custódia das provas, conjunto de procedimentos destinado a registrar e preservar a integridade dos vestígios utilizados em uma investigação.
Crise coloca Moraes e Mendonça sob questionamentos
A origem do conflito está no material extraído do celular de Daniel Vorcaro. Por determinação de Mendonça, a Polícia Federal produziu um relatório a partir dos dados apreendidos e apontou Moraes como um dos interlocutores atribuídos ao banqueiro.
Mendonça encaminhou posteriormente o documento à Procuradoria-Geral da República (PGR). A Procuradoria se manifestou contra o prosseguimento da apuração envolvendo Moraes e levantou questionamentos sobre a maneira como o relatório havia sido produzido.
Moraes, por sua vez, passou a questionar a atuação de Mendonça e pediu a apuração das circunstâncias em que o colega determinou diligências relacionadas às mensagens atribuídas a Vorcaro. O episódio chegou a ser inserido no Inquérito das Fake News, mas Fachin posteriormente retirou a questão daquele procedimento e abriu uma apuração separada.
O resultado é uma crise com diferentes frentes simultâneas no Supremo: enquanto existem questionamentos sobre as mensagens atribuídas a Moraes, também são discutidos os procedimentos adotados por Mendonça na condução das investigações. Até que a Corte defina quem ficará responsável pelos casos e quais atos permanecerão válidos, a PF mantém a análise do material já recolhido, mas evita avançar com diligências que dependam de novas autorizações judiciais.
Embora Mendonça permaneça formalmente como relator dos procedimentos, Fachin passou a analisar os processos depois da escalada da crise interna no Supremo. Segundo O Globo, o presidente da Corte chegou a ser aconselhado a assumir a relatoria diante do conflito instalado entre ministros e dos questionamentos que passaram a atingir a condução das investigações.
O cenário poderá ser discutido novamente no próximo dia 23, quando está prevista a análise de um procedimento aberto após Alexandre de Moraes acusar Mendonça de supostos atos de improbidade administrativa, crimes de responsabilidade e abuso de autoridade na condução das apurações do caso Master. Há, entretanto, possibilidade de adiamento dessa discussão, conforme relatado pelo jornal.
PF evita novas buscas e quebras de sigilo
Enquanto o STF não define quem efetivamente conduzirá os procedimentos, a Polícia Federal continua examinando documentos e informações obtidos nas etapas anteriores. A avaliação interna, porém, é de que novos pedidos que dependam de autorização judicial — como buscas e apreensões e quebras de sigilo — deverão aguardar uma definição do Supremo.
O entendimento é que novas solicitações poderiam ficar represadas porque os processos estão atualmente sob análise do presidente da Corte, enquanto Mendonça continua formalmente responsável pela relatoria.
Apesar do impasse, duas frentes consideradas mais avançadas continuam sendo trabalhadas pelos investigadores. Uma apura uma suposta propina a servidores do Banco Central. A outra envolve a chamada “Turma”, grupo que, segundo a investigação, teria sido acionado por Daniel Vorcaro para monitorar desafetos e acessar informações sigilosas de procedimentos da PF e do Ministério Público Federal.
Esses dois inquéritos já contam com material recolhido anteriormente e, segundo a reportagem, não dependem de novas diligências para serem concluídos.
Advogados também questionam a quem recorrer
A indefinição chegou às defesas dos investigados. Advogados relatam dúvidas sobre para quem devem encaminhar petições e documentos: Fachin, que recebeu os processos, ou Mendonça, que formalmente permanece como relator.
Algumas defesas também avaliam apresentar pedidos de soltura e de cancelamento de mandados a partir das discussões ocorridas no julgamento desta semana. Um dos argumentos avaliados é que o debate no plenário teria exposto divergências e questionamentos sobre a própria condução das investigações.
A defesa de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, já pediu a Fachin que reveja a suspensão de um dos procedimentos e permita a retomada da tramitação sob responsabilidade do relator original. O objetivo é possibilitar a análise de um recurso contra a prisão.
Os advogados afirmam que Henrique está preso há mais de 90 dias e sustentam que não houve nova fundamentação para manter a medida nesse período. A defesa também alega que ele sofre de diverticulite recorrente e utiliza a condição de saúde como um dos argumentos para pedir a análise da situação.
Mensagens de Vorcaro ampliaram crise
A disputa no Supremo se intensificou após Mendonça apresentar um relatório da Polícia Federal que apontava Moraes como interlocutor atribuído a 52 mensagens enviadas por Daniel Vorcaro. Entre os diálogos apresentados estava uma mensagem em que o banqueiro perguntava: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”.
A mensagem teria sido enviada na véspera da prisão de Vorcaro, ocorrida em novembro de 2025, quando ele tentava embarcar em um voo com destino a Dubai, nos Emirados Árabes.
A discussão sobre o material chegou ao plenário, mas foi interrompida depois que o ministro Flávio Dino pediu vista. Os ministros analisavam uma questão de ordem que poderia repercutir na organização dos diferentes procedimentos, inclusive com a possibilidade de reunião dos casos e eventual redistribuição para outro relator.
Com o pedido de vista, não há uma definição imediata. Dino dispõe de até 90 dias para devolver o processo, embora possa fazê-lo antes. Paralelamente, Fachin terá de decidir qual será o destino das investigações encaminhadas à Presidência.
Disputa entre Mendonça e direção da PF
O impasse também envolve o relacionamento entre Mendonça e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Segundo a reportagem, equipes técnicas da corporação já demonstravam preocupação com o aumento das divergências.
A tensão cresceu depois que Mendonça determinou o afastamento de Andrei do comando da PF. A medida, contudo, teve curta duração: Flávio Dino determinou a reintegração do diretor-geral, contrariando a decisão do colega.
Na sequência, Fachin suspendeu as decisões tomadas por Dino e Mendonça e levou os procedimentos envolvendo o Master e o INSS para seu gabinete.
Outro ponto de preocupação dentro da PF é a possibilidade de as disputas processuais produzirem questionamentos futuros sobre a validade das provas. Investigadores avaliam que argumentos levantados durante o julgamento poderão ser utilizados pelas defesas para pedir a anulação de atos das investigações.
Entre os pontos discutidos está uma alegação apresentada por Moraes sobre possível falha na cadeia de custódia das provas, conjunto de procedimentos destinado a registrar e preservar a integridade dos vestígios utilizados em uma investigação.
Crise coloca Moraes e Mendonça sob questionamentos
A origem do conflito está no material extraído do celular de Daniel Vorcaro. Por determinação de Mendonça, a Polícia Federal produziu um relatório a partir dos dados apreendidos e apontou Moraes como um dos interlocutores atribuídos ao banqueiro.
Mendonça encaminhou posteriormente o documento à Procuradoria-Geral da República (PGR). A Procuradoria se manifestou contra o prosseguimento da apuração envolvendo Moraes e levantou questionamentos sobre a maneira como o relatório havia sido produzido.
Moraes, por sua vez, passou a questionar a atuação de Mendonça e pediu a apuração das circunstâncias em que o colega determinou diligências relacionadas às mensagens atribuídas a Vorcaro. O episódio chegou a ser inserido no Inquérito das Fake News, mas Fachin posteriormente retirou a questão daquele procedimento e abriu uma apuração separada.
O resultado é uma crise com diferentes frentes simultâneas no Supremo: enquanto existem questionamentos sobre as mensagens atribuídas a Moraes, também são discutidos os procedimentos adotados por Mendonça na condução das investigações. Até que a Corte defina quem ficará responsável pelos casos e quais atos permanecerão válidos, a PF mantém a análise do material já recolhido, mas evita avançar com diligências que dependam de novas autorizações judiciais.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



