Levantamento aponta que apenas 4 candidatos ao Governo de MT apresentam propostas específicas contra violência às mulheres
Natasha, Wellington, Pivetta e Laudicério detalham medidas de proteção e prevenção; Mauricio aborda o tema de forma mais ampla e Milas não apresenta ações específicas
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Mato Grosso já registrou 32 feminicídios e 33,4 mil casos de violência doméstica em 2026, segundo dados do Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O número de mulheres assassinadas por razões de gênero representa mais da metade dos 54 casos registrados em todo o ano de 2025, enquanto os registros de violência doméstica já ultrapassam 60% do total contabilizado no ano passado.
O cenário coloca o enfrentamento à violência contra a mulher entre os temas que deverão ser discutidos durante a campanha ao Governo de Mato Grosso. Levantamento do Olhar Direto mostra que quatro dos seis candidatos apresentam propostas específicas para prevenção e combate ao problema em seus planos de governo. Dra. Natasha Slhessarenko (PSD), Wellington Fagundes (PL), Otaviano Pivetta (Republicanos) e Sargento Laudicério (Agir) apresentam medidas próprias, enquanto Mauricio Coelho (Mobiliza) trata a questão de maneira mais abrangente e Rafaell Milas (Missão) não apresenta ações específicas.
Os números do Observatório Caliandra mostram ainda que Mato Grosso teve 47 feminicídios em 2024 e chegou a 54 em 2025, segundo maior número da série histórica, atrás apenas de 2020, quando foram registrados 62 casos.
Entre os candidatos, Dra. Natasha é quem apresenta uma das propostas mais detalhadas. Única mulher na disputa pelo Governo de Mato Grosso, ela defende a criação de uma Secretaria de Estado da Mulher, com orçamento próprio e atribuição de coordenar políticas de proteção, além de estabelecer metas e prazos para as ações.
O plano prevê a criação das Casas Regionais de Cuidado da Mulher, reunindo atendimento psicossocial, delegacia, Defensoria Pública e alojamento provisório. Também estão previstas delegacias especializadas funcionando 24 horas, um disque-denúncia estadual e um dispositivo de emergência ligado diretamente à polícia para mulheres que estejam sob medida protetiva.
A candidata propõe ainda o acompanhamento ativo dos agressores e que o descumprimento de medidas protetivas seja tratado como situação de urgência. Para casos de violência sexual, o plano prevê um programa estadual específico, capacitação das redes de saúde, assistência social, educação, segurança e Justiça e a criação de núcleos regionais para apoiar profissionais que atendem vítimas no interior.
Na área da saúde, Natasha propõe atendimento sigiloso e humanizado, coleta de vestígios e profilaxia imediata para vítimas de violência sexual, além de acompanhamento psicológico de longo prazo. O plano também estabelece acompanhamento psicológico, social e educacional até a vida adulta para crianças e adolescentes que ficarem órfãos em decorrência de feminicídio.
A autonomia das vítimas também aparece entre as medidas. A proposta prevê prioridade em qualificação profissional e intermediação de emprego, além de habitação provisória para mulheres que não tenham condições de retornar para casa.
Wellington Fagundes também dedica um eixo específico à proteção das mulheres. O candidato propõe uma política permanente de prevenção e enfrentamento da violência, com foco na redução dos feminicídios, interrupção dos ciclos de violência, proteção das vítimas e responsabilização dos agressores.
Entre as medidas estão programas permanentes de prevenção nas escolas e um programa de responsabilização e reeducação de autores de violência doméstica. Wellington também prevê um modelo estadual para avaliação de risco e acompanhamento de mulheres em situação de maior vulnerabilidade.
O plano inclui a ampliação de unidades de atendimento integrado nos principais polos do Estado e a implantação de Salas Lilás em unidades periciais, hospitais regionais e outros serviços estratégicos do interior.
A proposta prevê ainda capacitação de lideranças comunitárias, agentes públicos, educadores, profissionais da saúde, conselheiros tutelares e representantes de organizações sociais para atuação na prevenção e proteção das mulheres.
No campo econômico, Wellington propõe um programa de autonomia financeira para mulheres, especialmente aquelas vítimas de violência, além de um programa de “recomeço”, com apoio à empregabilidade e inserção protegida no mercado de trabalho. Também estão previstas ações voltadas às mulheres do campo, incluindo capacitação, crédito, assistência produtiva e prevenção à violência doméstica.
Otaviano Pivetta apresenta um pilar específico chamado “Proteção à Mulher, Apoio à Maternidade e Autonomia Financeira Feminina”. O plano propõe ampliar estruturas de prevenção e resposta à violência, incluindo a expansão da Patrulha Maria da Penha e das Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher, além da criação de novas unidades da Casa da Mulher Brasileira nos principais polos de Mato Grosso.
O candidato também propõe integrar a Delegacia Virtual 24 horas a mecanismos de avaliação de risco, realizar perícias por telemedicina e conectar o Vigia Mais MT ao Botão do Pânico. A intenção é permitir também a solicitação de medidas protetivas sem que a vítima precise se deslocar entre municípios.
Outra medida é o monitoramento eletrônico de agressores e vítimas que estejam sob medidas protetivas. O plano prevê ainda o acompanhamento automático de chamadas para o 190 que indiquem situações de violência, mesmo quando não houver registro imediato de boletim de ocorrência. A proposta busca identificar reincidências e orientar ações preventivas da Patrulha Maria da Penha.
Pivetta também prevê a adequação de Institutos Médicos Legais (IMLs) e unidades periciais para oferecer atendimento médico, psicológico e pericial privativo, evitando a revitimização de mulheres vítimas de violência sexual e doméstica. A proposta inclui ainda uma rede itinerante de proteção regionalizada para atender mulheres que vivem em áreas rurais, florestais e ribeirinhas.
Na área de moradia, o plano prevê casas populares gratuitas para mulheres chefes de família em situação de extrema vulnerabilidade e a manutenção do auxílio-moradia do SER Família Mulher, atualmente de R$ 600, destinado a vítimas de violência doméstica que estejam sob medidas protetivas.
O programa também propõe aumentar em 50% os recursos da Linha Mulher Empreendedora, priorizar mulheres chefes de família em programas de inserção produtiva e incluir conteúdo obrigatório sobre prevenção da violência e igualdade para estudantes da rede estadual.
Sargento Laudicério concentra suas propostas no eixo de segurança pública e defende a ampliação da Patrulha Maria da Penha e do atendimento especializado e humanizado. O plano também prevê integração entre Segurança, Saúde, Assistência Social, Educação, Ministério Público, Defensoria Pública e Judiciário.
A proposta estabelece mecanismos de resposta rápida para situações de risco e um fluxo estadual para acompanhar medidas protetivas e eventuais descumprimentos, com atenção especial às mulheres que vivem distantes dos serviços especializados.
O candidato também defende atendimento pericial humanizado e uma rede integrada para tratar a violência contra a mulher não apenas como uma questão de segurança, mas também social e de saúde.
O plano prevê ainda indicadores específicos para acompanhar os casos e a criação de um Observatório Mato-Grossense de Segurança Pública, que deverá produzir estudos sobre violência doméstica e feminicídio, entre outras atribuições. Como indicador de acompanhamento, Laudicério estabelece a melhora da cobertura e da resposta da rede de proteção às mulheres.
Mauricio Coelho apresenta uma abordagem menos específica. A violência contra a mulher aparece dentro da política de segurança pública, que estabelece a redução desses crimes como um dos indicadores de resultado do governo.
O plano defende investigação, prevenção e uma rede de atendimento para melhorar a proteção da população. Também propõe avaliar ruas e praças sob a perspectiva das mulheres, levando em consideração iluminação, circulação, acessos, vegetação, comércio e outros fatores que possam influenciar a sensação de segurança.
A proposta inclui a participação dos moradores na identificação de locais considerados inseguros e prevê indicadores como ocorrências registradas e percepção de segurança. O documento, porém, não apresenta estruturas específicas como delegacias especializadas, Patrulha Maria da Penha, casas de acolhimento ou programas próprios para vítimas.
Já o plano de governo de Rafaell Milas concentra suas propostas de segurança no combate ao crime organizado, às facções criminosas e aos crimes patrimoniais, além do fortalecimento da estrutura policial. Não foram identificadas no documento medidas específicas para violência contra a mulher, violência doméstica ou feminicídio. O programa, portanto, não estabelece ações próprias de prevenção, proteção, atendimento ou acompanhamento de mulheres vítimas de violência.
A defensora pública estadual Rosana Leite Antunes de Barros, coordenadora do Núcleo de Defesa das Mulheres (NUDEM/MT), avalia que a presença de políticas específicas nos planos demonstra o reconhecimento da necessidade de enfrentar a violência de maneira estruturada. Segundo ela, Mato Grosso está entre os estados onde mulheres são mais violentadas e assassinadas por serem mulheres.
Para Rosana, a proteção não pode depender apenas da polícia. A Lei Maria da Penha prevê a atuação integrada entre Justiça, segurança pública, saúde e educação para formar uma rede de atendimento. Na avaliação dela, medidas como Patrulha Maria da Penha, delegacias especializadas, medidas protetivas e monitoramento de agressores precisam funcionar de forma articulada.
A defensora também chama atenção para a subnotificação. Segundo pesquisa do DataSenado citada por ela, cerca de 79% das mulheres vítimas de violência doméstica que não procuraram o poder público apontaram o medo de agravamento da situação como motivo para não pedir ajuda. Para Rosana, o dado mostra que não basta haver leis se as vítimas não confiarem na capacidade do Estado de protegê-las.
A autonomia financeira é outro ponto considerado importante pela defensora e aparece em diferentes planos de governo. Para ela, emprego, qualificação, renda, creches e moradia podem ajudar mulheres a romper relações abusivas, já que a dependência econômica pode dificultar essa decisão. Ela ressalta ainda que a violência pode ocorrer por meio do controle do dinheiro, retenção de documentos e restrição ao acesso aos recursos da família.
Por isso, Rosana defende que as políticas não se limitem à punição do agressor. “Não basta assegurar à mulher o direito de sair do ciclo da violência. É preciso proporcionar condições para que ela possa exercer esse direito”, afirma.
Na avaliação da defensora, renda, trabalho, moradia e uma rede de proteção ampliam as condições para que a mulher tome decisões e reconstrua a própria vida. Ela aponta, porém, que um dos principais desafios é transformar as normas já existentes em políticas públicas efetivas, com estrutura e orçamento suficientes para garantir o funcionamento de toda a rede de atendimento.
Rosana também defende investimentos na própria Defensoria Pública para ampliar o atendimento às mulheres por meio de uma estrutura estadual específica.
Entre os pontos que considera ainda pouco contemplados está a educação. Para ela, o combate à violência precisa começar antes que os casos aconteçam, com a inclusão do tema nos currículos escolares.
“Enquanto não cumprirmos com o artigo 8º da Lei Maria da Penha, incluindo nos currículos escolares em todos os níveis de ensino o enfrentamento à violência contra as mulheres, não conseguiremos mudar essa triste estatística”, afirma.
O cenário coloca o enfrentamento à violência contra a mulher entre os temas que deverão ser discutidos durante a campanha ao Governo de Mato Grosso. Levantamento do Olhar Direto mostra que quatro dos seis candidatos apresentam propostas específicas para prevenção e combate ao problema em seus planos de governo. Dra. Natasha Slhessarenko (PSD), Wellington Fagundes (PL), Otaviano Pivetta (Republicanos) e Sargento Laudicério (Agir) apresentam medidas próprias, enquanto Mauricio Coelho (Mobiliza) trata a questão de maneira mais abrangente e Rafaell Milas (Missão) não apresenta ações específicas.
Os números do Observatório Caliandra mostram ainda que Mato Grosso teve 47 feminicídios em 2024 e chegou a 54 em 2025, segundo maior número da série histórica, atrás apenas de 2020, quando foram registrados 62 casos.
Entre os candidatos, Dra. Natasha é quem apresenta uma das propostas mais detalhadas. Única mulher na disputa pelo Governo de Mato Grosso, ela defende a criação de uma Secretaria de Estado da Mulher, com orçamento próprio e atribuição de coordenar políticas de proteção, além de estabelecer metas e prazos para as ações.
O plano prevê a criação das Casas Regionais de Cuidado da Mulher, reunindo atendimento psicossocial, delegacia, Defensoria Pública e alojamento provisório. Também estão previstas delegacias especializadas funcionando 24 horas, um disque-denúncia estadual e um dispositivo de emergência ligado diretamente à polícia para mulheres que estejam sob medida protetiva.
A candidata propõe ainda o acompanhamento ativo dos agressores e que o descumprimento de medidas protetivas seja tratado como situação de urgência. Para casos de violência sexual, o plano prevê um programa estadual específico, capacitação das redes de saúde, assistência social, educação, segurança e Justiça e a criação de núcleos regionais para apoiar profissionais que atendem vítimas no interior.
Na área da saúde, Natasha propõe atendimento sigiloso e humanizado, coleta de vestígios e profilaxia imediata para vítimas de violência sexual, além de acompanhamento psicológico de longo prazo. O plano também estabelece acompanhamento psicológico, social e educacional até a vida adulta para crianças e adolescentes que ficarem órfãos em decorrência de feminicídio.
A autonomia das vítimas também aparece entre as medidas. A proposta prevê prioridade em qualificação profissional e intermediação de emprego, além de habitação provisória para mulheres que não tenham condições de retornar para casa.
Wellington Fagundes também dedica um eixo específico à proteção das mulheres. O candidato propõe uma política permanente de prevenção e enfrentamento da violência, com foco na redução dos feminicídios, interrupção dos ciclos de violência, proteção das vítimas e responsabilização dos agressores.
Entre as medidas estão programas permanentes de prevenção nas escolas e um programa de responsabilização e reeducação de autores de violência doméstica. Wellington também prevê um modelo estadual para avaliação de risco e acompanhamento de mulheres em situação de maior vulnerabilidade.
O plano inclui a ampliação de unidades de atendimento integrado nos principais polos do Estado e a implantação de Salas Lilás em unidades periciais, hospitais regionais e outros serviços estratégicos do interior.
A proposta prevê ainda capacitação de lideranças comunitárias, agentes públicos, educadores, profissionais da saúde, conselheiros tutelares e representantes de organizações sociais para atuação na prevenção e proteção das mulheres.
No campo econômico, Wellington propõe um programa de autonomia financeira para mulheres, especialmente aquelas vítimas de violência, além de um programa de “recomeço”, com apoio à empregabilidade e inserção protegida no mercado de trabalho. Também estão previstas ações voltadas às mulheres do campo, incluindo capacitação, crédito, assistência produtiva e prevenção à violência doméstica.
Otaviano Pivetta apresenta um pilar específico chamado “Proteção à Mulher, Apoio à Maternidade e Autonomia Financeira Feminina”. O plano propõe ampliar estruturas de prevenção e resposta à violência, incluindo a expansão da Patrulha Maria da Penha e das Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher, além da criação de novas unidades da Casa da Mulher Brasileira nos principais polos de Mato Grosso.
O candidato também propõe integrar a Delegacia Virtual 24 horas a mecanismos de avaliação de risco, realizar perícias por telemedicina e conectar o Vigia Mais MT ao Botão do Pânico. A intenção é permitir também a solicitação de medidas protetivas sem que a vítima precise se deslocar entre municípios.
Outra medida é o monitoramento eletrônico de agressores e vítimas que estejam sob medidas protetivas. O plano prevê ainda o acompanhamento automático de chamadas para o 190 que indiquem situações de violência, mesmo quando não houver registro imediato de boletim de ocorrência. A proposta busca identificar reincidências e orientar ações preventivas da Patrulha Maria da Penha.
Pivetta também prevê a adequação de Institutos Médicos Legais (IMLs) e unidades periciais para oferecer atendimento médico, psicológico e pericial privativo, evitando a revitimização de mulheres vítimas de violência sexual e doméstica. A proposta inclui ainda uma rede itinerante de proteção regionalizada para atender mulheres que vivem em áreas rurais, florestais e ribeirinhas.
Na área de moradia, o plano prevê casas populares gratuitas para mulheres chefes de família em situação de extrema vulnerabilidade e a manutenção do auxílio-moradia do SER Família Mulher, atualmente de R$ 600, destinado a vítimas de violência doméstica que estejam sob medidas protetivas.
O programa também propõe aumentar em 50% os recursos da Linha Mulher Empreendedora, priorizar mulheres chefes de família em programas de inserção produtiva e incluir conteúdo obrigatório sobre prevenção da violência e igualdade para estudantes da rede estadual.
Sargento Laudicério concentra suas propostas no eixo de segurança pública e defende a ampliação da Patrulha Maria da Penha e do atendimento especializado e humanizado. O plano também prevê integração entre Segurança, Saúde, Assistência Social, Educação, Ministério Público, Defensoria Pública e Judiciário.
A proposta estabelece mecanismos de resposta rápida para situações de risco e um fluxo estadual para acompanhar medidas protetivas e eventuais descumprimentos, com atenção especial às mulheres que vivem distantes dos serviços especializados.
O candidato também defende atendimento pericial humanizado e uma rede integrada para tratar a violência contra a mulher não apenas como uma questão de segurança, mas também social e de saúde.
O plano prevê ainda indicadores específicos para acompanhar os casos e a criação de um Observatório Mato-Grossense de Segurança Pública, que deverá produzir estudos sobre violência doméstica e feminicídio, entre outras atribuições. Como indicador de acompanhamento, Laudicério estabelece a melhora da cobertura e da resposta da rede de proteção às mulheres.
Mauricio Coelho apresenta uma abordagem menos específica. A violência contra a mulher aparece dentro da política de segurança pública, que estabelece a redução desses crimes como um dos indicadores de resultado do governo.
O plano defende investigação, prevenção e uma rede de atendimento para melhorar a proteção da população. Também propõe avaliar ruas e praças sob a perspectiva das mulheres, levando em consideração iluminação, circulação, acessos, vegetação, comércio e outros fatores que possam influenciar a sensação de segurança.
A proposta inclui a participação dos moradores na identificação de locais considerados inseguros e prevê indicadores como ocorrências registradas e percepção de segurança. O documento, porém, não apresenta estruturas específicas como delegacias especializadas, Patrulha Maria da Penha, casas de acolhimento ou programas próprios para vítimas.
Já o plano de governo de Rafaell Milas concentra suas propostas de segurança no combate ao crime organizado, às facções criminosas e aos crimes patrimoniais, além do fortalecimento da estrutura policial. Não foram identificadas no documento medidas específicas para violência contra a mulher, violência doméstica ou feminicídio. O programa, portanto, não estabelece ações próprias de prevenção, proteção, atendimento ou acompanhamento de mulheres vítimas de violência.
A defensora pública estadual Rosana Leite Antunes de Barros, coordenadora do Núcleo de Defesa das Mulheres (NUDEM/MT), avalia que a presença de políticas específicas nos planos demonstra o reconhecimento da necessidade de enfrentar a violência de maneira estruturada. Segundo ela, Mato Grosso está entre os estados onde mulheres são mais violentadas e assassinadas por serem mulheres.
Para Rosana, a proteção não pode depender apenas da polícia. A Lei Maria da Penha prevê a atuação integrada entre Justiça, segurança pública, saúde e educação para formar uma rede de atendimento. Na avaliação dela, medidas como Patrulha Maria da Penha, delegacias especializadas, medidas protetivas e monitoramento de agressores precisam funcionar de forma articulada.
A defensora também chama atenção para a subnotificação. Segundo pesquisa do DataSenado citada por ela, cerca de 79% das mulheres vítimas de violência doméstica que não procuraram o poder público apontaram o medo de agravamento da situação como motivo para não pedir ajuda. Para Rosana, o dado mostra que não basta haver leis se as vítimas não confiarem na capacidade do Estado de protegê-las.
A autonomia financeira é outro ponto considerado importante pela defensora e aparece em diferentes planos de governo. Para ela, emprego, qualificação, renda, creches e moradia podem ajudar mulheres a romper relações abusivas, já que a dependência econômica pode dificultar essa decisão. Ela ressalta ainda que a violência pode ocorrer por meio do controle do dinheiro, retenção de documentos e restrição ao acesso aos recursos da família.
Por isso, Rosana defende que as políticas não se limitem à punição do agressor. “Não basta assegurar à mulher o direito de sair do ciclo da violência. É preciso proporcionar condições para que ela possa exercer esse direito”, afirma.
Na avaliação da defensora, renda, trabalho, moradia e uma rede de proteção ampliam as condições para que a mulher tome decisões e reconstrua a própria vida. Ela aponta, porém, que um dos principais desafios é transformar as normas já existentes em políticas públicas efetivas, com estrutura e orçamento suficientes para garantir o funcionamento de toda a rede de atendimento.
Rosana também defende investimentos na própria Defensoria Pública para ampliar o atendimento às mulheres por meio de uma estrutura estadual específica.
Entre os pontos que considera ainda pouco contemplados está a educação. Para ela, o combate à violência precisa começar antes que os casos aconteçam, com a inclusão do tema nos currículos escolares.
“Enquanto não cumprirmos com o artigo 8º da Lei Maria da Penha, incluindo nos currículos escolares em todos os níveis de ensino o enfrentamento à violência contra as mulheres, não conseguiremos mudar essa triste estatística”, afirma.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



