Lula pede quebra total do sigilo de investigações do caso Banco Master: "Doa a quem doer"
Presidente classificou episódio como “maior crime financeiro da história do Brasil” e criticou divulgação seletiva de informações
Por Everson Teodoro3 min de leitura

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quarta-feira a quebra completa do sigilo das investigações relacionadas ao Banco Master e cobrou mais transparência diante da crise institucional envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Em publicação nas redes sociais, o petista classificou o episódio como o “maior crime financeiro da história do Brasil” e afirmou que o caso exige respostas e medidas imediatas.
"Diante da gravidade do maior crime financeiro da história do Brasil, o povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário", escreveu Lula.
A declaração ocorre em meio ao aumento da tensão dentro do STF após decisões envolvendo o caso Master e a cúpula da Polícia Federal. Na terça-feira, o ministro André Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Nesta quarta, porém, o ministro Flávio Dino suspendeu a decisão e determinou o retorno de Rodrigues ao comando da corporação.
Mendonça é o relator do caso Master e havia determinado a retirada do sigilo de um relatório da Polícia Federal que apresentava mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e dirigidas ao ministro Alexandre de Moraes.
Dois dias depois, Moraes pediu que Mendonça fosse investigado com base em outro relatório produzido pela PF. O documento apontava suspeitas de irregularidades na condução das investigações pelo relator do caso Master. Mendonça questionou a atuação da Polícia Federal e, posteriormente, determinou o afastamento de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência da corporação.
Lula critica vazamentos seletivos
Na nova manifestação, Lula concentrou parte das críticas na forma como informações das investigações vêm sendo divulgadas. Para o presidente, a exposição seletiva dos dados pode ter impacto também sobre a disputa eleitoral.
"Se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral", afirmou.
O presidente já havia criticado os chamados “vazamentos seletivos” na semana passada, quando comentou pela primeira vez os desdobramentos envolvendo o Banco Master. Na ocasião, cobrou uma resposta do STF e da Procuradoria-Geral da República e defendeu que não houvesse “blindagem” de pessoas envolvidas no caso.
Desta vez, porém, Lula foi além e defendeu explicitamente que todo o conteúdo das investigações seja tornado público.
"Por isso, é urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade", escreveu.
Presidente cita Operação Spoofing
Para sustentar a defesa de maior transparência, Lula também mencionou a Operação Spoofing, investigação que apurou a invasão de celulares de autoridades e resultou na apreensão de mensagens trocadas por integrantes da Lava-Jato.
Quando era ministro do STF, Ricardo Lewandowski autorizou a defesa de Lula a acessar os arquivos relacionados ao então petista. Posteriormente, retirou o sigilo da reclamação na qual havia determinado o compartilhamento do material.
As mensagens tornadas públicas revelaram conversas entre procuradores da força-tarefa da Lava-Jato e o então juiz Sergio Moro.
Cautela com críticas a Mendonça
Nos bastidores, interlocutores avaliam que Lula precisa ter cautela ao comentar diretamente as decisões de André Mendonça. Uma reação considerada fora do tom poderia ser interpretada como alinhamento do presidente ao ministro Alexandre de Moraes, que é próximo de Andrei Rodrigues e adversário de Mendonça dentro da Corte.
A avaliação leva em conta também que Moraes enfrenta suspeitas relacionadas à sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, situação que poderia produzir reflexos eleitorais para Lula.
Outra preocupação é que uma reação muito contundente contra Mendonça acabe fortalecendo a imagem do ministro como vítima do episódio.
Em meio à disputa, a Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou, na terça-feira, recurso ao presidente do STF, Edson Fachin, pedindo a suspensão do afastamento do diretor-geral da Polícia Federal.
"Diante da gravidade do maior crime financeiro da história do Brasil, o povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário", escreveu Lula.
A declaração ocorre em meio ao aumento da tensão dentro do STF após decisões envolvendo o caso Master e a cúpula da Polícia Federal. Na terça-feira, o ministro André Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Nesta quarta, porém, o ministro Flávio Dino suspendeu a decisão e determinou o retorno de Rodrigues ao comando da corporação.
Mendonça é o relator do caso Master e havia determinado a retirada do sigilo de um relatório da Polícia Federal que apresentava mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e dirigidas ao ministro Alexandre de Moraes.
Dois dias depois, Moraes pediu que Mendonça fosse investigado com base em outro relatório produzido pela PF. O documento apontava suspeitas de irregularidades na condução das investigações pelo relator do caso Master. Mendonça questionou a atuação da Polícia Federal e, posteriormente, determinou o afastamento de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência da corporação.
Lula critica vazamentos seletivos
Na nova manifestação, Lula concentrou parte das críticas na forma como informações das investigações vêm sendo divulgadas. Para o presidente, a exposição seletiva dos dados pode ter impacto também sobre a disputa eleitoral.
"Se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral", afirmou.
O presidente já havia criticado os chamados “vazamentos seletivos” na semana passada, quando comentou pela primeira vez os desdobramentos envolvendo o Banco Master. Na ocasião, cobrou uma resposta do STF e da Procuradoria-Geral da República e defendeu que não houvesse “blindagem” de pessoas envolvidas no caso.
Desta vez, porém, Lula foi além e defendeu explicitamente que todo o conteúdo das investigações seja tornado público.
"Por isso, é urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade", escreveu.
Presidente cita Operação Spoofing
Para sustentar a defesa de maior transparência, Lula também mencionou a Operação Spoofing, investigação que apurou a invasão de celulares de autoridades e resultou na apreensão de mensagens trocadas por integrantes da Lava-Jato.
Quando era ministro do STF, Ricardo Lewandowski autorizou a defesa de Lula a acessar os arquivos relacionados ao então petista. Posteriormente, retirou o sigilo da reclamação na qual havia determinado o compartilhamento do material.
As mensagens tornadas públicas revelaram conversas entre procuradores da força-tarefa da Lava-Jato e o então juiz Sergio Moro.
Cautela com críticas a Mendonça
Nos bastidores, interlocutores avaliam que Lula precisa ter cautela ao comentar diretamente as decisões de André Mendonça. Uma reação considerada fora do tom poderia ser interpretada como alinhamento do presidente ao ministro Alexandre de Moraes, que é próximo de Andrei Rodrigues e adversário de Mendonça dentro da Corte.
A avaliação leva em conta também que Moraes enfrenta suspeitas relacionadas à sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, situação que poderia produzir reflexos eleitorais para Lula.
Outra preocupação é que uma reação muito contundente contra Mendonça acabe fortalecendo a imagem do ministro como vítima do episódio.
Em meio à disputa, a Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou, na terça-feira, recurso ao presidente do STF, Edson Fachin, pedindo a suspensão do afastamento do diretor-geral da Polícia Federal.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



