Mato Grosso é único estado do Brasil com mais homens solteiros do que mulheres
Censo 2022 aponta 102,5 homens solteiros para cada 100 mulheres solteiras; força do agronegócio ajuda a explicar cenário
Por Everson Teodoro4 min de leitura

Mato Grosso é o único estado brasileiro onde há mais homens solteiros do que mulheres solteiras. São 102,5 homens solteiros para cada 100 mulheres solteiras, segundo dados do Censo 2022 destacados pelo Globo Repórter na última sexta-feira (7), em uma reportagem sobre as novas faces da solteirice no Brasil.
O resultado coloca Mato Grosso em uma situação diferente da observada no restante do país e tem relação, segundo a reportagem, com uma característica marcante da economia estadual: a força do agronegócio.
A expansão das lavouras de soja, milho e algodão atrai trabalhadores de diferentes regiões do Brasil para Mato Grosso. O fluxo migratório é predominantemente masculino e reúne pessoas que deixam suas cidades de origem em busca de emprego, melhores salários e crescimento profissional.
Na prática, muitos desses trabalhadores chegam ao estado ainda jovens e passam longos períodos longe da família e das cidades onde nasceram.
Agro atrai homens de outros estados
Nas fazendas mato-grossenses, a rotina de trabalho ajuda a explicar parte dos números apontados pelo Censo.
Um dos exemplos mostrados pela reportagem é o de Alan Augusto da Silva Weinch, de 20 anos. Natural de Novo Machado, no Rio Grande do Sul, ele deixou a casa dos pais para trabalhar em Mato Grosso como operador de máquinas agrícolas.
A mudança, segundo ele, exigiu coragem.
“Foi preciso coragem, né? Bastante coragem. Se não tem coragem, não vem não”, contou.
A trajetória de Alan se repete entre trabalhadores que chegam ao estado atraídos pelas oportunidades oferecidas pelo agronegócio. A migração transforma não apenas o mercado de trabalho, mas também a vida pessoal de quem decide deixar para trás a cidade natal.
Em Mato Grosso, carreira vem antes do casamento
A vida profissional também aparece como prioridade entre trabalhadores entrevistados pela reportagem.
Willian Balen, técnico em agropecuária que saiu de Santa Catarina para trabalhar em Mato Grosso, tem 27 anos e afirma que a formação de uma família ficou para mais tarde.
“Meu foco principal é o agro, o trabalho”, disse.
Segundo ele, a intenção é deixar o casamento para depois dos 30 anos.
“Minha meta é ter um casamento a partir dos 30 anos.”
O cenário acompanha uma tendência nacional de adiamento do casamento. De acordo com dados do IBGE citados pelo Globo Repórter, as mulheres se casam, em média, aos 29 anos, enquanto os homens chegam ao casamento aos 31.
No caso dos trabalhadores que migram para Mato Grosso, a construção da carreira, a estabilidade financeira e a busca por crescimento profissional aparecem como fatores que acabam adiando os planos de relacionamento e família.
Solteiro, mas nem sempre sozinho
A vida longe da cidade natal também cria uma relação ambígua com a solteirice.
Willian aponta a liberdade como uma das vantagens de não estar em um relacionamento.
“Sai a hora que quer, volta a hora que quer e não depende de ninguém.”
Mas a mesma rotina também pode trazer um sentimento difícil de ignorar.
“A desvantagem é um pouco a solidão, né? Que ela bate.”
Para quem trabalha no campo, a distância da família e a rotina das fazendas podem tornar essa sensação ainda mais presente.
É o caso de Erisom Marinho de Barros, operador de máquina agrícola que deixou Alagoas para trabalhar em Mato Grosso. A decisão de buscar melhores condições de vida, segundo ele, teve um custo pessoal.
“Abri mão de muita coisa”, disse. “De estar perto da minha família, da minha filha, para estar em busca da realização dos sonhos.”
Apesar disso, Erisom não abandonou a possibilidade de construir uma relação. A dinâmica das safras, segundo ele, pode favorecer novos encontros nos períodos de entressafra, quando há mais tempo disponível para sair e conhecer pessoas.
O estado que foge da regra
O número registrado em Mato Grosso chama atenção justamente por ser uma exceção no país.
Enquanto o estado apresenta uma proporção maior de homens solteiros, o Brasil tem mais mulheres do que homens na população. Segundo especialistas ouvidos pelo programa, uma das razões está na maior mortalidade masculina ao longo da vida.
Em Mato Grosso, porém, o movimento migratório associado ao agronegócio ajuda a produzir um cenário particular entre a população solteira.
Com a expansão das atividades agrícolas e a chegada constante de trabalhadores de outras regiões, o estado se tornou o único do país onde os homens solteiros aparecem em proporção superior à das mulheres solteiras.
O número de 102,5 homens para cada 100 mulheres pode parecer uma diferença pequena, mas revela um traço demográfico singular de Mato Grosso e expõe um efeito pouco comentado da força do agronegócio: a transformação da vida pessoal de quem chega ao estado em busca de trabalho.
O resultado coloca Mato Grosso em uma situação diferente da observada no restante do país e tem relação, segundo a reportagem, com uma característica marcante da economia estadual: a força do agronegócio.
A expansão das lavouras de soja, milho e algodão atrai trabalhadores de diferentes regiões do Brasil para Mato Grosso. O fluxo migratório é predominantemente masculino e reúne pessoas que deixam suas cidades de origem em busca de emprego, melhores salários e crescimento profissional.
Na prática, muitos desses trabalhadores chegam ao estado ainda jovens e passam longos períodos longe da família e das cidades onde nasceram.
Agro atrai homens de outros estados
Nas fazendas mato-grossenses, a rotina de trabalho ajuda a explicar parte dos números apontados pelo Censo.
Um dos exemplos mostrados pela reportagem é o de Alan Augusto da Silva Weinch, de 20 anos. Natural de Novo Machado, no Rio Grande do Sul, ele deixou a casa dos pais para trabalhar em Mato Grosso como operador de máquinas agrícolas.
A mudança, segundo ele, exigiu coragem.
“Foi preciso coragem, né? Bastante coragem. Se não tem coragem, não vem não”, contou.
A trajetória de Alan se repete entre trabalhadores que chegam ao estado atraídos pelas oportunidades oferecidas pelo agronegócio. A migração transforma não apenas o mercado de trabalho, mas também a vida pessoal de quem decide deixar para trás a cidade natal.
Em Mato Grosso, carreira vem antes do casamento
A vida profissional também aparece como prioridade entre trabalhadores entrevistados pela reportagem.
Willian Balen, técnico em agropecuária que saiu de Santa Catarina para trabalhar em Mato Grosso, tem 27 anos e afirma que a formação de uma família ficou para mais tarde.
“Meu foco principal é o agro, o trabalho”, disse.
Segundo ele, a intenção é deixar o casamento para depois dos 30 anos.
“Minha meta é ter um casamento a partir dos 30 anos.”
O cenário acompanha uma tendência nacional de adiamento do casamento. De acordo com dados do IBGE citados pelo Globo Repórter, as mulheres se casam, em média, aos 29 anos, enquanto os homens chegam ao casamento aos 31.
No caso dos trabalhadores que migram para Mato Grosso, a construção da carreira, a estabilidade financeira e a busca por crescimento profissional aparecem como fatores que acabam adiando os planos de relacionamento e família.
Solteiro, mas nem sempre sozinho
A vida longe da cidade natal também cria uma relação ambígua com a solteirice.
Willian aponta a liberdade como uma das vantagens de não estar em um relacionamento.
“Sai a hora que quer, volta a hora que quer e não depende de ninguém.”
Mas a mesma rotina também pode trazer um sentimento difícil de ignorar.
“A desvantagem é um pouco a solidão, né? Que ela bate.”
Para quem trabalha no campo, a distância da família e a rotina das fazendas podem tornar essa sensação ainda mais presente.
É o caso de Erisom Marinho de Barros, operador de máquina agrícola que deixou Alagoas para trabalhar em Mato Grosso. A decisão de buscar melhores condições de vida, segundo ele, teve um custo pessoal.
“Abri mão de muita coisa”, disse. “De estar perto da minha família, da minha filha, para estar em busca da realização dos sonhos.”
Apesar disso, Erisom não abandonou a possibilidade de construir uma relação. A dinâmica das safras, segundo ele, pode favorecer novos encontros nos períodos de entressafra, quando há mais tempo disponível para sair e conhecer pessoas.
O estado que foge da regra
O número registrado em Mato Grosso chama atenção justamente por ser uma exceção no país.
Enquanto o estado apresenta uma proporção maior de homens solteiros, o Brasil tem mais mulheres do que homens na população. Segundo especialistas ouvidos pelo programa, uma das razões está na maior mortalidade masculina ao longo da vida.
Em Mato Grosso, porém, o movimento migratório associado ao agronegócio ajuda a produzir um cenário particular entre a população solteira.
Com a expansão das atividades agrícolas e a chegada constante de trabalhadores de outras regiões, o estado se tornou o único do país onde os homens solteiros aparecem em proporção superior à das mulheres solteiras.
O número de 102,5 homens para cada 100 mulheres pode parecer uma diferença pequena, mas revela um traço demográfico singular de Mato Grosso e expõe um efeito pouco comentado da força do agronegócio: a transformação da vida pessoal de quem chega ao estado em busca de trabalho.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



