Mato Grosso tem a terceira maior taxa de feminicídio do país; veja o que os cinco candidatos ao governo propõem
Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra alta na taxa de descumprimento de medidas protetivas e taxa combinada de estupro e estupro de vulnerável 52% acima da nacional em Mato Grosso
Por Daniel Trindade7 min de leitura

Mato Grosso teve a terceira maior taxa de feminicídio do Brasil em 2025, atrás apenas de Acre e Rondônia, segundo a 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
O portal analisou os cinco planos de governo que constavam do DivulgaCandContas em consulta feita em 16 de agosto de 2026.
A comparação considera o que Maurício Coelho, Natasha Slhessarenko, Otaviano Pivetta, Rafaell Milas e Wellington Fagundes propõem para a segurança pública e para o enfrentamento à violência contra a mulher. Os candidatos aparecem em ordem alfabética.
Das 95 mulheres assassinadas em Mato Grosso em 2025, 53 foram vítimas de feminicídio, o equivalente a 55,8% do total, acima da proporção nacional de 44,4%. Em 2024, essa proporção no estado era de 47,5%.
Mato Grosso também teve a segunda maior taxa de tentativas de feminicídio do país, com 12,5 vítimas por 100 mil mulheres.
O descumprimento de medida protetiva de urgência também subiu. Os registros passaram de 1.956 para 2.292 entre 2024 e 2025, alta de 17,2%.
A taxa subiu de 51 para 58,9 registros por 100 mil habitantes, variação de 15,5%. Sete vítimas de feminicídio em 2025 tinham medida protetiva ativa no momento do óbito, contra uma em 2024.
Segundo levantamento do Observatório Caliandra citado pelo PNB Online, Mato Grosso chegou a 31 mulheres vítimas de feminicídio em 2026 após a morte de Ana Cristina Pacheco Matos, de 20 anos, em Cuiabá, no dia 15 de agosto.
Mato Grosso registrou ainda 670 vítimas de estupro e 1.667 vítimas de estupro de vulnerável em 2025. Os dois números caíram em relação a 2024.
O crime de estupro de vulnerável ocorre quando há conjunção carnal ou outro ato libidinoso com menor de 14 anos. Também abrange pessoas que, por enfermidade ou deficiência mental, não têm o discernimento necessário para a prática do ato ou que, por qualquer outra causa, não podem oferecer resistência.
Somadas as duas categorias, Mato Grosso registrou uma taxa de 60 vítimas por 100 mil habitantes, 52% acima da taxa nacional, de 39,5.
Sinop aparece em terceiro lugar entre os municípios brasileiros com população igual ou superior a 100 mil habitantes nesse recorte combinado, com 91,2 vítimas por 100 mil habitantes, atrás de Boa Vista (RR) e Ariquemes (RO).
Dos 7.755 cargos previstos para cabos e soldados da Polícia Militar, 2.512 estavam ocupados no terceiro trimestre de 2026, o equivalente a 32,4%, segundo o Lotacionograma da corporação.
Em uma proposta intitulada “A Máquina de Guerra”, dentro do capítulo de segurança do seu plano, Maurício Coelho (Mobiliza) prevê integrar bancos de dados e compartilhar informações entre as polícias Militar, Civil, Penal, Federal e Rodoviária Federal, além de fortalecer o Bope-MT e usar drones.
Maurício também propõe o modelo “Polícia por Desempenho”, que não deve avaliar as corporações apenas pelo número de prisões. O plano menciona investigação, prevenção e rede de atendimento como necessárias à proteção das mulheres, mas não detalha uma política própria para o tema no capítulo de segurança.
Natasha Slhessarenko (PSD) propõe concurso público e plano de carreira para a Politec, além de um mutirão para reduzir o passivo de laudos periciais represados.
O diagnóstico apresentado no plano aponta mais de 10 mil perícias aguardando laudo e 79 peritos em atividade diante de uma necessidade de 127 profissionais, identificada, segundo o próprio documento, em 2003. O plano também propõe reposição regular do efetivo das polícias Militar e Civil.
Na proteção às mulheres, Natasha propõe uma Secretaria de Estado da Mulher com orçamento próprio, Casas Regionais de Cuidado da Mulher e um dispositivo de emergência ligado à polícia para mulheres sob medida protetiva. O plano afirma que a medida protetiva, isoladamente, não impede que mulheres continuem sendo mortas.
O documento também leva a prevenção da violência para dentro das escolas. A proposta prevê equipes multiprofissionais com psicólogo e assistente social, formação dos profissionais da educação para reconhecer sinais de violência contra crianças e adolescentes, inclusão da Lei Maria da Penha no currículo em linguagem adequada a cada idade e campanhas permanentes de prevenção à violência doméstica.
Otaviano Pivetta (Republicanos) é governador de Mato Grosso e candidato à reeleição. Seu plano tem como lema “Segurança Firme, Tolerância Zero” e prevê a criação do Batalhão Rural da Polícia Militar, expansão de câmeras de monitoramento, uso de drones na fronteira e ampliação do banco de dados de DNA.
O plano acrescenta a criação de delegacias regionais especializadas no combate ao crime organizado, ampliação da Força Tática e da Rotam nas Regiões Integradas de Segurança Pública e implantação de Delegacia Virtual nos 142 municípios. Também prevê o uso de inteligência artificial para otimizar o policiamento e a expansão do cercamento digital nas divisas estaduais e na faixa de fronteira.
Na área de segurança pública, o plano prevê concursos periódicos para a Polícia Penal e para as equipes do sistema socioeducativo.
Na proteção às mulheres, Pivetta propõe a expansão do Vigia Mais MT, programa estadual já existente, a ampliação da Patrulha Maria da Penha, novas unidades da Casa da Mulher Brasileira, expansão de delegacias especializadas, atendimento pericial humanizado às vítimas de violência sexual e monitoramento eletrônico de agressores.
O plano prevê ainda integrar o Vigia Mais MT ao Botão do Pânico, permitir acolhimento pela Delegacia Virtual 24 horas, realizar avaliação técnica de risco e possibilitar oitivas remotas e solicitação de medidas protetivas sem necessidade de deslocamento entre municípios. Também propõe monitorar chamadas ao 190 relacionadas à violência que não tenham resultado imediatamente em boletim de ocorrência, com o objetivo de identificar reincidências e orientar visitas preventivas da Patrulha Maria da Penha.
Rafaell Milas (Missão) inclui em seu plano de governo para 2027 a 2030 a construção de um presídio de segurança máxima, batizado de “Inferno Pantaneiro”, para isolar lideranças de facções sob regime disciplinar diferenciado, com escolta tática.
O plano prevê que a unidade tenha celas individuais, bloqueio de comunicação e scanner corporal tridimensional. Também propõe ampliar o Gefron com drones de longa distância, sensores termais e imageamento por satélite, além de criar um núcleo integrado entre Polícia Civil, Polícia Penal e Sefaz para identificar, bloquear e confiscar patrimônio de organizações criminosas.
Milas também propõe modernizar a Polícia Científica com equipamentos de análise balística automatizada, identificação de DNA e perícia digital forense, além de utilizar reconhecimento facial e leitura automatizada de placas.
O plano estabelece como meta reduzir em 55% a taxa de crimes violentos letais intencionais nas macrorregiões prioritárias e alcançar 80% da população carcerária condenada em atividade laboral produtiva.
O documento não apresenta proposta específica de enfrentamento à violência contra a mulher. O eixo de segurança concentra as medidas no combate às facções, controle da fronteira, sistema penitenciário, inteligência financeira e modernização das forças policiais.
Wellington Fagundes (PL) propõe a política MT Seguro, um modelo estadual de gestão por resultados, além da ampliação das bases do Gefron na fronteira com a Bolívia.
O plano também prevê ampliar o videomonitoramento para todos os municípios, reestruturar a Polícia Comunitária e modernizar de forma integrada as forças de segurança. No sistema penitenciário, propõe scanners corporais, bloqueadores de comunicação e sistemas antidrones, além do uso de inteligência de dados para classificação prisional e monitoramento eletrônico.
Na proteção às mulheres, Fagundes propõe a criação de uma Secretaria da Mulher, com coordenação própria e orçamento definido. O plano também apresenta avaliação de risco, acompanhamento de vítimas, prevenção nas escolas, responsabilização de agressores, unidades integradas de atendimento, Salas Lilás e ações de autonomia econômica.
A proposta prevê institucionalizar uma política permanente de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher, com foco na redução do feminicídio e na interrupção de ciclos reiterados de violência. Também inclui um programa de responsabilização e reeducação de autores de violência doméstica, fortalecimento dos organismos municipais de políticas para mulheres e formação de agentes públicos, profissionais de saúde, educadores, conselheiros tutelares e lideranças comunitárias para atuação na rede de proteção.
O plano ainda prevê programa de autonomia econômica para mulheres em situação de violência ou vulnerabilidade, apoio à empregabilidade de mulheres acolhidas e medidas específicas destinadas às mulheres do campo.
Dos cinco planos, os de Wellington Fagundes e Natasha Slhessarenko propõem a criação de uma Secretaria da Mulher com previsão orçamentária expressa.
A comparação também mostra diferenças na extensão dedicada especificamente ao tema. Enquanto Wellington, Natasha e Pivetta apresentam conjuntos de medidas direcionadas à proteção das mulheres, o plano de Maurício aborda o enfrentamento à violência dentro de uma estratégia mais ampla de segurança e o de Milas não apresenta política específica para a violência contra a mulher.
O portal analisou os cinco planos de governo que constavam do DivulgaCandContas em consulta feita em 16 de agosto de 2026.
A comparação considera o que Maurício Coelho, Natasha Slhessarenko, Otaviano Pivetta, Rafaell Milas e Wellington Fagundes propõem para a segurança pública e para o enfrentamento à violência contra a mulher. Os candidatos aparecem em ordem alfabética.
Das 95 mulheres assassinadas em Mato Grosso em 2025, 53 foram vítimas de feminicídio, o equivalente a 55,8% do total, acima da proporção nacional de 44,4%. Em 2024, essa proporção no estado era de 47,5%.
Mato Grosso também teve a segunda maior taxa de tentativas de feminicídio do país, com 12,5 vítimas por 100 mil mulheres.
O descumprimento de medida protetiva de urgência também subiu. Os registros passaram de 1.956 para 2.292 entre 2024 e 2025, alta de 17,2%.
A taxa subiu de 51 para 58,9 registros por 100 mil habitantes, variação de 15,5%. Sete vítimas de feminicídio em 2025 tinham medida protetiva ativa no momento do óbito, contra uma em 2024.
Segundo levantamento do Observatório Caliandra citado pelo PNB Online, Mato Grosso chegou a 31 mulheres vítimas de feminicídio em 2026 após a morte de Ana Cristina Pacheco Matos, de 20 anos, em Cuiabá, no dia 15 de agosto.
Mato Grosso registrou ainda 670 vítimas de estupro e 1.667 vítimas de estupro de vulnerável em 2025. Os dois números caíram em relação a 2024.
O crime de estupro de vulnerável ocorre quando há conjunção carnal ou outro ato libidinoso com menor de 14 anos. Também abrange pessoas que, por enfermidade ou deficiência mental, não têm o discernimento necessário para a prática do ato ou que, por qualquer outra causa, não podem oferecer resistência.
Somadas as duas categorias, Mato Grosso registrou uma taxa de 60 vítimas por 100 mil habitantes, 52% acima da taxa nacional, de 39,5.
Sinop aparece em terceiro lugar entre os municípios brasileiros com população igual ou superior a 100 mil habitantes nesse recorte combinado, com 91,2 vítimas por 100 mil habitantes, atrás de Boa Vista (RR) e Ariquemes (RO).
Dos 7.755 cargos previstos para cabos e soldados da Polícia Militar, 2.512 estavam ocupados no terceiro trimestre de 2026, o equivalente a 32,4%, segundo o Lotacionograma da corporação.
Em uma proposta intitulada “A Máquina de Guerra”, dentro do capítulo de segurança do seu plano, Maurício Coelho (Mobiliza) prevê integrar bancos de dados e compartilhar informações entre as polícias Militar, Civil, Penal, Federal e Rodoviária Federal, além de fortalecer o Bope-MT e usar drones.
Maurício também propõe o modelo “Polícia por Desempenho”, que não deve avaliar as corporações apenas pelo número de prisões. O plano menciona investigação, prevenção e rede de atendimento como necessárias à proteção das mulheres, mas não detalha uma política própria para o tema no capítulo de segurança.
Natasha Slhessarenko (PSD) propõe concurso público e plano de carreira para a Politec, além de um mutirão para reduzir o passivo de laudos periciais represados.
O diagnóstico apresentado no plano aponta mais de 10 mil perícias aguardando laudo e 79 peritos em atividade diante de uma necessidade de 127 profissionais, identificada, segundo o próprio documento, em 2003. O plano também propõe reposição regular do efetivo das polícias Militar e Civil.
Na proteção às mulheres, Natasha propõe uma Secretaria de Estado da Mulher com orçamento próprio, Casas Regionais de Cuidado da Mulher e um dispositivo de emergência ligado à polícia para mulheres sob medida protetiva. O plano afirma que a medida protetiva, isoladamente, não impede que mulheres continuem sendo mortas.
O documento também leva a prevenção da violência para dentro das escolas. A proposta prevê equipes multiprofissionais com psicólogo e assistente social, formação dos profissionais da educação para reconhecer sinais de violência contra crianças e adolescentes, inclusão da Lei Maria da Penha no currículo em linguagem adequada a cada idade e campanhas permanentes de prevenção à violência doméstica.
Otaviano Pivetta (Republicanos) é governador de Mato Grosso e candidato à reeleição. Seu plano tem como lema “Segurança Firme, Tolerância Zero” e prevê a criação do Batalhão Rural da Polícia Militar, expansão de câmeras de monitoramento, uso de drones na fronteira e ampliação do banco de dados de DNA.
O plano acrescenta a criação de delegacias regionais especializadas no combate ao crime organizado, ampliação da Força Tática e da Rotam nas Regiões Integradas de Segurança Pública e implantação de Delegacia Virtual nos 142 municípios. Também prevê o uso de inteligência artificial para otimizar o policiamento e a expansão do cercamento digital nas divisas estaduais e na faixa de fronteira.
Na área de segurança pública, o plano prevê concursos periódicos para a Polícia Penal e para as equipes do sistema socioeducativo.
Na proteção às mulheres, Pivetta propõe a expansão do Vigia Mais MT, programa estadual já existente, a ampliação da Patrulha Maria da Penha, novas unidades da Casa da Mulher Brasileira, expansão de delegacias especializadas, atendimento pericial humanizado às vítimas de violência sexual e monitoramento eletrônico de agressores.
O plano prevê ainda integrar o Vigia Mais MT ao Botão do Pânico, permitir acolhimento pela Delegacia Virtual 24 horas, realizar avaliação técnica de risco e possibilitar oitivas remotas e solicitação de medidas protetivas sem necessidade de deslocamento entre municípios. Também propõe monitorar chamadas ao 190 relacionadas à violência que não tenham resultado imediatamente em boletim de ocorrência, com o objetivo de identificar reincidências e orientar visitas preventivas da Patrulha Maria da Penha.
Rafaell Milas (Missão) inclui em seu plano de governo para 2027 a 2030 a construção de um presídio de segurança máxima, batizado de “Inferno Pantaneiro”, para isolar lideranças de facções sob regime disciplinar diferenciado, com escolta tática.
O plano prevê que a unidade tenha celas individuais, bloqueio de comunicação e scanner corporal tridimensional. Também propõe ampliar o Gefron com drones de longa distância, sensores termais e imageamento por satélite, além de criar um núcleo integrado entre Polícia Civil, Polícia Penal e Sefaz para identificar, bloquear e confiscar patrimônio de organizações criminosas.
Milas também propõe modernizar a Polícia Científica com equipamentos de análise balística automatizada, identificação de DNA e perícia digital forense, além de utilizar reconhecimento facial e leitura automatizada de placas.
O plano estabelece como meta reduzir em 55% a taxa de crimes violentos letais intencionais nas macrorregiões prioritárias e alcançar 80% da população carcerária condenada em atividade laboral produtiva.
O documento não apresenta proposta específica de enfrentamento à violência contra a mulher. O eixo de segurança concentra as medidas no combate às facções, controle da fronteira, sistema penitenciário, inteligência financeira e modernização das forças policiais.
Wellington Fagundes (PL) propõe a política MT Seguro, um modelo estadual de gestão por resultados, além da ampliação das bases do Gefron na fronteira com a Bolívia.
O plano também prevê ampliar o videomonitoramento para todos os municípios, reestruturar a Polícia Comunitária e modernizar de forma integrada as forças de segurança. No sistema penitenciário, propõe scanners corporais, bloqueadores de comunicação e sistemas antidrones, além do uso de inteligência de dados para classificação prisional e monitoramento eletrônico.
Na proteção às mulheres, Fagundes propõe a criação de uma Secretaria da Mulher, com coordenação própria e orçamento definido. O plano também apresenta avaliação de risco, acompanhamento de vítimas, prevenção nas escolas, responsabilização de agressores, unidades integradas de atendimento, Salas Lilás e ações de autonomia econômica.
A proposta prevê institucionalizar uma política permanente de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher, com foco na redução do feminicídio e na interrupção de ciclos reiterados de violência. Também inclui um programa de responsabilização e reeducação de autores de violência doméstica, fortalecimento dos organismos municipais de políticas para mulheres e formação de agentes públicos, profissionais de saúde, educadores, conselheiros tutelares e lideranças comunitárias para atuação na rede de proteção.
O plano ainda prevê programa de autonomia econômica para mulheres em situação de violência ou vulnerabilidade, apoio à empregabilidade de mulheres acolhidas e medidas específicas destinadas às mulheres do campo.
Dos cinco planos, os de Wellington Fagundes e Natasha Slhessarenko propõem a criação de uma Secretaria da Mulher com previsão orçamentária expressa.
A comparação também mostra diferenças na extensão dedicada especificamente ao tema. Enquanto Wellington, Natasha e Pivetta apresentam conjuntos de medidas direcionadas à proteção das mulheres, o plano de Maurício aborda o enfrentamento à violência dentro de uma estratégia mais ampla de segurança e o de Milas não apresenta política específica para a violência contra a mulher.
Publicado originalmente em deixaqueeuteconto.com.br


