Mauro Mendes é cotado para ministérios da Agricultura e de Minas e Energia em eventual governo de Flávio Bolsonaro
Segundo a Folha de S.Paulo, articulações com representantes do agronegócio incluem o ex-governador de Mato Grosso; eventual nomeação abriria vaga no Senado para Cidinho Santos

O senador eleito e ex-governador de Mato Grosso Mauro Mendes (União) está entre os nomes cogitados para integrar um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL), caso o candidato vença o segundo turno da eleição presidencial, marcado para este domingo (25). A possibilidade foi divulgada pela Folha de S.Paulo, em reportagem intitulada “Agro mira ministérios do Meio Ambiente e de Minas e Energia em eventual governo Flávio Bolsonaro”.
De acordo com o jornal, Mendes é considerado tanto para o Ministério da Agricultura e Pecuária quanto para o Ministério de Minas e Energia. As articulações envolvem representantes do agronegócio interessados em ampliar a participação do setor na composição de uma possível gestão do candidato do PL.
Para a pasta de Minas e Energia, a reportagem destaca a formação de Mendes como engenheiro eletricista e sua interlocução com empresas do setor de biocombustíveis. Já na Agricultura, o ex-governador aparece entre os nomes avaliados, embora o deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR) seja apontado como favorito para o cargo.
Uma eventual nomeação de Mendes também teria impacto na composição do Senado. Primeiro suplente do ex-governador, o empresário Cidinho Santos (PP) poderia assumir a cadeira caso o senador eleito fosse escolhido para comandar um ministério.
Próximo da família Bolsonaro, Cidinho participou das articulações de apoio à candidatura de Flávio em Mato Grosso e junto a empresários de diferentes regiões do país. Até o momento, os nomes mencionados fazem parte das negociações políticas para uma possível formação de governo, sem definição oficial sobre as nomeações.
A reportagem da Folha de S.Paulo também apresenta outros nomes e mudanças estudadas para a estrutura ministerial. Na área de energia, além de Mauro Mendes, aparece André Pepitone, que ocupou a diretoria financeira de Itaipu durante os governos de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. Nomeado por Bolsonaro em 2022, ele foi reconduzido ao cargo por Lula em 2023, após uma breve exoneração. Seu nome é considerado para diferentes funções, inclusive o comando da usina binacional, em razão da experiência acumulada.
Outro personagem citado é Pires, que mantém uma relação de amizade com o empresário Carlos Suarez, com forte atuação no mercado de gás. Segundo a publicação, Pires nunca negou a proximidade, mas afirma que ela não interfere em seu trabalho profissional.
Na área econômica, a equipe responsável pelo plano de governo de Flávio avalia a criação do Ministério da Prosperidade, que teria Daniella Marques como principal cotada para o comando. A proposta é transformar a nova pasta em um superministério voltado à reformulação das políticas de incentivo ao empreendedorismo e de qualificação profissional.
O projeto prevê a fusão do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), responsável pela gestão do Bolsa Família. A Caixa Econômica Federal também seria mobilizada para apoiar as ações.
A ideia, segundo pessoas que acompanham a elaboração da proposta, é integrar políticas de assistência social a mecanismos de incentivo aos pequenos negócios. A intenção seria criar uma transição para que pessoas que recebem benefícios sociais tenham apoio do Estado para ingressar no mercado formal de trabalho, seja por meio de um emprego ou da abertura de um pequeno empreendimento.
A criação da pasta também é apresentada pela equipe econômica como uma forma de preparar o país para os efeitos da inteligência artificial sobre o mercado de trabalho. Aliados de Flávio na área econômica avaliam que a tecnologia terá impacto significativo sobre o emprego nos próximos anos.
A reorganização ministerial está alinhada à promessa de reduzir o número de ministérios. Atualmente, o governo federal possui 38 pastas, mas Flávio ainda não definiu a quantidade que pretende manter caso seja eleito. Entre as possibilidades mencionadas estão 25 ou 27 ministérios.
As discussões também incluem a retomada de estruturas adotadas durante o governo de Jair Bolsonaro. Uma das propostas é reunir os ministérios dos Transportes e de Portos e Aeroportos em uma única pasta de Infraestrutura. Outra avaliação é que os ministérios da Fazenda e do Planejamento poderiam funcionar de maneira integrada.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



