Mendonça e Moraes têm discussão tensa sobre caso Vorcaro; investigação vai ao plenário do STF
Relator do caso Master questionou como Moraes soube antecipadamente de movimentação envolvendo a PGR; nesta terça-feira, Mendonça retirou sigilo de material da PF e anunciou que novos elementos serão analisados publicamente pelo Supremo
Por Daniel Trindade4 min de leitura

Os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes tiveram uma conversa tensa nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF) em meio ao avanço das investigações relacionadas ao Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O episódio ocorreu na segunda-feira (31) e ganhou uma nova dimensão nesta terça-feira (1º), depois que Mendonça retirou o sigilo de material produzido pela Polícia Federal e anunciou que levará os novos elementos ao plenário da Corte.
Mendonça é relator no STF da investigação envolvendo o Banco Master. Segundo relatos publicados pela imprensa, Moraes o procurou após tomar conhecimento de que informações relacionadas a conversas com Vorcaro seriam submetidas à Procuradoria-Geral da República (PGR).
A situação provocou questionamentos porque a providência ainda não havia sido formalizada naquele momento. De acordo com o Estadão, Mendonça indagou como Moraes havia tomado conhecimento antecipadamente da movimentação e levantou a possibilidade de informações da investigação terem chegado previamente ao colega.
Outros relatos sobre o encontro descrevem a conversa entre os ministros como “dura e ríspida”. A CNN informou que Mendonça havia comunicado previamente ao presidente do STF, Edson Fachin, que avançaria na apuração. Depois, conversou com Moraes, mas não teria revelado todos os detalhes das providências que pretendia adotar.
Nesta terça-feira, a crise ganhou um novo capítulo. Mendonça retirou o sigilo da ação que trata de mensagens envolvendo Vorcaro e Moraes e encaminhou à PGR elementos reunidos pela Polícia Federal.
O relator concedeu prazo de cinco dias para manifestação da Procuradoria sobre documento da PF no qual aparecem mensagens em que Vorcaro pede a um interlocutor atuação de “Andrei e Paulo” em seu favor. A investigação trabalha com a suspeita de que as referências seriam a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, procurador-geral da República. A PF também aponta a suspeita de que o interlocutor dessas mensagens seja Moraes.
A existência das mensagens, entretanto, não significa por si só que Moraes, Rodrigues ou Gonet tenham praticado alguma irregularidade. O material integra uma investigação e ainda será submetido à análise das instituições responsáveis.
O caso avançou ainda mais depois de Mendonça indicar que não pretende limitar a análise à manifestação da PGR.
Em decisão divulgada nesta terça-feira, o ministro afirmou que, independentemente da posição apresentada pela Procuradoria, os novos elementos deverão ser analisados pelo plenário do Supremo.
“Diante do teor das informações apresentadas pela autoridade policial, independentemente de qual venha a ser a manifestação exarada pela douta Procuradoria-Geral da República, o caminho inevitável dos presentes autos leva ao Plenário deste Supremo Tribunal Federal”, escreveu Mendonça.
O ministro defendeu que a discussão seja realizada de maneira pública e transparente, em sessão presencial, cuja data deverá ser definida pelo presidente do STF, Edson Fachin.
As informações liberadas nesta terça também revelaram novos detalhes sobre a relação mantida entre Vorcaro e Moraes.
Relatório da Polícia Federal contém mensagens atribuídas ao ex-banqueiro dirigidas a Moraes e registros que, segundo a investigação, indicam encontros entre os dois. Em uma das mensagens divulgadas, Vorcaro elogia o ministro e afirma que “todo sacrifício pessoal” valeria a pena.
Outra frente revelada nesta terça-feira envolve o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.
Análise da Polícia Federal sobre os metadados de um documento encontrado no celular de Vorcaro identificou edições atribuídas a um usuário denominado “Ministro Alexandre de Moraes” em contrato de R$ 131 milhões firmado entre o banco e o escritório, segundo reportagem da Folha de S.Paulo.
O escritório afirmou que seu setor de compliance solicitou informações ao ministro e sustentou que não havia impedimento para a contratação. Também afirmou que Moraes nunca julgou causa envolvendo o Banco Master e que os serviços advocatícios previstos foram efetivamente prestados.
As novas revelações elevaram a tensão dentro do Supremo. Segundo a CNN, ministros foram surpreendidos pela retirada do sigilo antes da manifestação da PGR, e Fachin passou a defender reservadamente uma reunião entre os integrantes da Corte para evitar que a crise interna provoque maior desgaste institucional.
A discussão entre Mendonça e Moraes, portanto, deixou de ser apenas um episódio de bastidor. Com a retirada do sigilo, o envio dos elementos à PGR e a decisão de levar o material ao plenário, o caso Vorcaro passa a colocar o próprio Supremo diante da necessidade de discutir publicamente as informações reunidas pela Polícia Federal.
Mendonça é relator no STF da investigação envolvendo o Banco Master. Segundo relatos publicados pela imprensa, Moraes o procurou após tomar conhecimento de que informações relacionadas a conversas com Vorcaro seriam submetidas à Procuradoria-Geral da República (PGR).
A situação provocou questionamentos porque a providência ainda não havia sido formalizada naquele momento. De acordo com o Estadão, Mendonça indagou como Moraes havia tomado conhecimento antecipadamente da movimentação e levantou a possibilidade de informações da investigação terem chegado previamente ao colega.
Outros relatos sobre o encontro descrevem a conversa entre os ministros como “dura e ríspida”. A CNN informou que Mendonça havia comunicado previamente ao presidente do STF, Edson Fachin, que avançaria na apuração. Depois, conversou com Moraes, mas não teria revelado todos os detalhes das providências que pretendia adotar.
Nesta terça-feira, a crise ganhou um novo capítulo. Mendonça retirou o sigilo da ação que trata de mensagens envolvendo Vorcaro e Moraes e encaminhou à PGR elementos reunidos pela Polícia Federal.
O relator concedeu prazo de cinco dias para manifestação da Procuradoria sobre documento da PF no qual aparecem mensagens em que Vorcaro pede a um interlocutor atuação de “Andrei e Paulo” em seu favor. A investigação trabalha com a suspeita de que as referências seriam a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, procurador-geral da República. A PF também aponta a suspeita de que o interlocutor dessas mensagens seja Moraes.
A existência das mensagens, entretanto, não significa por si só que Moraes, Rodrigues ou Gonet tenham praticado alguma irregularidade. O material integra uma investigação e ainda será submetido à análise das instituições responsáveis.
O caso avançou ainda mais depois de Mendonça indicar que não pretende limitar a análise à manifestação da PGR.
Em decisão divulgada nesta terça-feira, o ministro afirmou que, independentemente da posição apresentada pela Procuradoria, os novos elementos deverão ser analisados pelo plenário do Supremo.
“Diante do teor das informações apresentadas pela autoridade policial, independentemente de qual venha a ser a manifestação exarada pela douta Procuradoria-Geral da República, o caminho inevitável dos presentes autos leva ao Plenário deste Supremo Tribunal Federal”, escreveu Mendonça.
O ministro defendeu que a discussão seja realizada de maneira pública e transparente, em sessão presencial, cuja data deverá ser definida pelo presidente do STF, Edson Fachin.
As informações liberadas nesta terça também revelaram novos detalhes sobre a relação mantida entre Vorcaro e Moraes.
Relatório da Polícia Federal contém mensagens atribuídas ao ex-banqueiro dirigidas a Moraes e registros que, segundo a investigação, indicam encontros entre os dois. Em uma das mensagens divulgadas, Vorcaro elogia o ministro e afirma que “todo sacrifício pessoal” valeria a pena.
Outra frente revelada nesta terça-feira envolve o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.
Análise da Polícia Federal sobre os metadados de um documento encontrado no celular de Vorcaro identificou edições atribuídas a um usuário denominado “Ministro Alexandre de Moraes” em contrato de R$ 131 milhões firmado entre o banco e o escritório, segundo reportagem da Folha de S.Paulo.
O escritório afirmou que seu setor de compliance solicitou informações ao ministro e sustentou que não havia impedimento para a contratação. Também afirmou que Moraes nunca julgou causa envolvendo o Banco Master e que os serviços advocatícios previstos foram efetivamente prestados.
As novas revelações elevaram a tensão dentro do Supremo. Segundo a CNN, ministros foram surpreendidos pela retirada do sigilo antes da manifestação da PGR, e Fachin passou a defender reservadamente uma reunião entre os integrantes da Corte para evitar que a crise interna provoque maior desgaste institucional.
A discussão entre Mendonça e Moraes, portanto, deixou de ser apenas um episódio de bastidor. Com a retirada do sigilo, o envio dos elementos à PGR e a decisão de levar o material ao plenário, o caso Vorcaro passa a colocar o próprio Supremo diante da necessidade de discutir publicamente as informações reunidas pela Polícia Federal.
Publicado originalmente em deixaqueeuteconto.com.br



