Pivetta descarta fraude eleitoral, reconhece vitória de Lula e promete relação institucional com governo federal
Governador de Mato Grosso defendeu a confiabilidade das urnas, apesar de seu alinhamento ao bolsonarismo, e afirmou que manterá uma relação respeitosa com a gestão petista

O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) descartou irregularidades no segundo turno da eleição presidencial, que terminou com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O petista recebeu 51,79% dos votos válidos, o equivalente a 64.256.232 votos, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) alcançou 48,21%, com 59.826.041 votos. Derrotado, o candidato bolsonarista não reconheceu o resultado e anunciou que pedirá a anulação do pleito.
Questionado sobre a votação, Pivetta defendeu o reconhecimento da decisão dos eleitores e afirmou confiar no sistema eleitoral brasileiro. “Eu acredito na soberania do povo. Nosso sistema eleitoral é confiável”, declarou.
Apesar de manter alinhamento ao bolsonarismo desde 2019, o governador também afirmou que pretende preservar uma relação institucional com o governo federal durante seu segundo mandato à frente de Mato Grosso. “[A relação] será respeitosa como tem que ser qualquer relação política. Será institucional”, completou.
No último sábado (24), durante participação no Bloquinho 22, em Cuiabá, Pivetta havia demonstrado apoio ao projeto político de Flávio Bolsonaro e criticado a atual situação do país. Na ocasião, atribuiu ao senador a expectativa de mudança entre os eleitores insatisfeitos com o governo federal.
“Ele representa a esperança, representa a mudança, representa nosso sentimento de frustração com o Brasil atual, com o Brasil mal governado. É isso que ele representa”, afirmou.
A trajetória política de Pivetta passou por diferentes correntes ideológicas. No início da carreira, ele esteve ligado ao brizolismo dentro do PDT e, durante os três mandatos como prefeito de Lucas do Rio Verde, foi um apoiador da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), a quem chegou a elogiar publicamente em diferentes eventos.
Em 2018, um áudio vazado revelou críticas duras do então político a Jair Bolsonaro e à família do ex-presidente. Na gravação, Pivetta afirmava que Bolsonaro não havia produzido nada na vida e que sua atuação política se limitava a eleger os próprios filhos.
A aproximação com o bolsonarismo ocorreu gradualmente a partir de 2019, quando Pivetta já ocupava o cargo de vice-governador. No período, ele também se filiou ao Republicanos. Posteriormente, mesmo com o PL lançando o senador Wellington Fagundes como candidato ao governo de Mato Grosso, Pivetta recebeu amplo apoio de integrantes bolsonaristas da legenda e acabou reeleito.
Desde que assumiu o comando do Executivo estadual, o governador também tem defendido que Mato Grosso não depende de repasses ou auxílio do governo federal para manter seu desenvolvimento. A posição é frequentemente resumida por ele na afirmação de que o estado consegue caminhar com as próprias pernas.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



