Rui Costa e Jaques Wagner ajudaram a ampliar negócio de Daniel Vorcaro, diz site
Levantamento do Poder360 aponta que decretos editados na Bahia após privatização teriam ampliado o negócio e contribuído para a expansão do cartão ligado ao Banco Master
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Uma reportagem do site Poder360 aponta que a origem de uma das principais operações que impulsionaram o Banco Master estaria relacionada à privatização do Credcesta, programa criado na Bahia para permitir que servidores públicos comprassem alimentos com desconto direto em folha. Segundo o levantamento, o negócio teria sido transformado em uma plataforma de empréstimos consignados após medidas adotadas durante os governos de Jaques Wagner e Rui Costa, ambos do PT.
O relatório da Polícia Federal sobre Wagner, cujo sigilo foi retirado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), tem 98 páginas e menciona aspectos relacionados ao caso. A reportagem afirma que a operação ganhou relevância após o empresário Augusto Lima, conhecido como Guga Lima, assumir o controle do Credcesta e posteriormente se associar a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
A Ebal (Empresa Baiana de Alimentos), responsável pela rede de supermercados Cesta do Povo, acumulava prejuízos anuais de cerca de R$ 80 milhões. Criada no governo de Antônio Carlos Magalhães, a estatal chegou a administrar centenas de lojas. Wagner sancionou, no fim de 2014, uma autorização para a privatização da empresa. Duas tentativas de venda, em 2016 e 2018, fracassaram até que, em abril de 2018, a NGV Empreendimentos e Participações arrematou a Ebal, os 49 supermercados e o Credcesta por R$ 15 milhões.
De acordo com o Poder360, Augusto Lima teria atuado nos bastidores da negociação e mantido contatos com Wagner e Rui Costa antes da privatização. Na época, Wagner comandava a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia, enquanto Rui era governador. Cerca de duas semanas depois da venda, em 27 de abril de 2018, Rui Costa assinou dois decretos que ampliaram as possibilidades de utilização do Credcesta. Os atos permitiram a oferta de serviços financeiros e creditícios e incluíram o programa no sistema de consignação em folha, com margem própria de até 30% da remuneração líquida.
Com as mudanças, o cartão deixou de ser restrito à compra de alimentos e passou a permitir saques em dinheiro, transformados em empréstimos consignados. Segundo a reportagem, os juros cobrados ficavam próximos de 5% ao mês, enquanto a taxa média de empréstimos consignados para servidores públicos variava entre 1,37% e 1,59% ao mês no período analisado. O modelo também garantia desconto diretamente na folha salarial, reduzindo o risco de inadimplência.
Ainda conforme o levantamento, Rui Costa editou em janeiro de 2022 outro decreto que restringiu a possibilidade de servidores transferirem dívidas do Credcesta para instituições financeiras concorrentes. Na prática, segundo o Poder360, a medida teria impedido que funcionários migrassem contratos para bancos com juros menores. A Associação dos Funcionários Públicos do Estado da Bahia (AFPEB) levou o caso à Justiça e afirmou que servidores poderiam ficar presos a um sistema de “endividamento perpétuo”.
A reportagem aponta que o Credcesta posteriormente se tornou uma importante fonte de negócios para o Banco Master. Em 2018, Augusto Lima se aproximou do Banco Máxima, que posteriormente se tornou o Master, de Daniel Vorcaro. A estratégia incluía a securitização e revenda das carteiras de crédito para bancos, fundos e investidores. Segundo dados atribuídos à Receita Federal e apresentados à CPI do Crime Organizado, o Master teria obtido R$ 1,6 bilhão em 2024 com a revenda de carteiras do Credcesta, enquanto a receita com os juros das operações originais chegou a R$ 709 milhões.
O produto também se expandiu para fora da Bahia. Em 2024, o Credcesta estava presente em 24 Estados e 176 municípios. O número de clientes com crédito ativo no Master teria passado de 33.685, no fim de 2018, para 5,8 milhões em 2024. No mesmo período, o banco informou crescimento dos depósitos, dos ativos e do patrimônio líquido, embora a reportagem ressalve que dados financeiros da instituição devem ser analisados com cautela diante das suspeitas de ocultação de informações.
As investigações da Operação Compliance Zero também colocaram o Credcesta no centro das apurações. Segundo decisão de André Mendonça citada pelo Poder360, a Polícia Federal identificou uma transferência de R$ 3,5 milhões da PKL One Participações, ligada ao núcleo de Augusto Lima, para a BN Financeira, empresa apontada como associada ao núcleo familiar de Jaques Wagner. Planilhas encontradas pela investigação também registrariam pagamentos superiores a R$ 2,34 milhões a uma pessoa identificada como “Dudu”, que a PF relacionaria a Eduardo Sodré Martins, enteado de Wagner. O senador nega ter recebido propina e afirmou que sua defesa apresenta os esclarecimentos nos autos.
Wagner também defendeu a privatização durante depoimento à CPMI do INSS, em fevereiro, e negou relação entre o PT e as irregularidades investigadas no Master. Ele afirmou que a venda ocorreu antes da existência do Banco Máxima ou do Banco Master e disse que a ligação posterior entre o Credcesta e a instituição financeira foi autorizada pelo Banco Central. Rui Costa não respondeu aos pedidos de manifestação feitos pelo Poder360. Daniel Vorcaro e Augusto Lima também não responderam aos contatos da reportagem.
O atual governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), afirmou que o contrato do Credcesta está em análise pelas unidades competentes e defendeu a manutenção do programa. A defesa de Augusto Lima declarou, à época da Operação Compliance Zero, que o empresário “sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública”. A reportagem também informa que o Credcesta passou a acumular mais de 10 mil ações no Tribunal de Justiça da Bahia e que o INSS abriu apuração após identificar crescimento expressivo do produto entre beneficiários da Previdência.
A sociedade entre Augusto Lima e Vorcaro começou a ser desfeita em 2024, quando Lima deixou o Banco Master e levou o controle do Credcesta para o banco Voiter, posteriormente chamado Pleno. O Banco Central autorizou a operação em julho de 2025, mas o Pleno foi liquidado extrajudicialmente em fevereiro de 2026. Paralelamente, a Operação Compliance Zero avançou para sua nona fase, em junho, quando Jaques Wagner e Augusto Lima foram alvos de medidas da PF. A décima fase ocorreu em julho e teve como alvo o publicitário Thiago Miranda, citado nas investigações por supostamente monitorar a jornalista Malu Gaspar a pedido de Vorcaro.
O relatório da Polícia Federal sobre Wagner, cujo sigilo foi retirado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), tem 98 páginas e menciona aspectos relacionados ao caso. A reportagem afirma que a operação ganhou relevância após o empresário Augusto Lima, conhecido como Guga Lima, assumir o controle do Credcesta e posteriormente se associar a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
A Ebal (Empresa Baiana de Alimentos), responsável pela rede de supermercados Cesta do Povo, acumulava prejuízos anuais de cerca de R$ 80 milhões. Criada no governo de Antônio Carlos Magalhães, a estatal chegou a administrar centenas de lojas. Wagner sancionou, no fim de 2014, uma autorização para a privatização da empresa. Duas tentativas de venda, em 2016 e 2018, fracassaram até que, em abril de 2018, a NGV Empreendimentos e Participações arrematou a Ebal, os 49 supermercados e o Credcesta por R$ 15 milhões.
De acordo com o Poder360, Augusto Lima teria atuado nos bastidores da negociação e mantido contatos com Wagner e Rui Costa antes da privatização. Na época, Wagner comandava a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia, enquanto Rui era governador. Cerca de duas semanas depois da venda, em 27 de abril de 2018, Rui Costa assinou dois decretos que ampliaram as possibilidades de utilização do Credcesta. Os atos permitiram a oferta de serviços financeiros e creditícios e incluíram o programa no sistema de consignação em folha, com margem própria de até 30% da remuneração líquida.
Com as mudanças, o cartão deixou de ser restrito à compra de alimentos e passou a permitir saques em dinheiro, transformados em empréstimos consignados. Segundo a reportagem, os juros cobrados ficavam próximos de 5% ao mês, enquanto a taxa média de empréstimos consignados para servidores públicos variava entre 1,37% e 1,59% ao mês no período analisado. O modelo também garantia desconto diretamente na folha salarial, reduzindo o risco de inadimplência.
Ainda conforme o levantamento, Rui Costa editou em janeiro de 2022 outro decreto que restringiu a possibilidade de servidores transferirem dívidas do Credcesta para instituições financeiras concorrentes. Na prática, segundo o Poder360, a medida teria impedido que funcionários migrassem contratos para bancos com juros menores. A Associação dos Funcionários Públicos do Estado da Bahia (AFPEB) levou o caso à Justiça e afirmou que servidores poderiam ficar presos a um sistema de “endividamento perpétuo”.
A reportagem aponta que o Credcesta posteriormente se tornou uma importante fonte de negócios para o Banco Master. Em 2018, Augusto Lima se aproximou do Banco Máxima, que posteriormente se tornou o Master, de Daniel Vorcaro. A estratégia incluía a securitização e revenda das carteiras de crédito para bancos, fundos e investidores. Segundo dados atribuídos à Receita Federal e apresentados à CPI do Crime Organizado, o Master teria obtido R$ 1,6 bilhão em 2024 com a revenda de carteiras do Credcesta, enquanto a receita com os juros das operações originais chegou a R$ 709 milhões.
O produto também se expandiu para fora da Bahia. Em 2024, o Credcesta estava presente em 24 Estados e 176 municípios. O número de clientes com crédito ativo no Master teria passado de 33.685, no fim de 2018, para 5,8 milhões em 2024. No mesmo período, o banco informou crescimento dos depósitos, dos ativos e do patrimônio líquido, embora a reportagem ressalve que dados financeiros da instituição devem ser analisados com cautela diante das suspeitas de ocultação de informações.
As investigações da Operação Compliance Zero também colocaram o Credcesta no centro das apurações. Segundo decisão de André Mendonça citada pelo Poder360, a Polícia Federal identificou uma transferência de R$ 3,5 milhões da PKL One Participações, ligada ao núcleo de Augusto Lima, para a BN Financeira, empresa apontada como associada ao núcleo familiar de Jaques Wagner. Planilhas encontradas pela investigação também registrariam pagamentos superiores a R$ 2,34 milhões a uma pessoa identificada como “Dudu”, que a PF relacionaria a Eduardo Sodré Martins, enteado de Wagner. O senador nega ter recebido propina e afirmou que sua defesa apresenta os esclarecimentos nos autos.
Wagner também defendeu a privatização durante depoimento à CPMI do INSS, em fevereiro, e negou relação entre o PT e as irregularidades investigadas no Master. Ele afirmou que a venda ocorreu antes da existência do Banco Máxima ou do Banco Master e disse que a ligação posterior entre o Credcesta e a instituição financeira foi autorizada pelo Banco Central. Rui Costa não respondeu aos pedidos de manifestação feitos pelo Poder360. Daniel Vorcaro e Augusto Lima também não responderam aos contatos da reportagem.
O atual governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), afirmou que o contrato do Credcesta está em análise pelas unidades competentes e defendeu a manutenção do programa. A defesa de Augusto Lima declarou, à época da Operação Compliance Zero, que o empresário “sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública”. A reportagem também informa que o Credcesta passou a acumular mais de 10 mil ações no Tribunal de Justiça da Bahia e que o INSS abriu apuração após identificar crescimento expressivo do produto entre beneficiários da Previdência.
A sociedade entre Augusto Lima e Vorcaro começou a ser desfeita em 2024, quando Lima deixou o Banco Master e levou o controle do Credcesta para o banco Voiter, posteriormente chamado Pleno. O Banco Central autorizou a operação em julho de 2025, mas o Pleno foi liquidado extrajudicialmente em fevereiro de 2026. Paralelamente, a Operação Compliance Zero avançou para sua nona fase, em junho, quando Jaques Wagner e Augusto Lima foram alvos de medidas da PF. A décima fase ocorreu em julho e teve como alvo o publicitário Thiago Miranda, citado nas investigações por supostamente monitorar a jornalista Malu Gaspar a pedido de Vorcaro.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



