Safra 2026/27 pode trazer recuperação financeira ao produtor rural
Por Bianca L. Trindade3 min de leitura

O produtor rural brasileiro ainda enfrenta desafios como crédito caro, endividamento e dificuldades para financiar a próxima safra, mas especialistas apontam que a safra 2026/27 pode marcar uma virada. Alexandre Mendonça de Barros, sócio da consultoria E&Y, destaca que a combinação de menor crescimento da oferta mundial de grãos, estoques baixos e o aumento do risco climático pode abrir espaço para uma recuperação nos preços, proporcionando alívio financeiro ao campo.
Entretanto, essa mudança não deve ocorrer imediatamente. Nos próximos dois a três meses, a situação ainda deve ser complicada para os produtores, principalmente devido à restrição de crédito. O sistema financeiro, que havia aumentado a oferta de recursos durante um ciclo de preços altos, começou a cortar crédito em resposta ao aumento da inadimplência e do endividamento no setor.
Esse cenário já está impactando as decisões para a próxima safra, com a expectativa de que as vendas de fósforo, por exemplo, possam cair entre 20% e 25%. Essa diminuição reflete a redução do poder de compra dos produtores e a necessidade de cortar custos, o que pode limitar o uso de tecnologia e insumos, afetando a produtividade em um momento em que o mercado sinaliza menor folga.
Nos últimos anos, os preços elevados incentivaram os agricultores a expandir a área cultivada e a aumentar os investimentos. O Brasil adicionou cerca de 50 milhões de toneladas de soja e milho ao mercado mundial em um intervalo de dois a três anos, segundo Mendonça de Barros. Contudo, com a recente queda dos preços, as margens diminuíram, enquanto os produtores ainda lidam com investimentos realizados durante a fase de bonança.
A elevação das taxas de juros, que passaram de aproximadamente 3% para cerca de 15%, também agravou a situação, reduzindo a capacidade de financiamento dos produtores. Com menos recursos, muitos estão cortando investimentos, diminuindo a utilização de fertilizantes e desacelerando a expansão.
Mendonça de Barros observa que a oferta de grãos não está crescendo na mesma proporção do consumo mundial, o que pode gerar vulnerabilidade diante de problemas de oferta. A previsão é de um El Niño potencialmente forte, que pode trazer riscos climáticos, como excesso de chuva no Sul e períodos secos no Norte e Nordeste do Brasil. Isso pode impactar negativamente as lavouras, especialmente se as chuvas não forem bem distribuídas ao longo do ciclo agrícola.
Uma modelagem da equipe da E&Y sugere que há a possibilidade de uma quebra de até 12 milhões de toneladas na produção brasileira de soja, embora essa estimativa ainda esteja sendo ajustada. O cálculo leva em consideração o calendário de plantio, o ciclo das sementes, a área cultivada, a precipitação e as temperaturas em cada município, além dos avanços tecnológicos na agricultura.
Recentemente, sinais de mudança começaram a aparecer no mercado de preços. Investidores que atuam no mercado futuro mudaram suas posições, indicando uma nova percepção sobre o equilíbrio entre oferta e demanda. Essa alteração é crucial, uma vez que, após um período de abundância, o mercado começa a perceber que a oferta pode não ser suficiente para atender ao consumo.
Embora essas mudanças sejam promissoras, Mendonça de Barros alerta que o produtor rural ainda chega à safra 2026/27 com uma situação financeira delicada, necessitando vender parte de sua produção para gerar caixa, mesmo que os preços não sejam ideais.
Por fim, a expectativa é de que a nova dinâmica de oferta mais limitada possa devolver margem ao produtor rural, mas isso dependerá de diversos fatores, como os preços dos grãos, custos, disponibilidade de crédito e os impactos climáticos. O ciclo atual pode estar mudando, mas os desafios permanecem para as cadeias de proteína animal, que podem sentir a pressão do aumento nos preços dos grãos.
Entretanto, essa mudança não deve ocorrer imediatamente. Nos próximos dois a três meses, a situação ainda deve ser complicada para os produtores, principalmente devido à restrição de crédito. O sistema financeiro, que havia aumentado a oferta de recursos durante um ciclo de preços altos, começou a cortar crédito em resposta ao aumento da inadimplência e do endividamento no setor.
Esse cenário já está impactando as decisões para a próxima safra, com a expectativa de que as vendas de fósforo, por exemplo, possam cair entre 20% e 25%. Essa diminuição reflete a redução do poder de compra dos produtores e a necessidade de cortar custos, o que pode limitar o uso de tecnologia e insumos, afetando a produtividade em um momento em que o mercado sinaliza menor folga.
Nos últimos anos, os preços elevados incentivaram os agricultores a expandir a área cultivada e a aumentar os investimentos. O Brasil adicionou cerca de 50 milhões de toneladas de soja e milho ao mercado mundial em um intervalo de dois a três anos, segundo Mendonça de Barros. Contudo, com a recente queda dos preços, as margens diminuíram, enquanto os produtores ainda lidam com investimentos realizados durante a fase de bonança.
A elevação das taxas de juros, que passaram de aproximadamente 3% para cerca de 15%, também agravou a situação, reduzindo a capacidade de financiamento dos produtores. Com menos recursos, muitos estão cortando investimentos, diminuindo a utilização de fertilizantes e desacelerando a expansão.
Mendonça de Barros observa que a oferta de grãos não está crescendo na mesma proporção do consumo mundial, o que pode gerar vulnerabilidade diante de problemas de oferta. A previsão é de um El Niño potencialmente forte, que pode trazer riscos climáticos, como excesso de chuva no Sul e períodos secos no Norte e Nordeste do Brasil. Isso pode impactar negativamente as lavouras, especialmente se as chuvas não forem bem distribuídas ao longo do ciclo agrícola.
Uma modelagem da equipe da E&Y sugere que há a possibilidade de uma quebra de até 12 milhões de toneladas na produção brasileira de soja, embora essa estimativa ainda esteja sendo ajustada. O cálculo leva em consideração o calendário de plantio, o ciclo das sementes, a área cultivada, a precipitação e as temperaturas em cada município, além dos avanços tecnológicos na agricultura.
Recentemente, sinais de mudança começaram a aparecer no mercado de preços. Investidores que atuam no mercado futuro mudaram suas posições, indicando uma nova percepção sobre o equilíbrio entre oferta e demanda. Essa alteração é crucial, uma vez que, após um período de abundância, o mercado começa a perceber que a oferta pode não ser suficiente para atender ao consumo.
Embora essas mudanças sejam promissoras, Mendonça de Barros alerta que o produtor rural ainda chega à safra 2026/27 com uma situação financeira delicada, necessitando vender parte de sua produção para gerar caixa, mesmo que os preços não sejam ideais.
Por fim, a expectativa é de que a nova dinâmica de oferta mais limitada possa devolver margem ao produtor rural, mas isso dependerá de diversos fatores, como os preços dos grãos, custos, disponibilidade de crédito e os impactos climáticos. O ciclo atual pode estar mudando, mas os desafios permanecem para as cadeias de proteína animal, que podem sentir a pressão do aumento nos preços dos grãos.
Publicado originalmente em deixaqueeuteconto.com.br

