Vitória de Lula frustra ministério de Mauro Mendes em meio a investigação e risco de cassação
Ex-governador de Mato Grosso e senador eleito era cotado para integrar eventual governo Flávio Bolsonaro, mas enfrenta investigação no caso Oi e ação eleitoral que pode resultar na perda do mandato.

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), neste domingo (25), frustrou a possibilidade de o ex-governador de Mato Grosso e senador eleito Mauro Mendes (União Brasil) assumir um ministério no governo federal. Aliado de Flávio Bolsonaro (PL), Mendes acompanhou a apuração em Brasília e lamentou a derrota do candidato que apoiava.
Antes do segundo turno, Mauro aparecia entre os nomes cotados para comandar os ministérios de Minas e Energia ou da Agricultura em um eventual governo Flávio. A possibilidade era discutida por representantes do agronegócio, mas não havia convite nem negociação oficial. O próprio Mendes afirmou que as informações não passavam de especulações.
O senador eleito chegou ao dia da votação demonstrando confiança na vitória de Flávio e previu uma vantagem de quatro a cinco pontos percentuais. O resultado foi diferente: Lula venceu com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do candidato do PL.
Após a divulgação do resultado, Mauro classificou a derrota como uma decepção e criticou a continuidade do PT na Presidência. Para ele, os brasileiros optaram por manter um projeto político que não conseguiu resolver os principais problemas do país.
Além da perda da possibilidade de integrar o governo federal, Mauro enfrenta questionamentos judiciais. O ex-governador é um dos investigados na Operação Heritage, da Polícia Federal, que apura suspeitas de irregularidades envolvendo um acordo de aproximadamente R$ 308,1 milhões entre o Governo de Mato Grosso e a operadora Oi.
A investigação envolve suspeitas de desvio de recursos públicos por meio de fundos de investimento ligados ao Banco Master. Mauro foi alvo de medidas de busca e apreensão autorizadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-governador nega irregularidades, defende a legalidade do acordo e atribui as acusações a adversários políticos.
Na Justiça Eleitoral, Mauro e sua esposa, a deputada federal eleita Virginia Mendes (União Brasil), também respondem a uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) por suspeitas de abuso de poder político e econômico.
O processo questiona a possível utilização do espetáculo musical Histórias – O Show do Século, realizado em setembro na Arena Pantanal, em Cuiabá, para promoção eleitoral do casal.
Nesta segunda-feira (26), o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) determinou que a Secretaria de Estado de Segurança Pública apresente, no prazo de dois dias, documentos e registros de uma reunião de planejamento do evento. A medida busca esclarecer as circunstâncias da organização do espetáculo.
A Justiça também marcou para 4 de novembro uma audiência para ouvir testemunhas, entre elas o locutor Cuiabano Lima, que fez manifestações favoráveis aos candidatos durante o show.
A ação poderá resultar na cassação dos diplomas e em inelegibilidade, caso a Justiça reconheça irregularidades graves. Até o momento, não existe decisão definitiva de cassação, e as acusações permanecem sob análise.
Eleito senador por Mato Grosso, Mauro Mendes deverá assumir o mandato em fevereiro de 2027. A vitória de Lula encerra, por ora, a possibilidade de sua participação no primeiro escalão do governo federal, enquanto as investigações policiais e os processos eleitorais seguem em andamento.
Publicado originalmente em deixaqueeuteconto.com.br



