Câmara de Cuiabá aprova moção contra Ministério da Justiça por elevar classificação de desenhos bíblicos; vereador aponta “cristofobia”
Moção recebeu 22 votos após mudança da faixa etária recomendada para o programa da Record; vereadores falaram em censura, perseguição religiosa e “cristofobia”

A Câmara Municipal de Cuiabá aprovou, por 22 votos, nesta terça-feira (3), uma moção de repúdio ao Ministério da Justiça e Segurança Pública pela alteração da classificação indicativa do programa Record Kids: Desenhos Bíblicos. A produção, que anteriormente era considerada livre, passou a ter recomendação para maiores de 12 anos, com indicação de exibição após as 20h na televisão aberta.
A proposta foi apresentada pelo vereador Eduardo Magalhães (Republicanos), que criticou a decisão do governo federal e argumentou que o Ministério deveria concentrar sua atuação em problemas considerados prioritários, como tráfico de drogas, facções criminosas, feminicídio e violência contra crianças e adolescentes.
“É um desserviço. É o gasto do dinheiro público de forma desnecessária. Rios e rios de dinheiro são gastos nesses ministérios, onde nós esperamos um combate efetivo àquilo que importa”, declarou.
O parlamentar também associou a mudança a uma possível restrição à liberdade religiosa e questionou a atuação do poder público diante de conteúdos de temática cristã.
“E não o combate à fé do cidadão brasileiro, que por mais de 90% deste é cristão”, disse.
Vereadores falam em censura e cristofobia
Durante a discussão, o vereador Rafael Ranalli (PL) classificou a alteração como mais um exemplo do que chamou de “cristofobia” no país. Ele comparou a restrição aos desenhos bíblicos com a exibição de novelas e outros conteúdos televisivos durante o período diurno.
“Rebolar no meio da manhã na televisão pode, falar putaria nas novelas pode. Agora desenho de Jesus Cristo não pode, é intolerante, é ofensivo. Gente, a que ponto chegamos nesse país?”, questionou.
A presidente da Câmara, Paula Calil (PL), também manifestou apoio à moção. Segundo ela, os desenhos contribuem para a formação das crianças ao transmitir valores como amor, respeito ao próximo, fé e perdão. A vereadora classificou a decisão como censura e demonstrou preocupação com o que considera uma perseguição aos cristãos.
“Nós sabemos que nós vivemos tempos difíceis. Há uma guerra espiritual, onde o governo já começou a tomar providências para essa perseguição contra os cristãos”, afirmou.
Já a vereadora Samantha Iris (PL) direcionou suas críticas à esquerda e questionou a compatibilidade entre as pautas defendidas por esse campo político e os princípios cristãos.
“Ou você conhece a Bíblia, ou você conhece a esquerda. É impossível comungar do que a esquerda defende e dos valores da Bíblia. É totalmente incompatível”, declarou.
Moção questiona critérios da classificação
Na justificativa apresentada à Câmara, Eduardo Magalhães sustenta que a elevação da classificação de livre para 12 anos representa uma interferência desproporcional do Estado na orientação das famílias e no exercício da liberdade religiosa.
O documento também argumenta que produções com temática bíblica contribuem para a formação moral e cultural das famílias. A moção foi aprovada com 22 votos favoráveis.
Ministério aponta violência, drogas e atos criminosos
A alteração consta na Portaria nº 2.272, de 28 de outubro de 2026, publicada pela Coordenação-Geral de Políticas de Classificação Indicativa, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
O documento estabelece que o programa Record Kids: Desenhos Bíblicos, produzido pela Rede Record, não é recomendado para menores de 12 anos. Entre os descritores utilizados para justificar a classificação estão atos criminosos, drogas lícitas, violência e estigma ou preconceito.
Para a televisão aberta, a orientação é que a atração seja exibida a partir das 20h.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



