Cheques escondidos, fuga pelas escadas e operação da PF marcam trajetória do novo presidente do TCE-MT Waldir Teis
O conselheiro Waldir Júlio Teis tomou posse nesta terça-feira (3) como novo presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso...

O conselheiro Waldir Júlio Teis tomou posse nesta terça-feira (3) como novo presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT). A mudança no comando da instituição ocorre em um momento de crise interna, após a deflagração da Operação Tomada de Contas, conduzida pela Polícia Federal para investigar possíveis irregularidades em contratos e pagamentos realizados no próprio tribunal.
Além do cenário atual, a trajetória de Teis também é marcada por um episódio envolvendo a Justiça e a Polícia Federal.
Em julho de 2020, o conselheiro foi preso preventivamente depois de tentar esconder cheques que totalizavam aproximadamente R$ 450 mil durante uma operação policial em seu escritório, em Cuiabá.
Conselheiro desceu 16 andares para esconder cheques:
O caso ocorreu em 17 de junho de 2020, durante a 16ª fase da Operação Ararath. Imagens de câmeras de segurança mostraram Waldir Teis descendo 16 andares pelas escadas do edifício onde mantinha seu escritório.
De acordo com as investigações, o objetivo era se desfazer dos cheques. Os documentos foram localizados dentro de uma lixeira por um agente da Polícia Federal, que participava da operação.
Para o Ministério Público Federal (MPF), a atitude representou uma tentativa de obstruir o trabalho das autoridades e dificultar o andamento das investigações. Com base nisso, Teis foi denunciado por embaraço à investigação e teve a prisão preventiva decretada em 1º de julho de 2020.
Prisão foi revogada pelo STF:
A prisão preventiva foi posteriormente revogada pelo então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli. Waldir Teis deixou a prisão em 4 de agosto daquele ano.
Na ocasião, a defesa do conselheiro reconheceu que ele havia tentado esconder os cheques, mas classificou o comportamento como uma atitude impensada.
Além da denúncia pelo suposto embaraço às investigações, o MPF chegou a solicitar que Teis fosse condenado ao pagamento de R$ 3 milhões por danos morais coletivos.
Operação Ararath investigou esquema em Mato Grosso:
Deflagrada em 2013, a Operação Ararath investigou um suposto esquema envolvendo corrupção, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e organização criminosa em Mato Grosso.
As apurações alcançaram políticos, empresários e integrantes do Tribunal de Contas do Estado. No caso específico relacionado aos cheques, o MPF sustentou que a conduta do conselheiro poderia comprometer a coleta de provas e o andamento da investigação.
Em 2021, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu temporariamente a ação penal. A decisão ocorreu após manifestações da defesa e do próprio Ministério Público Federal sobre a possibilidade de celebração de um acordo de não persecução penal.
Novo comando em meio à Operação Tomada de Contas:
A posse de Waldir Teis na presidência do TCE-MT ocorre enquanto a instituição enfrenta os desdobramentos da Operação Tomada de Contas. A investigação da Polícia Federal apura suspeitas de irregularidades relacionadas a contratos e pagamentos dentro do tribunal.
Com a chegada ao cargo, Teis passa a comandar o órgão responsável pela fiscalização da aplicação dos recursos públicos em Mato Grosso em um momento de forte atenção pública e institucional.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



