Flávia Moretti nomeia Silvio Fidélis para comandar duas secretarias, apesar de denúncia por contrato da gestão Kalil
Ex-secretário de Educação acumulará os comandos de Governo e Administração, apesar de ter sido denunciado pela atual prefeita por suspeita de sobrepreço de R$ 6,2 milhões no transporte escolar

A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), nomeou o secretário municipal de Governo, Silvio Fidélis, para comandar também a Secretaria de Administração. Com a mudança, publicada nesta quarta-feira (4), ele passa a acumular duas pastas, enquanto a atual titular da Administração, Jaqueline Favetti, deixa o comando e assume a função de subsecretária.
A decisão amplia o espaço de Fidélis na administração municipal, apesar de seu nome estar relacionado a investigações sobre suspeitas de irregularidades em um contrato de transporte escolar firmado durante a gestão do ex-prefeito Kalil Baracat (MDB). Na época, Fidélis era secretário municipal de Educação. A própria Moretti encaminhou aos órgãos de controle os resultados de uma auditoria que apontou possível sobrepreço no contrato.
Segundo a Prefeitura, o acúmulo das duas secretarias não provocará aumento de despesas para o município. A administração informou ainda que Fidélis ficará responsável por iniciar o processo de reforma administrativa, mas não apresentou detalhes sobre os motivos da substituição no comando da Secretaria de Administração.
Contrato de transporte escolar motivou denúncia
Antes de integrar o governo de Flávia Moretti, Silvio Fidélis ocupou a Secretaria Municipal de Educação durante a administração de Kalil Baracat, adversário político da atual prefeita. Nesse período, foi firmado um contrato de transporte escolar que posteriormente passou a ser investigado por suspeitas de irregularidades e sobrepreço.
Em outubro de 2025, Moretti determinou o encaminhamento das conclusões de uma auditoria municipal ao Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) e ao Ministério Público Estadual (MPMT). O levantamento apontou possível sobrepreço de aproximadamente R$ 6,2 milhões no contrato firmado em 2022, quando Fidélis comandava a Educação.
A investigação também reuniu suspeitas de conluio entre empresas que participaram da licitação e possíveis irregularidades na execução dos serviços. Entre os pontos identificados pela auditoria municipal estavam diferenças entre a quilometragem cobrada pela empresa e os trajetos efetivamente realizados.
Mesmo após o encaminhamento das informações aos órgãos de controle, Moretti nomeou Fidélis secretário de Governo, em dezembro de 2025. Na ocasião, a justificativa apresentada pela Prefeitura foi a necessidade de fortalecer a articulação política com a Câmara Municipal.
Justiça já determinou afastamento cautelar
Em agosto deste ano, Fidélis foi afastado cautelarmente da Secretaria de Governo por determinação judicial, em uma ação relacionada ao contrato de transporte escolar. A decisão apontou risco de interferência na produção de provas e de contato com servidores que poderiam prestar informações sobre as suspeitas investigadas.
O Ministério Público também abriu procedimento para apurar possíveis irregularidades na contratação e na execução do serviço. As apurações envolvem a participação das empresas na licitação e a correspondência entre os pagamentos realizados e o transporte efetivamente prestado.
Fidélis negou responsabilidade direta pelas supostas irregularidades. Em manifestação apresentada no processo, afirmou que sua participação na licitação e na execução contratual teria sido meramente formal e que não era responsável pelas medições dos serviços realizados.
Com a nova nomeação, o ex-secretário de Educação passa a responder simultaneamente pelas pastas de Governo e Administração, enquanto as suspeitas relacionadas ao contrato de transporte escolar seguem sob apuração.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



