Consumidor de MT aciona TJ por transferência não autorizada ao Banco Master

Um consumidor de Mato Grosso entrou na Justiça reclamando ter sido vítima de um golpe que transferiu recursos de sua conta bancária no Bradesco que foram parar na Will Financeira S.A, ligada ao Banco Master. Segundo informações do processo, ο consumidor teria sofrido duas transferências não autorizadas, via PIX, de sua conta no Bradesco nos valores de R$ 8 mil e de R$ 5,4 mil, à contas da Will Financeira S.A. (Banco Will) e a PagSeguro (PagBank) no ano de 2025.
O Banco Will foi liquidado pelo Banco Central em janeiro de 2026, bloqueando o dinheiro de 12 milhões de clientes em razão das fraudes no Banco Master. Além das transferências, a vítima registrou um empréstimo de R$ 5,2 mil, para pagamento em 24 parcelas de R$ 874,18, também sem consentimento.
"Em 16/09/2025, foram realizadas, sem sua autorização, duas transferências via PIX de sua conta mantida junto ao Banco Bradesco S.A, nos valores de R$ 8.000,00 e R$ 5.400,00, destinadas, respectivamente, a contas vinculadas à Will Financeira S.A. e à PagSeguro Internet Instituição de Pagamento S.A. Aduz que, na mesma ocasião, foi contratado em seu nome empréstimo pessoal no valor de R$ 5.184,11, parcelado em 24 (vinte e quatro) prestações de R$ 874,18, sem sua autorização, atribuindo as operações à falha na prestação dos serviços bancários", revela o processo.
O consumidor pede a anulação das transferências e do empréstimo, a devolução dos valores descontados, além de indenizações por danos morais e materiais contra o Banco Bradesco, o Banco Will e o PagBank.
Em decisão publicada no dia 5 deste mês o juiz Bruno D'Oliveira Marques, que atua na Vara de Ações Coletivas do Tribunal de Justiça (TJMT), explicou que o processo foi remetido à sua análise de forma equivocada, determinando que ele passe a tramitar numa das Varas de Direito Bancário.
"A organização judiciária estadual atribui às Varas Especializadas em Direito Bancário da Comarca de Cuiabá o processamento e julgamento das demandas decorrentes de operações realizadas por instituições financeiras, abrangendo, entre outras, aquelas relacionadas a contratos de mútuo e demais operações de natureza bancária", explicou o magistrado.
O processo segue agora para análise numa das Varas de Direito Bancário do Poder Judiciário de Mato Grosso. Apontado como protagonista da maior fraude da história do sistema financeiro brasileiro, o Banco Master emitia títulos de crédito sem fundos e prometia ganhos a investidores acima dos valores de mercado com suspeitas de uso de recursos da aposentadoria e da previdência de servidores públicos depositados na instituição financeira.
Daniel Vorcaro, dono do Master, utilizava os supostos recursos da aposentadoria e de clientes bancando orgias com "modelos" a políticos e empresários de elite no Brasil, num estilo de vida que não perde para nenhum "sheik do petróleo".
Publicado originalmente em infoverus.com.br



