Linguagem simples aproxima o cidadão da Justiça e inspira inovação no serviço público

Mais do que facilitar a leitura de documentos, usar uma linguagem que o cidadão consiga compreender é uma forma de aproximar a Justiça das pessoas. Foi com essa perspectiva que a juíza coordenadora do Laboratório de Inovação do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (InovaJusMT), Joseane Quinto Antunes participou, nesta quinta-feira (8), do 2º Circuito de Palestras de Linguagem Simples, em Cuiabá.
Promovido pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), por meio da Escola de Governo, o evento reuniu participantes para discutir estratégias de comunicação mais clara e acessível no serviço público.
Durante a palestra, Joseane apresentou o projeto “Entenda a Sua Audiência – Guias Digitais em Linguagem Simples”, desenvolvido pelo TJMT, por iniciativa do InovaJusMT e em parceria com a Coordenadoria de Comunicação. A proposta é transformar informações e serviços do Judiciário em conteúdos mais fáceis de compreender, considerando as dúvidas e necessidades de quem utiliza esses serviços.
“Não basta garantir o acesso à Justiça. É preciso garantir que as pessoas compreendam a Justiça”, destacou a magistrada.
Inovação que facilita a vida
A juíza explicou que a construção dos guias digitais partiu de uma mudança de perspectiva: olhar os serviços públicos pelos olhos de quem precisa utilizá-los. O trabalho envolve a identificação das principais dúvidas dos cidadãos e a produção de vídeos e outros materiais acessíveis, com o uso, inclusive, de inteligência artificial.
De acordo com Joseane, para existir inovação nem sempre é preciso inventar algo novo. “Inovar não significa necessariamente criar novas tecnologias, mas compreender problemas reais e desenvolver soluções que facilitem a vida das pessoas”, afirmou.
Ela também destacou que a linguagem simples pode proporcionar mais segurança e autonomia ao cidadão, ao tornar mais claros direitos, deveres e procedimentos. Segundo a magistrada, a iniciativa contribui para fortalecer a confiança nas instituições e para construir uma Justiça mais humana e acessível.
Troca de experiências
A participação no circuito também foi marcada pela troca de experiências com servidores de diferentes áreas do Poder Executivo. Para Joseane, esse diálogo entre instituições é importante porque, apesar das diferenças entre os serviços prestados, existe um objetivo comum: atender melhor o cidadão.
A magistrada avalia que o Judiciário já avançou na adoção da linguagem simples, especialmente a partir de iniciativas incentivadas e institucionalizadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). No entanto, ela considera que ainda há desafios para que a prática faça parte do cotidiano das instituições. “Mais do que simplificar palavras, precisamos simplificar procedimentos, melhorar a comunicação e ouvir as pessoas para compreender suas reais necessidades”, ressaltou.
Para ela, o compartilhamento de experiências é uma forma de ampliar esse movimento. “A inovação se fortalece quando compartilhamos conhecimentos, experiências e boas práticas”, concluiu.
Publicado originalmente em tjmt.jus.br



