Mauro fala sobre possível disputa entre Senado e STF a partir de 2027: “vamos dar um rumo ao Brasil”
Eleito com 1,18 milhão de votos, ex-governador diz que Congresso deve exercer papel de legislar e defende impeachment de ministro do Supremo em caso de crime

Eleito senador por Mato Grosso com 1.187.352 votos, o equivalente a 33,21% dos votos válidos, Mauro Mendes (União Brasil) sinalizou que pretende levar ao Senado uma postura de cobrança sobre a atuação das instituições e defendeu que Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal (STF) respeitem os limites de suas atribuições.
Durante entrevista após a vitória nas urnas, Mauro foi questionado sobre a possibilidade de uma disputa de forças entre o Senado e o STF a partir de 2027, especialmente diante do avanço de candidaturas ligadas à direita na composição da Casa.
O ex-governador afirmou que o país precisa “botar um rumo” e criticou o que classificou como sucessivas disputas entre as instituições. Para ele, o Senado terá de “botar ordem na casa” e reduzir os conflitos que, em sua avaliação, consomem energia do país.
“Eu vejo que nós vamos botar um rumo no Brasil e parar com aquelas confusões em Brasília nas instituições”, afirmou.
Questionado especificamente sobre uma eventual queda de braço entre Senado e Supremo, Mauro defendeu a separação das atribuições. Segundo ele, cabe ao Congresso Nacional fazer as leis, enquanto o STF deve exercer seu papel dentro dos limites institucionais.
“Quem faz as leis é o Congresso Nacional. É importante que não haja essa inversão absurda de valores. Agora tem que ter racionalidade. O STF tem que se colocar no seu lugar e o Senado tem que se colocar no seu lugar, cada um cumprir o seu papel”, declarou.
Impeachment de ministro
Mauro também voltou a defender a possibilidade de impeachment de ministros do Supremo em casos de crime. A declaração veio após ser questionado se acredita que um integrante da Corte poderá sofrer um processo dessa natureza.
O senador eleito respondeu que mantém a posição que já havia manifestado anteriormente e fez uma comparação com outros cargos públicos sujeitos a processos de impeachment.
“Presidente foi impeachmado, governador foi impeachmado, desembargadores, juízes, prefeitos. Por que não pode impeachmar um ministro do Supremo? Se fez coisa errada, cometeu crime, tem que pagar por isso”, afirmou.
Votação expressiva
Mauro terminou a eleição ao Senado na primeira colocação em Mato Grosso, com 33,21% dos votos válidos. Zé Medeiros (PL) ficou com a segunda vaga, com 977.777 votos (27,35%). Janaina Riva (MDB) terminou em terceiro, com 519.434 votos.
A diferença entre Mauro e o segundo colocado foi de 209.575 votos. Já em relação à terceira colocada, a vantagem ultrapassou 667 mil votos.
A eleição marcou a saída de Mauro Mendes do cenário estadual para a política nacional. Ele governou Mato Grosso por dois mandatos e deixou o cargo em março de 2026 para disputar o Senado. A partir de 2027, passa a integrar o Congresso Nacional ao lado de Zé Medeiros, que retorna ao Senado após ter exercido mandato como suplente entre 2015 e 2019.
Os dois terão mandato de oito anos.
Publicado originalmente em 24horasmt.com.br



