Quatro grupos disputam 1ª secretaria da ALMT em articulação para manter Max Russi na presidência
Republicanos, PL, PSDB/Cidadania e União Progressista negociam espaço na Mesa Diretora; aliança com o Podemos pode reunir 18 dos 24 deputados estaduais

A disputa pela primeira-secretaria da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) para o biênio 2027/2028 já movimenta as articulações políticas antes mesmo da posse dos novos deputados. Quatro forças partidárias — Republicanos, PL, Federação PSDB/Cidadania e Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP — negociam uma composição para ocupar o segundo cargo mais importante da Mesa Diretora, em uma possível chapa encabeçada pelo atual presidente, Max Russi (Podemos).
Juntos, os grupos reúnem 12 deputados eleitos. Com os seis parlamentares do Podemos, uma eventual aliança chegaria a 18 dos 24 integrantes da Assembleia, o equivalente a 75% do plenário. O número seria suficiente para garantir a recondução de Max à presidência, desde que o acordo seja consolidado.
As conversas ocorrem menos de duas semanas após as eleições, que alteraram a distribuição de forças no Legislativo estadual. Reeleito com 86.934 votos, Max comandará a maior bancada da próxima legislatura e já iniciou negociações com outras siglas para viabilizar a continuidade no cargo. Nesse cenário, a primeira-secretaria, responsável por funções administrativas e financeiras da Assembleia, tornou-se o principal ponto de disputa.
Cada um dos quatro grupos políticos tem um nome cotado para a função. Pela Federação União Progressista, que elegeu dois deputados, o indicado é Dilmar Dal Bosco (União). Reeleito para o quinto mandato consecutivo, ele já havia manifestado interesse em assumir a primeira-secretaria na eleição anterior. O parlamentar conta com a experiência acumulada na Casa e com a posição de líder do governo estadual, função exercida desde o início da gestão Mauro Mendes (União) e mantida durante o governo de Otaviano Pivetta (Republicanos).
No PL, que dobrou sua bancada e terá quatro representantes a partir de 2027, Faissal Calil busca espaço na direção do Legislativo. Reeleito para o terceiro mandato, o deputado tenta aproveitar o crescimento da legenda nas urnas para ampliar sua participação na estrutura de comando da Assembleia.
O Republicanos, que também elegeu quatro deputados estaduais, tem Diego Guimarães como principal nome para a primeira-secretaria. Em seu terceiro mandato, o parlamentar mantém proximidade política e relação de confiança com o governador reeleito Otaviano Pivetta, principal liderança do partido em Mato Grosso.
Já a Federação PSDB/Cidadania, que terá dois representantes na próxima legislatura, articula o nome de Chico Guarnieri. Reeleito com 18.842 votos, ele ganhou espaço junto ao Palácio Paiaguás após defender o governo estadual durante a controvérsia envolvendo as obras da MT-140.
Entregue em 2024, a rodovia passou a ser alvo de questionamentos após denúncias de buracos, falhas no pavimento e deterioração precoce do asfalto. Uma reclamação registrada na Ouvidoria-Geral do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), sob o chamado nº 709/2026, motivou vistorias, incluindo uma inspeção conduzida pelo presidente do tribunal, conselheiro Sérgio Ricardo, por meio do programa Pé na Estrada. Diante dos problemas apontados, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT) recebeu prazo adicional para apresentar esclarecimentos. A atuação de Guarnieri em defesa do Executivo durante o episódio é apontada como um dos fatores que contribuíram para sua aproximação política com o governo.
Dr. João tenta continuar no cargo
Fora do grupo que reúne as quatro forças partidárias, o atual primeiro-secretário da Assembleia, Dr. João (MDB), também busca permanecer na função durante o próximo biênio. Reeleito com 55.955 votos, ele tem a experiência no cargo como um dos trunfos para disputar a continuidade.
O cenário, porém, é menos favorável ao MDB, que perdeu uma cadeira nas eleições e passará de quatro para três deputados estaduais na próxima legislatura. A redução da bancada diminui o peso da legenda nas negociações, especialmente diante da articulação dos partidos que já discutem uma composição com Max Russi.
Apesar das movimentações, a formação definitiva da Mesa Diretora ainda está em aberto e dependerá dos acordos entre os parlamentares eleitos.
Max promete espaço para oposição
Em entrevista à imprensa na noite de terça-feira (13), Max afirmou que pretende negociar a composição da próxima Mesa Diretora com todos os partidos e deputados, inclusive os que fazem oposição ao governo estadual.
Questionado sobre o interesse de parlamentares como Lúdio Cabral (PT) em conquistar espaço na direção da Assembleia, o presidente defendeu a participação de diferentes correntes políticas nas conversas.
“Conversando com todo mundo, ouvindo todo mundo. Eu quero ser presidente da Assembleia com muito diálogo, da forma que eu sempre conduzi. Então todo mundo vai ter espaço, vai ter vez, vai ter voz. A Assembleia é um parlamento plural, com todas as tendências e todas as ideologias”, declarou.
Max também afirmou que suas convicções políticas pessoais não devem interferir na condução da presidência nem no tratamento dado aos demais parlamentares.
“Eu posso ter pessoalmente uma posição política, uma defesa política, mas como presidente da Assembleia eu jamais posso fazer isso. Eu tenho que defender a casa e tenho que dar liberdade a todos os parlamentares de fazerem o seu trabalho”, disse.
O deputado ressaltou que a Mesa Diretora possui dez vagas, o que, na avaliação dele, permite contemplar diferentes grupos políticos na distribuição dos cargos.
“Qualquer um dos deputados não vai ter distinção de a gente fazer conversa. Vamos conversar e todos aqueles que quiserem participar são 10 vagas na mesa e tem condição e cabe todo mundo”, afirmou.
Aliança pode chegar a 75% da Assembleia
O resultado eleitoral colocou Max em posição favorável nas negociações. O Podemos terminou a disputa com 469.103 votos e seis cadeiras, o equivalente a um quarto dos 24 assentos do Legislativo estadual.
Republicanos e PL elegeram quatro deputados cada, enquanto União Brasil e PSDB conquistaram duas cadeiras cada por meio das respectivas articulações partidárias. Somadas, as quatro forças envolvidas nas negociações pela primeira-secretaria reúnem 12 parlamentares, metade da Assembleia.
Com o apoio dos seis deputados do Podemos, o bloco chegaria a 18 votos, número que representa 75% da Casa e supera os 13 necessários para alcançar a maioria absoluta.
A possibilidade de formar uma ampla aliança, no entanto, não elimina o impasse em torno da primeira-secretaria. Como quatro grupos apresentam nomes para a mesma função, a definição exigirá negociações para acomodar os interesses das legendas e viabilizar a composição da chapa.
O desafio de Max Russi será converter o apoio à sua permanência na presidência em um acordo sobre a distribuição dos cargos da Mesa Diretora. A primeira-secretaria concentra, neste momento, a principal disputa política para a próxima legislatura, cuja posse está marcada para fevereiro de 2027.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



