Campanha de Lula apresenta nova reclamação ao TSE contra Meta e pede investigação sobre alcance de vídeos de Nikolas
Em ação, coligação questiona visualizações de publicações do deputado no Instagram, compara números com celebridades internacionais e aponta restrições a conteúdos do presidente

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou nesta quarta-feira ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) novos documentos em uma ação contra a Meta, empresa responsável pelo Instagram e Facebook, acusando a plataforma de favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro na distribuição de conteúdos políticos. O principal alvo da manifestação é o alcance das publicações do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos principais aliados do candidato do PL na disputa presidencial.
Na petição, encaminhada ao ministro Marco Aurélio Bellizze, a coligação de Lula afirma que os vídeos de Nikolas alcançam números considerados desproporcionais em relação à quantidade de seguidores do parlamentar. A campanha sustenta que, enquanto conteúdos de aliados do presidente enfrentam restrições de alcance, publicações favoráveis a Flávio Bolsonaro recebem ampla distribuição.
No sábado, Bellizze já havia determinado que a big tech prestasse uma série de esclarecimentos sobre as dificuldades relatadas pela campanha à reeleição do presidente de impulsionar o seu conteúdo digital. O ministro é o relator de uma ação apresentada pela equipe jurídica de Lula em que a Meta é acusada de fazer "seletividade algorítmica" e "restrição" de alcance às suas postagens, "omissão" na remoção de contas que usam inteligência artificial para atacar Lula, e manutenção de "conteúdos sintéticos" que são vedados pelo Tribunal.
"Em termos claros, a META vem entregando a campanha de Flávio Bolsonaro a uma quantidade de usuários e usuárias que sequer celebridades internacionais alcançam. Não há como conceber equilíbrio na disputa eleitoral com esse cenário", diz o documento.
Segundo os advogados, Nikolas possui 22,9 milhões de seguidores no Instagram, mas seus vídeos registram, em média, cerca de 40 milhões de visualizações. A campanha compara esses números aos de celebridades internacionais, como Kylie Jenner, Kim Kardashian, Beyoncé e Neymar, que têm bases de seguidores significativamente maiores.
Um dos exemplos apresentados é um vídeo de Nikolas que, segundo a petição, alcançou 56,1 milhões de visualizações no Instagram, enquanto a mesma publicação teve 396,4 mil visualizações no TikTok, uma diferença de aproximadamente 140 vezes.
A defesa de Lula argumenta que a discrepância levanta dúvidas sobre os critérios usados pelo Instagram para recomendar conteúdos aos usuários, especialmente porque as publicações de Nikolas têm caráter político e incluem críticas ao presidente e manifestações de apoio a Flávio Bolsonaro.
A campanha também cita o plano de conformidade da própria Meta, segundo o qual conteúdos políticos recebem, em regra, menor destaque nos sistemas de recomendação da plataforma.
A diferença de visualizações, no entanto, não comprova, por si só, que tenha havido favorecimento deliberado da empresa. Essa é a suspeita apresentada pela coligação, que pede esclarecimentos sobre o funcionamento dos sistemas de distribuição de conteúdo.
A campanha também afirma que, entre os dias 9 e 10 de outubro, o perfil oficial de Lula no Instagram ficou impedido de impulsionar publicações no feed. Segundo os advogados, a restrição prejudicou a estratégia digital do presidente em um momento decisivo da campanha.
A defesa de Lula sustenta que a própria Meta reconheceu falhas em seus sistemas, incluindo a desativação equivocada de uma conta de anúncios da campanha antes do primeiro turno. Os advogados argumentam que a correção desses problemas não seria suficiente para compensar o alcance perdido durante a disputa eleitoral.
Diante das suspeitas, a coligação pede que o TSE determine à Meta a preservação dos registros e dados de moderação do perfil de Nikolas desde 16 de agosto. A empresa também deverá informar, caso o pedido seja acolhido, quais medidas foram aplicadas à conta do parlamentar e detalhar a distribuição das visualizações entre seguidores e não seguidores.
A campanha quer ainda que a plataforma esclareça se os critérios utilizados para reduzir a circulação de conteúdos políticos foram aplicados igualmente aos perfis ligados a Lula e a Flávio Bolsonaro.
Publicado originalmente em oglobo.globo.com



