Zé Medeiros aciona MP Eleitoral para investigar atos pró-Lula na UFMT e cobra dados sobre tráfico
Deputado eleito senador pede apuração sobre possível uso da estrutura da universidade em manifestações eleitorais

O deputado federal Zé Medeiros (PL), eleito senador da República, apresentou representações ao Ministério Público Eleitoral para investigar possível uso político da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) em manifestações de apoio à candidatura presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em outra frente, o parlamentar acionou o Ministério da Justiça e Segurança Pública para solicitar informações sobre registros de tráfico de drogas e medidas de combate ao crime na instituição.
Os pedidos envolvem questionamentos sobre a suspensão das atividades acadêmicas entre 23 e 26 de outubro, formalizada pela Resolução CONSEPE nº 700/2026, publicada em 14 de outubro. Medeiros solicita esclarecimentos à reitora da UFMT, professora Marluce Aparecida Souza e Silva, e aos órgãos colegiados da universidade para verificar os motivos da decisão e apurar eventual participação da administração na organização ou divulgação de atos políticos.
As representações não afirmam que houve irregularidade comprovada, mas pedem que os órgãos competentes investiguem se decisões administrativas, recursos públicos ou estruturas da universidade foram utilizados para favorecer alguma candidatura.
Representação questiona possível promoção eleitoral
Encaminhadas à Procuradoria Regional Eleitoral em Mato Grosso e à Procuradoria-Geral Eleitoral, as representações pedem a apuração de possíveis irregularidades relacionadas à promoção eleitoral, incluindo eventual abuso de poder e condutas vedadas a agentes públicos. Os pedidos citam como fundamento a Lei Complementar nº 64/1990 e a Lei nº 9.504/1997.
O parlamentar questiona se instalações, servidores, canais oficiais, recursos públicos ou decisões administrativas da UFMT foram empregados para beneficiar uma candidatura. Também solicita a preservação de vídeos, publicações e documentos que possam contribuir para a análise dos fatos.
Um dos episódios mencionados é uma manifestação nas proximidades da Guarita I, entrada do campus de Cuiabá, que teria sido convocada pela Associação dos Docentes da UFMT (ADUFMAT-SSind) e pelo Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação (SINTUF-MT).
Outro ponto citado é um vídeo atribuído a um representante estudantil que anunciou a suspensão das atividades acadêmicas no período e encerrou a gravação com um pedido de voto em Lula. A representação pede que seja apurado se houve participação da administração universitária na organização ou divulgação de manifestações.
“O objeto é apurar se houve utilização de patrimônio, serviços, canais oficiais, servidores ou decisões administrativas da UFMT para promoção eleitoral”, registra o documento apresentado à Procuradoria Regional Eleitoral.
Ato pró-Flávio Bolsonaro também ocorreu na UFMT
O texto também menciona uma manifestação favorável ao candidato Flávio Bolsonaro, realizada em 16 de outubro nas dependências da UFMT, com participação de militares e eleitores bolsonaristas.
O episódio integra o contexto de manifestações políticas relacionadas à disputa presidencial na universidade. As representações de Medeiros, no entanto, concentram os questionamentos sobre possível uso da estrutura institucional em atos de promoção eleitoral e sobre a suspensão das atividades acadêmicas.
Medeiros cobra informações sobre tráfico de drogas
Em uma segunda iniciativa, o parlamentar encaminhou requerimento ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), para obter informações sobre registros criminais, integração entre forças policiais e medidas de prevenção e repressão ao tráfico de drogas em universidades federais, com atenção especial à UFMT.
O documento cita a prisão de cinco suspeitos em junho de 2024, em uma ocorrência divulgada pela imprensa, além de denúncias publicadas em julho de 2025 sobre possível comercialização de entorpecentes nos banheiros do campus.
Medeiros questiona se houve comunicação entre a universidade e as forças de segurança, quais providências foram adotadas após as ocorrências e se existem protocolos de cooperação para prevenir e combater crimes nas dependências da instituição.
Na justificativa do requerimento, o parlamentar afirma: “Não se pode admitir que universidades públicas, financiadas com recursos da sociedade brasileira, sejam utilizadas como pontos de comercialização de drogas ilícitas ou como espaços de atuação de organizações criminosas”.
Pedido inclui dados desde 2023
O requerimento também busca estatísticas desde janeiro de 2023, informações sobre operações policiais, ações integradas e eventuais recursos federais destinados ao enfrentamento do tráfico de drogas em universidades federais.
As denúncias relacionadas à segurança e à possível comercialização de entorpecentes no campus da UFMT também já foram abordadas pelo prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini.
As duas iniciativas de Zé Medeiros têm objetos distintos: uma solicita investigação sobre eventual promoção eleitoral e possível uso da estrutura pública da universidade; a outra busca informações oficiais sobre ocorrências criminais e medidas de segurança. A existência de representações e requerimentos não comprova, por si só, irregularidades, e eventuais responsabilidades dependem da apuração dos órgãos competentes.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



