Governo de MT avalia demissão voluntária e prevê impacto da inteligência artificial no serviço público
Rogério Gallo afirma que novo PDV não é prioridade no curto prazo e defende qualificação de servidores para reduzir a dependência de empresas privadas de tecnologia.

O governo de Mato Grosso avalia a possibilidade de retomar o Programa de Demissão Voluntária (PDV) como uma das alternativas para reduzir despesas públicas. A medida está entre as opções consideradas na reforma administrativa conduzida pelo ex-secretário de Fazenda Rogério Gallo, responsável pelos trabalhos no governo de Otaviano Pivetta (Republicanos). Apesar de não descartar a iniciativa, ele afirmou que a implementação de um novo programa não está entre as prioridades de curto prazo.
Segundo Gallo, a equipe responsável pela reforma ainda realiza um diagnóstico para identificar quais mudanças podem produzir resultados efetivos na redução de custos e na melhoria da eficiência administrativa. A análise considera a necessidade de revisar a estrutura do Estado diante da perspectiva de queda na arrecadação, mas sem se limitar à redução do tamanho da máquina pública.
O ex-secretário lembrou que Mato Grosso já adotou programas de demissão voluntária em algumas secretarias e empresas públicas. A experiência anterior, segundo ele, pode ser considerada na avaliação das alternativas para reorganizar a administração estadual, desde que os resultados esperados justifiquem a medida.
“Então, assim, nada está descartado. Mas isso tudo está à mesa, estamos avaliando. E, se fizer sentido, der o retorno esperado, pode ser uma possibilidade”, afirmou à imprensa nesta quarta-feira (14).
Novo PDV não é prioridade imediata
Apesar de admitir a possibilidade de retomada do programa, Gallo ressaltou que o governo ainda não trabalha com uma previsão para implementar a medida. A intenção, neste momento, é comparar alternativas e avaliar quais mudanças podem contribuir de maneira mais efetiva para o equilíbrio das contas públicas e para o funcionamento dos serviços estaduais.
“Hoje, assim, não está na mesa, no curto prazo, fazer isso. Nós estamos analisando e fazendo um diagnóstico de quais medidas são mais adequadas. Nós precisamos de um Estado que seja um Estado eficiente. Não é só de Estado mínimo”, declarou.
A fala indica que a reforma administrativa não deverá se concentrar exclusivamente no corte de pessoal. A equipe também pretende avaliar a organização dos serviços e a eficiência da estrutura pública, buscando identificar medidas que produzam resultados concretos. Nesse contexto, a eventual adoção de um PDV dependerá da análise dos custos envolvidos e dos benefícios que a iniciativa poderá gerar.
Inteligência artificial deve mudar o serviço público
Além da revisão das despesas, Gallo apontou a inteligência artificial (IA) como um dos fatores que deverão influenciar a organização do serviço público nos próximos anos. Segundo ele, instituições como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) estudam os efeitos da tecnologia sobre diferentes profissões e atividades que podem passar por substituições.
O ex-secretário reconheceu que a incorporação dessas ferramentas deverá provocar mudanças em determinadas funções, embora ainda não seja possível dimensionar com precisão o alcance dos impactos sobre o funcionalismo. Para ele, o governo precisa acompanhar essa transformação e preparar os servidores para trabalhar com as novas tecnologias.
Gallo defendeu investimentos na qualificação dos funcionários públicos efetivos, inclusive para que possam atuar no desenvolvimento de soluções baseadas em inteligência artificial. A estratégia, segundo ele, também pode ajudar o Estado a reduzir a dependência de sistemas fornecidos exclusivamente por empresas privadas.
“Ou a gente qualifica muitos dos nossos servidores para atuar com inteligência artificial, para criar modelos de inteligência artificial, para a gente não ficar totalmente dependente de empresas privadas”, afirmou.
Dependência tecnológica preocupa governo
A contratação de soluções privadas de inteligência artificial também foi apontada por Gallo como um desafio para a administração pública. Na avaliação dele, a adoção de sistemas tecnológicos precisa considerar não apenas a economia imediata, mas também os riscos de o Estado ficar condicionado a uma empresa para manter atividades importantes em funcionamento.
O ex-secretário alertou que a substituição de determinadas tarefas por ferramentas de IA pode criar uma relação de dependência quando um setor estratégico passa a operar com um modelo controlado por um fornecedor privado. Por isso, ele defendeu que o governo avalie cuidadosamente as consequências dessas contratações antes de incorporá-las de maneira ampla.
“Você faz uma substituição, um contrato, a empresa depois fica completamente refém daquele modelo de inteligência artificial que atende, às vezes, um setor importantíssimo da administração pública. Isso também é razoável? Como gerir isso?”, questionou.
Gallo ponderou, no entanto, que ainda não existe uma resposta definitiva sobre a extensão das mudanças que a inteligência artificial provocará no funcionalismo. Para ele, o Estado terá de acompanhar a evolução tecnológica e promover adaptações ao longo do tempo, tanto na estrutura administrativa quanto na preparação dos servidores.
“Não há ainda uma resposta cabal para essa pergunta que você me fez. Qual é a extensão do impacto? Há impacto, mas ainda a gente vai, ao longo do tempo, fazendo as adaptações necessárias”, comentou.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



