Júlio Campos nega interesse próprio em vaga no TCE, mas admite articulação que pode recolocá-lo na ALMT
Deputado diz que consultou Max Russi sobre a indicação de Dilmar Dal Bosco ou Sebastião Rezende; saída de um dos parlamentares abriria espaço para o primeiro suplente da federação

O deputado estadual Júlio Campos (União Brasil) desconversou sobre ter procurado o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Max Russi (Podemos), para manifestar interesse próprio na vaga do conselheiro Waldir Teis no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT). Segundo ele, a conversa teve como objetivo avaliar as chances de indicação dos deputados Dilmar Dal Bosco ou Sebastião Rezende, ambos do União Brasil. A eventual escolha de um dos dois pode abrir caminho para o retorno de Júlio à Assembleia em 2027, depois de ele terminar as eleições deste ano como primeiro suplente da Federação União Progressista.
A movimentação ganhou força após rumores de que Teis, de 73 anos, poderia antecipar a aposentadoria em meio a divergências com o presidente do TCE, Sérgio Ricardo. O conselheiro, porém, descartou publicamente essa possibilidade e afirmou que pretende permanecer no cargo até completar 75 anos, quando a aposentadoria será compulsória. Se mantiver essa decisão, a vaga só deverá ser aberta em 2028.
Júlio diz que consultou Max sobre outros deputados
Ao explicar a conversa com Max Russi, Júlio afirmou que procurou o presidente da Assembleia depois de saber que havia divergências internas no Tribunal de Contas. De acordo com o parlamentar, Dilmar Dal Bosco e Sebastião Rezende, por serem os dois deputados mais antigos da Casa entre os nomes mencionados, poderiam ser considerados para uma eventual indicação do Legislativo.
“Eu consultei o presidente Max de que, se houvesse a vaga lá no Tribunal de Contas, sendo do Legislativo, se o nome de um desses dois mais antigos parlamentares, que são da União Brasil, teria uma chance de ser indicado. Ele disse que vai depender do plenário”, afirmou.
A versão contrasta com a declaração apresentada por Max na terça-feira (13), durante a inauguração da Casa 22, comitê de campanha de Flávio Bolsonaro (PL) em Mato Grosso. Na ocasião, o presidente da Assembleia afirmou que Júlio estava entre os quatro deputados que o procuraram após a circulação dos rumores sobre uma possível saída antecipada de Teis.
Além de Júlio, Max citou Eduardo Botelho (MDB), Carlos Avallone (PSDB) e Dilmar Dal Bosco (União Brasil) como parlamentares que demonstraram interesse na cadeira. Ele ponderou, entretanto, que nenhuma manifestação havia sido formalizada por meio de documento.
“Eu fui procurado por alguns deputados, o Júlio Campos me procurou, o Botelho me procurou, Avallone, Dilmar Dal Bosco, alguns deputados procuraram que ouviram essa conversa e tinham interesse nessa participação. Particularmente dentro da Assembleia não chegou nenhum documento, não chegou nada. Então ficou só nessa conversa de bastidores”, declarou Russi.
Eventual indicação pode devolver mandato ao deputado
A possível mudança no TCE tem consequências para a composição da próxima legislatura da Assembleia. Júlio não conseguiu se reeleger em 4 de outubro e ficou como primeiro suplente da Federação União Progressista, que conquistou duas cadeiras, ocupadas justamente por Dilmar Dal Bosco e Sebastião Rezende.
Caso um dos dois seja indicado para o Tribunal de Contas e deixe definitivamente o mandato parlamentar, Júlio poderá ser convocado para assumir a vaga em 2027. O deputado reconheceu essa possibilidade e mencionou também a vereadora por Cuiabá Michelly Alencar (União Brasil) como alternativa na sequência da suplência.
“Se concretizar, sendo o Dilmar Dal Bosco ou Sebastião Rezende o indicado, eu convocaria o suplente do União Brasil, que sou eu, ou, se eu não quiser, a Michelly Alencar. Sem problema nenhum”, afirmou.
A declaração explicita o efeito político que uma eventual indicação pode produzir: além de preencher uma cadeira no Tribunal de Contas, a escolha de um deputado estadual abriria espaço para a convocação de um suplente na Assembleia. Por enquanto, contudo, esse cenário depende da efetiva abertura da vaga e de uma decisão sobre quem será indicado.
Júlio reconhece atratividade do cargo vitalício
Ex-conselheiro do próprio TCE, Júlio também comentou o interesse que a cadeira pode despertar entre os parlamentares. Ele destacou a estabilidade e a possibilidade de permanecer no cargo até a aposentadoria compulsória, prevista aos 75 anos.
“Eles estão interessados, claro. Quem não quer um cargo vitalício? Dilmar tem 59 anos, Sebastião tem 60. Para ficar 15 anos ainda na ativa num cargo de relevância como é o TCE, ninguém rejeita, né? Eu já fui conselheiro, eu sei o prestígio de ter o cargo de conselheiro”, declarou.
Júlio ocupou anteriormente uma cadeira no Tribunal de Contas e se aposentou do órgão. Em 2018, Waldir Teis assumiu a vaga deixada por ele. Agora, a possibilidade de uma nova mudança na composição do TCE passou a alimentar conversas entre deputados, embora ainda não exista uma indicação formal.
Desentendimento entre conselheiros alimentou especulações
Os rumores sobre uma possível aposentadoria antecipada de Teis ganharam força depois de um desentendimento público com Sérgio Ricardo durante o julgamento de um processo relacionado às obras da MT-170, no dia 6. Na ocasião, os conselheiros divergiram sobre a competência do Tribunal para interferir nos efeitos da rescisão de um contrato determinada pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT).
O embate incluiu provocações entre os dois. Sérgio Ricardo questionou se Teis “vivia em outro planeta”, e o conselheiro respondeu que vivia “aqui em Mato Grosso e dentro do Tribunal de Contas”. A discussão contribuiu para ampliar as especulações sobre a permanência de Teis no cargo.
Apesar de admitir que chegou a considerar a possibilidade de deixar o Tribunal e que recebeu conselhos nesse sentido, Teis afirmou nesta terça-feira que decidiu permanecer até a aposentadoria compulsória. Com isso, as articulações dos deputados continuam condicionadas à abertura efetiva da vaga.
Júlio reconheceu que, enquanto não houver aposentadoria, não será possível avançar para uma indicação formal. “Enquanto não houver a vaga, não há possibilidade de um deputado deixar a Assembleia para ser conselheiro do TCE. Mas que a vaga é do Legislativo, é do Legislativo”, concluiu.
Publicado originalmente em infoverus.com.br



